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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Amamentação deve saciar a fome e alimentar a relação do bebê com a mãe

Alimentar as crianças sempre foi uma forma de trocar carinho com elas. Acho que aprendi isso com a minha avó. Das melhores lembranças que guardo dela, muitas estão relacionadas à comida.

Cozinhar bem sempre foi uma habilidade que persegui para ficar parecida com ela. Da amamentação aos bolos de aniversário; da sopinha quando estão doentes aos pratos prediletos em dias especiais..., o amor dado pela boca é marca registrada da neta da Deola.

A minha avó não era muito de abraços e beijos, mas ligava para avisar que já tinha comprado as bananas para fazer a torta que eu tinha pedido. E eu me sentia muito acarinhada quando ela chegava a minha casa com uma bandeja de doces de leite para compensar mais uma das minhas tentativas frustradas de fazer aquelas delícias cortadas em losangos.

Esse modelo de mãe que alimenta os filhos foi o que escolhi desde a minha estréia na função materna aos 19 anos, não é coisa de mãe quarentona, não. Hoje, sei o quanto o ato de amamentar é importante para o vinculo do bebê com a mãe e para o bom desenvolvimento da linguagem da criança, naquela época, fazia por puro instinto.

Nunca gostei de amamentar em público, conversando ou vendo televisão. É claro que isso aconteceu, e, muitas vezes, é até necessário. O Gabriel mamava no avião para proteger o ouvido, e sempre funcionou muito bem.

Mas o ritual de amamentação com os três sempre foi de tranquilidade e proximidade. Desde os primeiros dias, deixava as visitas na sala e ia para o quarto com os bebês para o momento mais “mãe-e-filho” que existe.

Já com o Gabriel no colo, li, não me lembro onde, que a mãe fica feliz só de olhar para o filho. E as mães sabem que é assim mesmo. É uma alegria intensa, gostosa... E não há momento mais propício para ficar contemplando e lambendo a cria do que amamentando.

Mais recentemente, tenho ouvido dos profissionais da infância, que esse momento de carinho e de aproximação entre mãe e filho não precisa necessariamente do seio para acontecer. Amamentar com o auxílio de uma mamadeira, do ponto de vista do desenvolvimento psíquico e emocional da criança, pode ter o mesmo efeito.

Assim como sempre achei importante ter dado leite materno para os meus filhos, também achava importante continuar amamentando no colo, com toda atenção e carinho, quando eles já estavam tomando mamadeira. Eles nunca ficaram no berço ou no sofá segurando a mamadeira, procedimento comum desde o tempo das meninas pequenas, há mais de um quarto de século.

Não vou falar dos riscos para o bebê pela falta de assistência para tomar a mamadeira, como sufocação e aumento das otites, por exemplo. As informações da fonoaudióloga e psicanalista Eloisa Tavares de Lacerda são sobre a importância da amamentação para o desenvolvimento da linguagem.

Na opinião dela, se utilizadas com critérios, mamadeira e chupeta não prejudicam a fala nem a linguagem. “Nós, psicanalistas, pensamos que uma mamadeira dada com o mesmo carinho que o peito pode ser tão prazeroso para o bebê quanto o momento da amamentação ao seio. Ser uma boa mãe não se dá somente pela amamentação, pois muitas mães não conseguem dar o peito, mas conseguem um ótimo encontro com o seu bebê ao lhe dar de mamar!”

Ela reconhece todos os benefícios do leite humano, do valor nutricional até o fato de não acarretar gastos para as mães mais pobres, mas lembra da capacidade humana de subverter a ordem das coisas e encontrar uma alternativa quando algo não dá para ser do jeito natural.

“Nós humanos inventamos outro jeito e isto nenhum animal o faz. E sabemos que estamos num terreno que foge daquele no qual os animais transitam, que é o dos instintos. Nós humanos transitamos noutro circuito, que Freud chamou de pulsional e não de instintual, pois podemos subverte-lo”, afirmou

A psicanalista lembrou que o bebê precisa de alguém para cuidar dele para que possa sobreviver até alcançar autonomia. E ele também precisa ser amparado física e psiquicamente para desenvolver a linguagem.

“O dar alimento ao filho, no seio ou na mamadeira, inclui o tanto de alimento que sacia a fome e a necessidade dos nutrientes, quanto o alimento que sacia a possibilidade de este pequeno ser se tornar humano. Todo bebê precisa saciar a fome e ter satisfação no momento em que mama porque a relação entre ele e sua mãe deveria se dar de forma a garantir isto que vem junto: nutrição do leite e da relação com a mãe”, explicou.

A fonoaudióloga ressalta que a chupeta e a mamadeira usadas sem critério e por um período além do necessário podem acarretar problemas para o bebê. Do ponto de vista das estruturas anatômicas, existe o risco de deformação de dentes, língua e bochechas com uso inadequado e prolongado. E, do ponto de vista emocional, podem acarretar problemas de ordem mais subjetiva, como a dependência do bebê para se acalmar. Mas, sob esses dois aspectos, Eloisa Lacerda acrescenta o excesso de peito como prejudicial também.

Segundo ela, a chupeta poderia ser uma boa possibilidade de o bebê fazer uma organização própria para se acalmar e para poder suportar o afastamento da mãe. Ela ajudaria a diminuir o estresse dessa primeira distância entre a mãe e o bebê, fundamental para o desenvolvimento físico e emocional da criança.

“Para o bebê conseguir ficar um pouco com ele mesmo, sem precisar estar tão colado à mamãe. E isto gera alívio para ele e para sua mãe que pode perceber que não correrá o risco de ser literalmente engolida por seu bebê. Com relação às questões de linguagem, sabemos que se não se tiver uma distância física e simbólica entre o bebê e sua mãe, ele não poderia adentrar o território da linguagem”, salientou.

Segundo ela, além do uso excessivo, a chupeta e a mamadeira prejudicam o desenvolvimento da linguagem, quando bicos inadequados provocam deformidades. Ela recomenda o uso de bicos ortodônticos, pois são os mais semelhantes ao do seio e, portanto, deformam menos as arcadas.

Eloisa Tavares de Lacerda é fonoaudióloga e psicanalista, coordenadora do Serviço de Acolhimento Relação mãe/bebê da Derdic/PUC-SP e do curso de especialização Clínica Interdisciplinar com o bebê – a saúde física e psíquica na primeira infância da Cogeae/PUC-SP

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O debate em torno da dislexia continua

Novos comentários foram postados. Todas as contribuições levam a uma reflexão importante sobre a Educação, pedra fundamental do futuro dos nossos filhos.

http://www.educarecuidar.com/2009/10/dislexia-no-centro-das-discussoes-sobre.html

Pediatras demoram a detectar distúrbios de comunicação

Por Beatriz Flausino
As crianças que apresentam problemas no desenvolvimento da fala e da linguagem são encaminhadas pelos pediatras tardiamente a especialistas. De acordo com artigo publicado pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, os pediatras geralmente encaminham as crianças para avaliação específica após os três anos de idade.

Pediatra prefere encaminhar crianças com problemas de comunicação a outro médico especialistaSimone Aparecida Lopes-Herrera, uma das autoras do artigo, fonoaudióloga e professora da FOB, diz que essa demora “pode prejudicar o desenvolvimento da criança”. Ela considera que os médicos pediatras não estão preparados corretamente para diagnosticar problemas na fala e na linguagem. As formas mais comuns desses problemas são a demora para começar a falar e distúrbios fonológicos (troca de sons ao falar).

A pesquisadora conta que há uma situação comum nesses casos. “Os pais geralmente são os primeiros a detectar se a criança demora para começar a falar, ou não fala corretamente. E, em muitas vezes, o pediatra diz que ainda não é possível afirmar se há um problema. Mas em crianças de qualquer idade nós, fonoaudiólogos, temos como avaliar isso.”

No estudo, foram avaliados 79 pediatras por meio de um questionário específico com perguntas sobre as etapas do desenvolvimento da comunicação infantil e a forma de atuação dos profissionais nesses casos. Cerca de 90% dos entrevistados mostraram “preocupação” com a idade que a criança deve falar corretamente. Outra questão avaliou a preferência dos profissionais ao encaminhar os pacientes para outro médico especializado: 45,56% deles para otorrinolaringologista, 30,38% para neurologista, e apenas 15,19% afirmam encaminhar o paciente diretamente para o fonoaudiólogo.

Fala e linguagem

Um dado importante é o de que os pediatras que já trabalharam com um fonoaudiólogo têm maior conhecimento da área, porém, a maioria dos profissionais não sabe distinguir fala de linguagem, o que é importante para quem trabalha com saúde infantil.

A fonoaudióloga explica que a linguagem diz respeito à capacidade de representação, e a fala, da expressão. “Se eu digo ‘carro’, você consegue imaginar o que eu falo, você compreende o código. Isso está no domínio da linguagem. Agora, se uma criança diz ‘calo’, quando eu mostro um carro para ela, ela compreendeu a mensagem e pode estar apresentando um problema de fala. Quem tem condições de diagnosticar se o problema é de fala ou de linguagem é o profissional habilitado a isto, o fonoaudiólogo.”

Quando o profissional de saúde não sabe fazer essa distinção, segundo Simone, pode incorrer em grandes erros. “Uma criança com autismo, por exemplo, muitas vezes sabe pronunciar as palavras perfeitamente, isto é, ‘fala bem’, mas tem problemas na hora de entender o significado do que fala.”

A professora considera que os pediatras deveriam ter, na sua especialização, uma formação melhor sobre o desenvolvimento da fala e da linguagem infantil. “Nós observamos que eles não estão bem preparados, e a comunicação influi em toda a vida da criança, seja nas relações sociais, seja no aprendizado”.

FONTE: AGÊNCIA USP

Desenhos-estórias ajudam crianças com fobia de dentista

Por Valéria Dias
Um instrumento de avaliação em psicologia denominado “Procedimento de Desenhos-Estórias” se mostrou um recurso eficaz para o tratamento de crianças e adolescentes que apresentavam fobia de dentista. A pesquisa foi realizada pela odontopediatra e psicanalista Fátima Cristina Monteiro de Oliveira em seu mestrado pelo Instituto de Psicologia (IP) da USP.

Após intervenção, crianças conseguiram passar por atendimento odontológicoO trabalho pode ajudar odontopediatras no atendimento de crianças que apresentam este tipo de fobia e também pode evitar a necessidade de sedação desses pacientes, visto que muitos só conseguem ser atendidos por dentistas se estiverem sob efeito de sedativos. Outro benefício é que as crianças e adolescentes passam a elaborar melhor esses medos, apresentando menos angústia e mais tranquilidade diante deles. “A fobia que a criança e o adolescente têm diante do dentista é muito maior do que se imagina e traz angústias e medos muito profundos. Quando não tratada adequadamente, essa fobia pode se cristalizar na vida adulta”, comenta a pesquisadora.

Foram avaliadas 15 crianças e adolescentes com idades entre 7 e 14 anos, da cidade de São Paulo, encaminhadas à pesquisadora por dentistas que não conseguiam atendê-los devido à fobia que esses pacientes apresentavam. “Durante a consulta, eles choravam, não deixavam aplicar a anestesia, pulavam da cadeira, fechavam a boca de uma maneira que impedia o acesso dos dentistas, entre outras ações que impossibilitavam o atendimento”, explica Fátima Cristina. “Os pacientes com dois ou três anos chutavam ou tentavam morder o dentista”, conta.

A maioria dos profissionais conhecia a pesquisadora e sabia que ela estava realizando uma pesquisa sobre o tema. De acordo Fátima, existem várias técnicas usadas para atender crianças e adolescentes com fobia de dentista. Mas no caso desses 15 pacientes, mesmo com o uso dessas técnicas, não foi possível realizar atendimento. Por isso elas foram encaminhadas à pesquisadora.
Fátima explica que o Procedimento Desenhos-Estórias é um instrumento criado na década de 1970 pelo professor Walter Trinca, do IP, usado para investigação clínica de personalidade. Como o próprio nome diz, essa investigação ocorre por meio da análise de desenhos associados a estórias criadas pelo paciente e da intervenção do psicólogo ou psicanalista. Existem mais de 100 pesquisas que fizeram uso deste instrumento, em temas como câncer de mama, esquizofrenia, pacientes hospitalizados, grávidas com medo da gestação, entre outros exemplos, sendo que o estudo de Fátima foi o primeiro a utilizá-lo em odontopediatria.

Ela explica que a aplicação do procedimento consistiu em pedir às crianças e adolescentes para fazerem cinco desenhos ligados ao medo que sentiam do dentista e contarem cinco estórias associadas a cada um desses desenhos. Com isso, eles conseguiam verbalizar o próprio medo. A psicanalista fazia intervenções comentando algo ligado a estória que o paciente contava. Cada sessão durava 50 minutos.

Medos verbalizados

Essa dinâmica possibilitou que, a partir da verbalização dos medos da criança, a psicanalista conduzisse a sessão psicoterapêutica de maneira que esses medos pudessem ser entendidos e, muitas vezes, minimizados e até superados. “Um dos pacientes desenhou uma boca grande e uma injeção que era maior do que a criança apresentada no desenho. A agulha da injeção era grande o suficiente para atingir os ossos da boca, fazendo a criança do desenho sentir muita dor”, conta. “Uma das intervenções consistiu em um esclarecimento sobre o real tamanho da injeção usada pelos dentistas e ao fato de que a agulha não atingia os ossos da boca”, conta.

Segundo a pesquisadora, é necessário respeitar a individualidade dos paciente, pois cada um deles responde de uma maneira específica às intervenções. “Alguns fizeram cinco desenhos, outros apenas um desenho, cada um segundo seu próprio ritmo e isto deve ser respeitado durante as sessões”, comenta.

Dos 15 pacientes que participaram do estudo, 14 conseguiram superar o medo e ser atendidos pelos dentistas. Outros três, além desses 15, abandonaram o tratamento antes do final da pesquisa. “O Procedimento Desenhos-Estórias não é um tratamento mágico, que vai acabar com a fobia de uma hora para outra, mas vai ajudar a criança e o adolescente enfrentar o próprio medo”, ressalta.

Fátima aponta que esse tipo de fobia atinge crianças e adolescentes de todas as classes sociais. Por isso, ela acredita que deveria existir um atendimento especializado que fosse disponível para todos em universidades e hospitais públicos.

Segundo a pesquisadora, atualmente não existe o uso do Procedimento Desenhos-Estórias para tratamento de fobia de dentista em crianças e adolescentes. Entre os procedimentos usados, Fátima cita a sedação inalatória com óxido nitroso; o ato de segurar a criança na cadeira; distrair o paciente com filmes, desenhos e fantoches; a técnica do condicionamento gradual; de relaxamento, entre outras. “Esses tratamentos visam apenas que o paciente possa ser atendido pelo dentista e não leva em conta a abordagem do medo na criança e adolescente”, destaca.

A pesquisa Compreendendo a fobia em odontopediatria por meio de intervenções com o Procedimento de Desenhos-Estórias foi apresentada ao IP em setembro de 2008 e teve a orientação da professora Maria Lucia Toledo Moraes Amiralian.

FONTE: AGÊNCIA USP

Fim da DRU vai garantir R$ 9 bilhões a mais para a educação

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Com a aprovação pelo Senado ontem da proposta de emenda à Constituição (PEC) que determina o fim da Desvinculação de Receitas da União (DRU) para a educação, a área terá 9 bilhões a mais em seu orçamento de 2011. O montante representa 21% do orçamento da área em 2009, que foi de R$ 41 bi.

Para o presidente-executivo do Movimento Todos Pela Educação, Mozart Ramos, a aprovação da PEC foi uma “vitória da educação brasileira”, já que o país “ainda investe pouco” na área. “Hoje o que é investido por ano em cada aluno é cerca de R$ 2 mil, o que representa metade do que os países vizinhos como o México, o Chile e a própria Argentina aplicam”, comparou ele, que é membro do Conselho Nacional de Educação (CNE).

A União Nacional dos Estudantes divulgou nota “em comemoração” à aprovação do fim da DRU sobre a educação. A diretoria da entidade defende que os recursos sejam aplicados principalmente na democratização da universidade pública.

O mecanismo da DRU foi criado no Plano Real, em 1994, para desbloquear 20% das receitas da União que têm gasto obrigatório por lei. Assim, o governo garantiu uma margem para redirecionar dinheiro das contribuições sociais (como o PIS/Cofins e a antiga CPMF) para outras áreas.

Com a aprovação do texto, em 2009 e 2010 serão descontados 12,5% e 5%, respectivamente. Em 2011, não haverá incidência da DRU na educação.

Além de garantir mais recursos para a educação, a PEC aprovada ontem também amplia a obrigatoriedade do ensino, passando a incluir a pré-escola e o ensino médio. Hoje apenas o ensino fundamental (dos 7 aos 14 anos) é obrigatório. O texto prevê que essa ampliação ocorra de forma gradual até 2016.

“O dia de ontem foi histórico porque tratou de duas coisas muito importantes para a qualidade: o financiamento e a universalização da educação básica em todas as suas etapas”, aponta Mozart.

Ele defende que os recursos extras que virão com o fim da DRU sejam aplicados justamente na ampliação das matrículas na pré-escola e no ensino médio. “Não adianta ampliar a oferta sem qualidade, e um dos pré-requisitos é ter um financiamento adequado”, afirmou.

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Muito além da dislexia

Surpresa com o posicionamento do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo em relação ao diagnóstico de dislexia, resolvi abordar a questão aqui no blog. Publiquei uma matéria com as posições conflitantes da psicóloga e conselheira da Comissão de Psicologia e Educação do CRP-SP e presidente da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, Beatriz Belluzzo Brando Cunha, doutora em Psicologia Escolar pela Universidade de São Paulo; e da a fonoaudióloga Flávia Benevides Foz, doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, especialista em linguagem pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia e professora do CEFAC – saúde e educação, com larga experiência clínica e institucional no atendimento dos transtornos de aprendizagem e dislexia.

Ao mesmo tempo, convidei profissionais de diversas áreas para comentar a matéria, com o objetivo de ampliar o debate sobre a questão. Afinal, o que é a dislexia que nós leigos conhecemos como um distúrbio individual que dificulta o aprendizado da leitura e da escrita; e o que é resultado da falência da Educação pública e privada desse país, que não consegue ensinar meninos e meninas a ler e a escrever, a elaborar e a interpretar um texto?

Convidei a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e o Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo) para participarem do debate. Pelo menos por enquanto, as entidades não se manifestaram.

Mas recebi comentários que merecem ser lidos. Acho que são reflexões importantes sobre as necessidades das nossas crianças com ou sem dislexia. Acho que nos interessa, não só o que pensam os especialistas, mas qual é a angústia de uma mãe diante do problema do filho. Chamo a atenção principalmente para a frase que encerra a contribuição da psicóloga e psicanalista Márcia Regina Porto Ferreira: “Por essas e por outras é que surge a pergunta: será que a sociedade atual gosta mesmo de crianças?”

A Dislexia e as dificuldades para ler e escrever

http://www.educarecuidar.com/2009/10/dislexia-no-centro-das-discussoes-sobre.html

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Melhor do que ver, é brincar com o Backyardigans

Quando estava organizando a festa de um ano do Gabriel, uma amiga disse que a decoração do Backyardigans da empresa que eu estava contratando era linda. “Backy o quê?!” Demorei a entender o nome do programa mesmo com a “aula” dessa minha amiga sobre o assunto. Ela entendia tudo de Backyardigans, paixão da neta Manuela.

Com essa história de ter filho com idade para ser avó, demoro um pouco mais do que as jovens mães para descobrir e incorporar as novidades. E a festinha do Gabriel foi com decoração da Turma da Mônica, velha conhecida dos pais dele.

Mas o caçulinha da mamãe começou a desvendar o mundo da TV por assinatura com um ano de idade. Mais precisamente, começou a assistir a alguma coisa do Discovery Kids.

Quando ele tinha um ano e meio, a Nara resolveu aproveitar a paixão pelo Backyardigans para preparar a audição dele para o inglês. Criada em um ambiente quase xenófobo, ouvindo só MPB em casa, ela foi obrigada a correr para compensar o prejuízo e não quer o mesmo destino para o irmão.

O Gabriel ainda não vê televisão diariamente, mas o tempo dedicado à programação da TV e aos DVDs vem aumentando. É incrível como ele percebia o horário do Backyardigans. Perto das 17h30, falava “qué vê Backy”. Como tem dormido quando volta da escola, acaba perdendo. Se acorda pedindo, coloco o DVD.

Ele é capaz de falar das histórias de episódios que viu pela primeira vez e reproduz com os carrinhos e bonecos trechos das aventuras dos Backyardigans. Até um fio de macarrão no prato vira o "minhoco". Quem é o minhoco? É aquele dos bolinhos que a Uniqua estava fazendo quando o Pablo bateu na porta e a Tasha abriu...

Hoje em dia, eu adoro o Backyardigans! Fiquei toda contente quando completei a coleção de bonecos que comprei na 25 de Março. Lá, também encontrei máscaras de papel e cartelas de adesivos, foi uma festa danada com o Gabriel. Ele tem meias, camiseta e pantufas do Austin e do Tyrone. E, claro, esse ano faz sentido, a festa está contrata, com a decoração do Backyardigans!

Conversei com a fonoaudióloga Flavia Benevides Foz sobre a febre dos Backyardigans entre as crianças pequenas. Meninos e meninas conhecem os personagens e reagem com alegria quando encontram essas figuras tão íntimas em versões de pelúcia, borracha, madeira, papel, plástico...

Ela atribui o sucesso do programa infantil aos produtos relacionados ao desenho animado e acha que as crianças gostam mais de brincar com as coisas do Backyardigans do que de assistir às aventuras pela televisão.

“Não é só a TV. Tem todo um entorno em função dos mesmos personagens. A repetição acaba favorecendo o aprendizado. Você tem os brinquedinhos, o livrinho, tudo isso é um reforço. Se a televisão estivesse só ela, isolada, a gente não teria todo esse universo Backyardigans. E todo esse universo Backyardigans, sem interação, não existiria o aprendizado. E acho isso uma coisa interessante para alertar os pais: que é essa vivência, essa continuidade, essa interação que faz a coisa acontecer”.

Segundo ela, os programas dirigidos para faixa de dois a quatro anos de idade se aproveitam dos aspectos que ajudam a criança a desenvolver os simbolismos justamente quando ela está preparada para cumprir naturalmente essa etapa do desenvolvimento infantil. “Eles batem na mesma tecla, são repetitivos, previsíveis e trabalham sempre uma coisa muito concreta. Em geral, as crianças vão resgatar isso e imitar”.

A fonoaudióloga explicou que as crianças são capazes de narrar histórias apenas por volta dos quatro anos de idade. “O bebê tem poucos ganhos com a TV. Ele tem um tempo de atenção muito curto, ainda não tem uma representação simbólica do mundo para compreender narrativas ou situações que aparecem na tela, mesmo sendo muito concreta. Isso vai começar a aparecer depois dos dois anos, quando a criança já adquiriu um pouco dessa habilidade linguística e começa a tentar representar o mundo internamente. Mas ela vai ter um ganho muito maior por volta dos quatro. Ela consegue ver, concretizar e lembrar depois”.

Antes disso, segundo ela, as crianças respondem quando são questionadas sobre detalhes das aventuras vividas pelos personagens por que existe uma coerência no enredo que é repetido. Mas é a interação provocada pela família e o interesse dispensado pelos pais para o momento de assistir à televisão que motivam a criança a dar uma resposta.

“É esse jogo que faz a criança desenvolver. Uma criança da mesma idade, que a mãe liga a televisão e deixa assistindo, que não tem essa continuidade, provavelmente não vai ter esse vocabulário, esse desempenho”.

Para explicar a necessidade da criança de ter uma companhia diante da TV, Flávia Foz comparou com o comportamento dos adultos ao comentarem o filme quando saem do cinema. “Ela precisa ser um interlocutor. A gente sabe que é muito cômodo, a mãe tem um monte de coisa pra fazer, liga a TV e some. Isso não é legal”.

A fonoaudióloga disse que a intervenção e a continuidade estão presentes em alguns programas educativos voltados para crianças maiores, mas insiste que, ainda assim, o aproveitamento é reduzido quando a criança fica sozinha.

“Essa interatividade faz muito sucesso com os pré-escolares. Eles propõem interatividade: fazem perguntas e dão um tempo para a criança responder. É uma graça você ver. Esse é um programa educativo interessante para criança de pré-escola. Ela sai dessa posição passiva pelo próprio conteúdo inteligente do programa, mas isso não dispensa um pai do lado, uma mãe, alguém que esteja junto para compartilhar toda essa situação rica de linguagem”.

Programa bilíngue

Flavia Foz disse que a expectativa da família quando coloca um DVD em inglês não deve ser a de ensinar o idioma para a criança. Ela realmente pode aproveitar todas as informações relacionadas ao desenho para acompanhar a história sem o domínio da língua. “O visual, a repetição das cenas, ele já tem um conhecimento prévio, já teve a sua interação, então, já tem uma expectativa sobre o que esperar. E a língua está sendo subliminar”.

Segundo ela, o aprendizado de um segundo idioma antes dos quatro anos de idade só é aconselhável em uma casa bilíngue. Só neste caso, as crianças têm um aproveitamento linguístico das informações. Mas o estímulo auditivo de uma língua estrangeira nos primeiros anos de vida, quando a criança está formando no cérebro a imagem mental dos fonemas funciona como preparo de um terreno para o aprendizado no futuro.

“Se o inglês está muito pontuado a alguns filminhos e musiquinhas esporádicas, linguisticamente não há um aproveitamento, mas a criança está tendo um estímulo auditivo com relação às diferenças dos fonemas, que pode ser importante quando ela for aprender o inglês”.

Flávia Benevides Foz é fonoaudióloga, doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, especialista em linguagem pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia e professora do CEFAC – saúde e educação.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Papo de Mãe sobre amamentação




Ser mãe do Gabriel me proporcionou mais uma experiência interessante hoje. Participamos juntos da gravação do programa “Papo de Mãe” sobre amamentação. Estava lá como a mãe quarentona, com três histórias diferentes de amamentação para contar.

Acho esse assunto muito importante e fico contente por ter conseguido amamentar os meus três filhos, embora menos do que eu gostaria no caso da Bruna e da Nara. Mas estava lá uma mãe que continua amamentando a filha que já tem quase cinco anos. Ela participa desses grupos de mães que fazem do leite materno o foco de uma militância política

Olho para o Gabriel e não consigo imaginá-lo pendurado no meu peito até hoje. Para mim, mamar é coisa de bebê. A idéia do programa era mostrar essa diversidade de opiniões e de posturas das mães. O psicólogo e o pediatra torceram o nariz para a amamentação até os cinco anos, mas a mãe, que é advogada e bem informada sobre o tema, já estava preparada para as críticas.

Apresentado por Mariana Kotscho e Roberta Manreza, o “Papo de Mãe” faz parte da nova programação da TV Brasil e vai ao ar às quintas-feiras, às 17h30, com reprises aos domingos, segundas e terças. O programa sobre amamentação só será apresentado em janeiro de 2010. Uma pena, estou curiosa para ver o resultado final.

Foi uma manhã inteira de gravação. Fazer televisão é muito trabalhoso! O cenário é uma sala de visitas que reúne as mães e os especialistas no assunto em questão num papo descontraído com as duas apresentadoras. Ao fundo, um espaço preparado para as crianças com brinquedos, livros, e material para desenhar e pintar.

O Gabriel se comportou muito bem. Quando olhei, já estava descalço, com o rosto rabiscado, brincando totalmente à vontade. De vez em quando, ele ia até a roda da conversa dos adultos, dava uma olhadinha, e voltava para brincar.

Foi uma ótima oportunidade para rever a Mariana Kotscho, minha colega de reportagem há muitos anos. Achei engraçado porque tivemos a mesma idéia de juntar maternidade e jornalismo para trabalhar com mais calma e cuidar dos filhos. Quando conheci a Mariana, ela era uma menininha, uma jovem repórter da TV Record. Eu já não era nenhuma menininha e tinha duas filhas crescidinhas. Depois, a Mariana foi para a Rede Globo e teve duas filhas. Agora, nos reencontramos e os nossos caçulinhas têm quase a mesma idade. Ela tem o André, de 2 anos e quatro meses, e o meu Gabriel tem 1 ano e 11 meses.

Os jornalistas também têm as suas próprias histórias para contar...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Criança é isso - Parte II

Fulaninho, 4 anos

Dias antes de completar quatro anos, o menino anuncia que vai largar a mamadeira quando fizer aniversário. No “Dia D”, acorda, vê a mamadeira pronta ao lado da cama e toma tudo. Depois, em tom indignado, reclama com a família: “quem mandou fazer o meu mamá hoje, eu não falei que ia parar de mamar no meu aniversário? Agora vou ter que esperar mais um ano..." O tempo passou e ele nunca mais tocou no assunto. Só largou a mamadeira com mais de seis anos de idade.

Fulaninho, por volta dos 6 anos, e Fulaninha, por volta dos 9 anos

Os primos passam as férias na praia. Todos acabam de jantar e o fulaninho continua enrolando na frente do prato quase cheio. De repente, a avó escuta o menino falando: “Fulaninha, se você sair da mesa e não me esperar, não faço sexo com você hoje”. Mais do que depressa, a menina desistiu de se levantar. A avó esperou todos irem para o quarto para dormir e deu um flagrante na meninada antes que a coisa acontecesse. Conversou com todos e explicou que sexo é coisa de adulto.

Aluno de segunda série de uma escola particular de São Paulo

Durante uma discussão, o fulaninho chama uma colega de "filha da puta". A professora repreende e diz que não é correto falar daquele jeito com uma menina e afirma: “duvido que o seu pai fale assim com uma colega no trabalho.” E o menino responde: “No trabalho eu não sei, mas o meu pai sempre fala isso pra minha mãe!”

Fulaninho, década de 70, por volta dos 5 anos (seria a mesma coisa se tivesse 10 anos)

O menino entra em casa correndo e gritando. Quase sem fôlego, para diante da mãe e, ofegante, dispara: “Mamãe, mamãe, o que é sexo oral e sexo anal?” A mãe explicou.

Aluno de primeira série de uma escola particular de São Paulo

A professora repreende os alunos que não querem fazer a lição na classe. Falando que não dá para esperar a vontade para fazer, volta-se para um aluno e diz: “Imagine se o seu pai não entregar um trabalho que o chefe dele mandou...” O aluno interrompe e diz: “Mas o meu pai é o chefe”. A professora inverte a situação: “Então, e se o funcionário não fizer o que o seu pai mandar? “Ah, aí ele manda embora”.

Fulaninho, 3 anos

Insatisfeito com a escolha da família, o menino se recusava todos os dias a ir para a escola. O pai, na tentativa de convencê-lo pede: “Vamos lá, mostre a escola para o papai”. Quando os dois chegam, muito empolgado o menino corre por todas as dependências explicando: “Aqui é a sala do diretor, aqui é onde toma lanche, aqui é o banheiro, aqui é o parquinho... Pronto papai, essa é a escola, agora, vamos embora!”. Dias depois, o fulaninho acabou pulando o muro da escola e chegando em casa sozinho.

Fulaninha, 1 ano e meio

Depois de dançar na festa junina da escola, a menina abraçou e deu um beijo na boca do coleguinha. Repreendida pelos adultos que estavam em volta, explicou: “Todo mundo beija na boca, a fulaninha também beija”.

Fulaninha, 1 ano e 9 meses

A mãe estava grávida, esperando o bebê para o mês seguinte. Alguém fala: “Que legal, fulaninha, a mamãe está esperando um nenê, você quer um irmãozinho?” Sem titubear, a menina responde: “Não, obrigada!”

Fulaninha, por volta dos 5 anos

Caminhando com a mãe pela rua Teodoro Sampaio lotada, fulaninha reclama dos empurrões o tempo todo. De repende, depois de um solavanco mais forte, dispara “Vaca!”. “O que é isso, fulaninha, não fale assim”. Logo em seguida, mais um empurrão, a fulaninha bufa e diz entre-dentes: “Lindinha!”

Fulaninha, por volta dos 7 anos de idade

Um grupo de crianças se diverte com um jogo. Uma partida atrás da outra, a fulaninha só perde. Quando já está muito chateada, levanta chorando e vai procurar consolo com a mãe, que diz: “Fulaninha, vá jogar, você precisa aprender a perder”. E a menina responde aos prantos: “Perder eu já sei, o que eu preciso aprender é ganhar!”

Fulaninho, 1 ano e 10 meses

Brincando com a mãe, o fulaninho tenta cantar a música do Lobo Mau. Só consegue um desafinado lobo mau. Mas foi o suficiente para a mãe reconhecer. “Lobo mau? Você sabe a historinha do lobo mau, quem contou? Ele diz o nome da professora. Animada, a mãe vai perguntando se a história tinha cada um dos personagens da Chapeuzinho Vermelho. Um por um, o fulaninho confirma: “Tinha!”. Empolgada, a mãe começa a perguntar tudo de novo. Para fugir da amolação, um por um, o fulaninho desdenha: "Não!"

Vale a pena rever: http://www.educarecuidar.com/2009/09/crianca-e-isso.html

Dicas para o Final de Semana

Gabriel abre a sua pasta de favoritos

http://www.youtube.com/watch?v=kL5EjA2xu3k

http://www.youtube.com/watch?v=8ODPtsAJXgM

http://www.youtube.com/watch?v=C1ri8CwMzv8

http://www.youtube.com/watch?v=_mQHr8bAojU



Cientistas de Diadema

25 de Outubro - domingo

das 10h às 18h

Unifesp Diadema
Av. Manuel da Nóbrega, 1149 - Diadema

A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) apresenta no dia 25 de outubro (domingo) o evento “Cientistas de Diadema”, que pretende criar um espaço para que crianças e adultos conheçam e possam valorizar atividades científicas e tecnológicas, por meio de apresentações realizadas por professores, alunos e cientistas de Diadema. Entre as atividades estão: show de ciências, palestras científicas animadas, vídeos científicos, painéis e estandes de Ciência.

http://dgi.unifesp.br/comunicacao/noticias.php?cod=7491

FONTE: ASSESSORIA DE IMPRENSA DA UNIFESP

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O brinquedo precisa ganhar a briga com a televisão

“Na briga entre o brinquedo e a televisão, o brinquedo precisa ganhar, por mais que seja cômodo para os pais deixar a criança vendo televisão”.

Eu adorei essa frase da fonoaudióloga Flávia Benevides Foz e toda a explicação que ela resume sobre o uso de mídias eletrônicas por crianças até os quatro anos de idade.

Nós conversamos bastante e o mais importante, o que ela martelou demais, é que a televisão e o computador sejam utilizados como um instrumento que permita a interação da criança com os pais ou quem estiver cuidando dela.

Segundo a fonoaudióloga, o programa sozinho não serve como estímulo para o bom desenvolvimento infantil, mas, quando está associado a uma brincadeira, a uma conversa, a um “ver junto” com a criança pode trazer benefícios para a linguagem.

Flávia Foz disse que a televisão não é recomendada para bebês, mesmo que sejam os produtos dirigidos a essa faixa etária. Mas reconhece que a televisão faz parte do nosso ambiente e é quase impossível impedir completamente o acesso. “Não adianta brigar contra, tem que procurar a melhor forma de utilizar”.

Ela considera que em uma sociedade que não é inclusiva, como a nossa, deixar o filho totalmente “por fora” do que as outras crianças estão vivendo, pode acabar prejudicando o seu desenvolvimento social. “A criança não é acolhida, é excluída”. Assim, se a criança não conhece os personagens que todos conhecem, por exemplo, a conversação ficará travada pela sua falta de repertório para acompanhar a brincadeira do grupo, o que, eventualmente, pode acarretar prejuízos para a linguagem.

Insisti com ela sobre a avaliação dos pais de que os bebês prestam muita atenção quando estão vendo algum programa infantil na televisão desde muito pequenos. Ela garante que o tempo em que eles ficam atentos é muito reduzido. E acha que esse entendimento dos pais não leva em consideração que o bebê não tem mobilidade e, portanto, não tem outra alternativa além de ficar olhando para a TV já que foi largado ali.

Segundo a fonoaudióloga, a atenção vai e volta durante o período de exposição à televisão e a criança não aproveita essas informações para o desenvolvimento da linguagem. Ela disse que a percepção do bebê é voltada para o concreto, a televisão só funciona se houver uma interação organizada pelos pais ou quem estiver com ela.

Os desenhos da TV são bons para a linguagem, por exemplo, quando a criança manipula os brinquedos que reproduzem os personagens ou encontra aquelas figuras ao folhear livros e revistas. É esse aparato todo (consumismo) em torno dos desenhos infantis que encanta tanto as crianças.

Mesmo para ampliação de vocabulário, a criança precisa de alguém conversando com ela durante o programa. Cada nova palavra só será incorporada ao repertório dela na relação social. A linguagem será enriquecida no ambiente da família e da escola. “Se não tiver mediação da família, se não houver interação, não vai haver esse acréscimo”.

O adulto vai repetindo o que está passando na televisão, explicando, brincando enquanto assiste, relacionando as coisas que são apresentadas com o mundo que ela conhece. Sozinha, a criança não vai juntar tudo, não vai transformar aquelas informações em conhecimento. “Não são nocivos, têm o papel deles, fazem parte do nosso ambiente. Não podem ter tanto destaque e ser prioridade. Tudo o que é exagero vai atrapalhar”.

A fonoaudióloga destaca que a televisão ou o computador não podem substituir o brinquedo. “Nada é mais importante do que sentar no chão e brincar”. Flávia Foz explicou que os conteúdos dos programas precisam contemplar o que já está internalizado pela criança. Aquelas que sabem brincar, mesmo que de forma rudimentar, tiram melhor proveito da televisão.

Ela considera que os DVDs voltados para crianças são elaborados pensando na organização que a criança necessita, baseados no desenvolvimento infantil, mas isso não substitui a presença e a interação promovida pelos pais. Eles partem do mais óbvio, como o Bebê Mais: objetos passando para a criança seguir com os olhos. É o que ela faz com tudo o que passa pela frente dela.

Essa conversa continua. No próximo post, vou falar do Backyardigans.

Flávia Benevides Foz é fonoaudióloga, doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, especialista em linguagem pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia e professora do CEFAC – saúde e educação.

Devagar com as mídias eletrônicas

A minha resistência à mídia eletrônica sempre foi radical. As meninas tiveram um limite rígido em relação à televisão. Naquela época, a Xuxa era considerada “A” babá eletrônica, mas jamais foi “contratada” para “cuidar” das minhas filhas.

Elas não passavam as manhãs pregadas à televisão. Foram crianças que brincavam no quintal com os vizinhos e assistiam pouco aos programas infantis. Mas tinham discos (vinil!), fitas (cassete!), vestiam roupinhas da “Rainha dos Baixinhos” e foram a vários shows da Xuxa. Eu levava mesmo! No Pacaembu, com o Papai Noel chegando de Helicóptero? Foram... Sensacional! O problema eram as mães enlouquecidas, que berravam e choravam mais do que as crianças.

E quando o primeiro computador entrou na nossa casa? Que preocupação com aquela novidade! As duas eram monitoradas, mesmo à distância, para não abusar da Internet. Abusar, não, coitadas..., mal conseguiam dar uma entradinha. Só não mandei instalar algum sistema que desse choque em quem pegasse no mouse porque a Internet era discada e me permitia o controle: “Se eu ficar tentando ligar aqui e der ocupado...” Elas sabiam: adeus, computador!

O Gabriel só não vai repetir a história porque evoluí um pouquinho (até virei blogueira!) e o pai dele e a Nara são muito mais high tech e estão aí para compensar a minha falta de entusiasmo com as novas tecnologias. Mas ele está sujeito ao mesmo controle experimentado pelas irmãs.

O Gabriel ganhou um DVD da avó aos quatro meses de idade, mas aquele primeiro “Bebê Mais” descansou dois meses na estante... Quando tinhas seis meses, começou a ver, mas muito de vez em quando. “Bichos”, depois, vieram “Cores”, “Natureza”, “Bichos II”... Sempre encaramos com muita desconfiança esses produtos feitos para as crianças, importantíssimos para o desenvolvimento do seu filho, blá, blá, blá... O pai dele brincava que só faltava criarem o “Bebê Mais Física Quântica” e o “Bebê Mais Geometria Analítica”.

Com um ano, com a mesma parcimônia do Banco Central para a queda da Selic, o Gabriel começou a assistir aos programas infantis da Discovery Kids. Na escola, alguns trabalhos com as crianças estão sendo feitos a partir do Cocoricó, então começamos a colocar com mais frequência o DVD aqui em casa.

Ainda me surpreendo com a facilidade dele para reconhecer os personagens dos desenhos infantis que encontra por onde vai. Um dia, ele não parava de abrir a cômoda para pegar um casaco com desenho do Mickey nas costas. Entrei na Internet e imprimi uma gravura do Mickey para ele pintar. Foi uma festa! Fiz o mesmo com a Tasha, com o Pato Donald, com a Margarida, com o Pluto... Mostrei como funcionava a impressora e passamos a copiar juntos as gravuras para pintar.

Por iniciativa da irmã e do pai, vieram os curtíssimos vídeos do You Tube. Pasmem, eu nunca tinha entrado no You Tube! Quando o Gabriel descobriu, eu descobri junto ele essa fonte de histórias rápidas, muita música, muita animação... Começamos com a música de abertura do Backyardigans, com o “Amo Você” do Barney, e, mais recentemente, chegamos a uma linda história dos Três Porquinhos e a tosca e maravilhosa propaganda “Ah, seu Lobo, faz com Cremogema?” A garimpagem não tem fim.

Para o Gabriel, o campeão é Aquarela do Brasil, com o Pato Donald e o Zé Carioca. Pedagogicamente incorretíssimo, o Zé Carioca fuma um baita charuto e o Pato Donald engasga com um trago de cachaça. Faz meses que o Gabriel senta na frente do computador, se ajeita e pede: “Qué vê Donald!” Um dia, pegou um cartão de crédito, fez um esforço danado para enfiar dentro da camiseta e puxou com a pose do Zé Carioca. Claro que eu logo providenciei uns cartões de brinquedo para ele. Mas, muito melhor foi um dia desses, tomou uma talagada de água, suspirou, bateu o copo na mesa e disse “cachaça!” antes de soltar uma deliciosa gargalhada.

http://www.youtube.com/watch?v=_mQHr8bAojU

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A Dislexia e as dificuldades para ler e escrever

O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo está sustentando uma polêmica posição em relação à Dislexia, que coloca em dúvida, inclusive, o conceito da doença.

Para o CRP-SP, projetos de lei para criar programas de diagnóstico de Dislexia nas redes públicas de ensino em vários municípios paulistas, como o que está em tramitação na Câmara Municipal de São Paulo, desviam o foco do processo de ensino-aprendizagem desenvolvido pelas escolas e viram os holofotes para supostos problemas orgânicos dos alunos com dificuldades para ler e escrever; tratam uma questão que envolve todo o sistema educacional como uma questão de doença da criança; reduzem a participação dos profissionais da Educação no enfrentamento das dificuldades de leitura e escrita dos alunos e entregam o problema para profissionais da saúde fora do contexto escolar.

Eu conversei com a psicóloga e conselheira da Comissão de Psicologia e Educação do CRP-SP e presidente da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, Beatriz Belluzzo Brando Cunha, doutora em Psicologia Escolar pela Universidade de São Paulo, que atacou fortemente a tentativa de “medicalização” das dificuldades de leitura e escrita das crianças, pois, segundo ela, não há consenso científico em relação à concepção do distúrbio. “A concepção se refere a problemas de aprendizagem de leitura e escrita e compreendem essa dificuldade como transtornos que se localizam num plano neurológico. A forma com que se define e se diagnostica um distúrbio dessa ordem não está claramente definido”.

Conversei também com a fonoaudióloga Flávia Benevides Foz, doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, especialista em linguagem pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia e professora do CEFAC – saúde e educação, com larga experiência clínica e institucional no atendimento dos transtornos de aprendizagem e dislexia. Ela contra-atacou com veemência as iniciativas do CRP-SP, considerando uma “irresponsabilidade” a campanha da entidade para desacreditar a existência da dislexia. “O projeto de lei pode e deve ser amplamente discutido, mas o debate não deveria tomar como referência de base a hipótese de que a dislexia não existe”.

Não é novidade para ninguém que a Educação no Brasil não está sendo capaz de ensinar escrita e leitura para um grande número de alunos ao longo de todo o ensino fundamental. Basta conversar com qualquer professor para saber que a incapacidade para interpretar e elaborar um texto é muito comum entre os estudantes do ensino médio e universitário. Os eventuais problemas de saúde mental das crianças não podem justificar índices tão altos de fracasso escolar pelo país afora.

Para a psicóloga Beatriz Belluzzo, os projetos que pretendem levar programas de avaliação e diagnóstico de dislexia para dentro das escolas devem ser combatidos porque as dificuldades de aprendizagem da escrita e da leitura são resultado de deficiências pedagógicas e a compreensão internacional do distúrbio não contempla as particularidades da realidade brasileira. “A escola brasileira produziu uma série de problemas. Não é só a dificuldade para a leitura e a escrita, nós temos uma escola carregada de problemas, insuficiente, arcaica”.

Na avaliação de Flávia Foz, as falhas no processo de ensino-aprendizagem explicam grande parte, mas não todo o enorme contingente de alunos que não conseguem se alfabetizar. “Dentro desse grupo existem os que refletem os resultados da falência na educação e existe uma pequena porcentagem de indivíduos que apresentam os transtornos de aprendizagem”.

Para a psicóloga Beatriz Belluzzo, o conceito de dislexia é bastante vulnerável e os testes para o diagnóstico induzem à comprovação da hipótese do distúrbio. “Não há como comprovar que uma criança tem dislexia porque o diagnóstico é feito com base em suposições e evidências que são suscetíveis às questões escolares. Quando você verifica um problema de leitura e escrita, ele está sempre dentro de um contexto educacional”.

A fonoaudióloga Flávia Benevides Foz discorda: “Só não acredita na existência da dislexia quem não trabalha no atendimento dessas crianças”. Segundo ela, o Brasil ainda precisa avançar muito nas pesquisas para criar os seus próprios protocolos de testes para não continuar copiando o modelo americano. Mas as avaliações utilizando modelos internacionais não invalidam a existência do distúrbio e são capazes, inclusive, de perceber sinais de possíveis problemas mesmo antes do processo de alfabetização. As prováveis dificuldades estariam relacionadas com habilidades fonológicas, linguísticas e cognitivas necessárias para a futura formalização do processo de alfabetização. E um trabalho preventivo de estimulação com crianças mais novas pode criar as condições necessárias para o processo de aprendizagem da leitura e da escrita.

A psicóloga Beatriz Belluzzo, critica a identificação de crianças como disléxicas cada vez mais precocemente. Segundo ela, o problema, em geral, aparece nas primeiras séries, quando começa a reprovação na escola. “Mas há casos de diagnóstico para crianças de seis anos! Veja, se é um problema de aquisição da leitura e da escrita, com seis anos, você está começando um processo e já faz diagnóstico?”. A psicóloga acredita que o problema tende a se agravar com a nova estrutura do ensino fundamental, que antecipou o início para seis anos de idade. “Daqui a pouco, tem criança de cinco anos com diagnóstico de dislexia!”

Embora compartilhe da idéia de que um excesso de diagnósticos possa realmente mascarar as deficiências do ensino, a fonoaudióloga Flávia Foz acredita que a ausência de uma avaliação pode ser ainda mais prejudicial à criança. “Você deixaria de fora as crianças que realmente precisam de tratamento”.

Para Flávia Foz, a dislexia é uma questão de saúde e os professores não são capacitados para resolver as dificuldades de leitura e escrita provocadas pelo distúrbio. “A dislexia deve ser tratada por uma equipe multidisciplinar da área da saúde e consideramos os professores parceiros importantíssimos. Eles não são capacitados para dar o diagnóstico, mas podem e devem fazer os encaminhamentos quando julgarem necessário e, em classe, mediarem a inclusão”.

Professora de cursos de pós-graduação, ela disse que os profissionais formados há mais tempo são os que mais procuram uma especialização nessa área. “É falta de formação mesmo. Existe essa demanda porque os estudos neurocientíficos trouxeram muitas novidades. Com a rápida evolução desses estudos, há a necessidade de se buscar atualização com frequência”.

A psicóloga Beatriz Belluzzo acredita que o diagnóstico de dislexia tira do professor a possibilidade de ajudar as crianças no ambiente escolar e desloca o problema para outras áreas profissionais. Mas esses alunos acabam sem ajuda porque os tratamentos privados de Psicopedagogia e Fonoaudiologia são muitos caros e a rede pública de saúde não tem capacidade para atender a todos. “Eu tiro do professor a sua capacidade de atuar sobre as questões de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita. Se ele (o aluno) tem um transtorno neurológico, não cabe ao professor mexer com isso. Ele vai se sentir incompetente e incapacitado para atuar com aquela criança como alguém que tem um problema”.

Ela contesta o tratamento no âmbito da saúde, fora do cotidiano das escolas. “Estariam atuando unicamente com aquela criança diagnosticada como disléxica. Atendendo o indivíduo, não o que acontece dentro daquele contexto que está produzindo não só uma, mas muitas crianças que não estão aprendendo a ler e a escrever. Quando você localiza o Joãozinho tem dislexia, eu passo a compreender o Joãozinho não como fruto daquele processo ensino-aprendizagem, mas como um indivíduo que dentro dessa máquina está com defeito. Eu vou localizar nele e tiro da questão pedagógica a solução para o problema”.

O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo só reconhece a dislexia em casos de perda da capacidade de escrita e leitura provocada por alguma lesão cerebral comprovada. E contesta a extensão do conceito para a um mal congênito ou de evolução. A direção do CRP-SP aponta a indústria farmacêutica como grande incentivadora da medicalização de um problema que é pedagógico.

Na avaliação dela, é uma tendência da sociedade moderna procurar explicação para tudo na ciência, por isso, a abordagem da medicina é culturalmente mais valorizada. “Há uma tendência de fazer uma compreensão médica, orgânica, na maioria dos nossos problemas. Não é só na questão da aprendizagem da leitura e da escrita. Hoje, se a gente oscila em relação ao humor, se algumas vezes está triste e em outras vezes está alegre, a gente é bipolar. Se a gente está muito triste, a gente é depressivo”.

Na opinião de Flávia Foz, o progresso e o processo de globalização democratizaram o acesso às informações. “É natural que quanto maior o número de pessoas bem informadas, maior a procura pelos centros de diagnóstico e tratamento. Isso não significa que haja um aumento percentual no número de diagnósticos”.

Ela argumenta com base nos resultados do SAEB – Sistema de Avaliação de Educação Básica que revelou, em 2001, que 59% dos alunos da 4ª série (atual 5ª) do ensino básico não desenvolveram competências elementares para a escrita. “Obviamente não são 59% de disléxicos. Caso fosse feito um estudo, não deveria ultrapassar os cinco a dez por cento dos distúrbios de aprendizagem que podem afetar de cinco a 20% da população”.

A fonoaudióloga disse que a própria definição, seja do distúrbio de aprendizagem, seja do distúrbio especifico de leitura (dislexia), prevê que as dificuldades aparecem mesmo em condições favoráveis. “Portanto, os problemas de “ensinagem” não são considerados transtornos e devem ser cuidados no âmbito da educação”.

Câmara dos Deputados aprova nível superior para professor de ensino básico

O Plenário aprovou, nesta quarta-feira, o Projeto de Lei 3971/08, da deputada Ângela Amin (PP-SC), que exige nível superior, com licenciatura, dos professores que atuarão na educação básica (educação infantil e ensinos fundamental e médio). A matéria, aprovada na forma do substitutivo do deputado Iran Barbosa (PT-SE), será enviada para votação no Senado.

A principal mudança no texto final foi garantida com a aprovação de um destaque do PP que manteve no substitutivo a possibilidade de contratar professores com ensino médio para a educação infantil onde comprovadamente não existirem formados em nível superior. A regra vale também para as quatro séries iniciais do ensino fundamental.Originalmente, o substitutivo de Iran Barbosa, pela Comissão de Educação e Cultura, retirava do texto essa necessidade de comprovar a inexistência de formados em nível superior e não previa a possibilidade de contratação de professores com ensino médio para as primeiras séries do fundamental.

Devido à aprovação do destaque, foi retirado do texto final o dispositivo do projeto apensado (PL 5395/09, do Executivo) que permitia ao Ministério da Educação estabelecer nota mínima no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) como pré-requisito para ingresso em cursos de graduação para formação de docente.

Ajustes à Constituição Do projeto de Ângela Amin, Iran Barbosa aproveitou ainda ajustes na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) necessários após a promulgação da Emenda 53, que criou o Fundeb. Um deles define a educação infantil como aquela ministrada até os cinco anos de idade, pois a partir do sexto ano, a criança passa a cursar o primeiro ano do ensino fundamental.

Outro ajuste, com alcance ampliado por emenda do deputado Fernando Coruja(PPS-SC), substitui a expressão "educandos portadores de necessidades especiais" pela expressão "educandos com deficiência" em vários trechos da LDB. A mudança adapta o texto ao termo internacionalmente usado.

FONTE: PORTAL DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Para um bebê, atraso de um minuto para mamar pode ser um pesadelo

O pesadelo é uma coisa que acontece em qualquer idade e nem os bebês estão livres desse incômodo. Segundo o neurologista Rubens Reimão, do Departamento de neurologia do Hospital das Clínicas, membro do Grupo de Pesquisa Avançada de Medicina do Sono do HC, o pesadelo é um distúrbio do sono REM (rapid eye movement - movimento rápido dos olhos).

“O pesadelo é um sonho ruim que dá ansiedade, que dá medo, que dá angústia”, explicou o neurologista. Segundo ele, esses sonhos, em geral, estão relacionados às inseguranças que carregamos. Para o bebê, essa sensação é causada pelas perdas que ele experimenta no seu dia-a-dia.

O neurologista explicou que muitas vezes, durante um pesadelo, o bebê chora e não chega a acordar. Provavelmente, está sonhando com coisas que está perdendo. Por mais que se pense que a vida de um bebê é tranquila, por analogia, são ameaças ao seu bem-estar. Quando chora dormindo, ele está sonhando que quer a mãe, que quer o seio, que está sentindo frio ou calor. De acordo com o médico, a espera de um ou dois minutos para receber o que está precisando já é um sofrimento muito importante para o bebê. E ele demonstra isso quando está acordado, pois chora desesperado quando quer alguma coisa.

“É só demorar um minuto para dar a mamada, a criança já abre um choro daqueles. Para ela, muitas vezes é isso aí a perda, é alguma coisa que dá prazer e ela perde. Ela reage! Desde o início, se não der a mamada, é a maior perda que ela já teve. São perdas de coisas básicas como a alimentação ou a perda da mãe. São básicas, mas são coisas fundamentais, que formam o alicerce da personalidade da criança”, afirmou.

Rubens Reimão disse que os exames realizados durante o sono mostram claramente se ele está no sono REM ou no sono não-REM. “É muito importante porque mostra exatamente igual ao da criança maior ou do adulto, quando tem um pesadelo que acontece durante o sono REM. Isso acontece porque nossos medos, as nossas inseguranças aparecem durante o sono”.

Segundo o neurologista, a idéia de que não se pode pegar o bebê no colo durante um pesadelo é crendice popular. O que não precisa, é acordar a criança. “A criança acalma no colo da mãe e volta a dormir em seguida. Mas, se ela estiver dormindo, não tem necessidade de pegar no colo. Chora um pouquinho e depois continua dormindo. Em geral, a criança tem um sono muito profundo. Quando está dormindo, é difícil acordá-la numa situação assim. Quanto menor, mais profundo o sono. Não tem necessidade de acordar, atrapalha mais ainda”, explicou.

Prejuízos causados por distúrbios do sono

A produção de memória durante o sono é fundamental para o bom desenvolvimento da criança. “É um substrato básico importantíssimo sem o qual as crianças não conseguem resolver os seus problemas”.

Segundo Rubens Reimão, a concentração durante o dia, ficar alerta e concentrado, é importante na capacidade de conseguir prestar atenção para resolver os problemas. Muito do que se adquire de informação ou se aprende é feito sem necessidade de concentração. Isso acontece com a criança, que está sempre recebendo um monte de informações novas durante os primeiros anos de vida. A concentração é importante em alguns aspectos, mas, grande parte entra na memória sem que ela precise se concentrar para isso. O prejuízo da falta de concentração pode aparecer quando for necessário usar essas informações.

Apnéia do sono

Algumas crianças dormem pouco porque têm alguma doença. A apnéia do sono está entre as mais comuns. Além de diminuir, o sono fica mais leve. A criança tem dificuldade respiratória, ronca forte, fica sufocada durante o sono, e é comum que comece a ter déficit de memória durante o dia e mau desempenho escolar. “Nos últimos anos, se está estudando essa parte e tem muito para ser estudado. Essa é uma doença que diminui a quantidade de sono da criança causando dificuldade na escola e de aprendizado em geral”, explicou.

Insônia do lactente

Com início bastante precoce e se prolongando até os dois anos de idade, a principal causa de privação de sono nos primeiros meses de vida é a insônia do lactente: O bebê fica acordando muitas vezes, chorando a noite toda, a mãe pega várias vezes. A hipótese é de que seja provocada pela dificuldade da criança se separar da mãe durante o sono.

“A criança acordaria e chamaria a mãe muitas vezes e a mãe continua realimentando o comportamento. É muito importante quando acontece isso que a mãe seja orientada por médico pediatra ou neurologista, como fazer para modificar o comportamento. Não existe medicação, o tratamento é orientação mesmo. Ver quais são as coisas que estão erradas no comportamento. Orientando, é possível modificar”, explicou.

O neurologista disse que algumas crianças continuam com o problema por mais tempo, mas é muito difícil começar com dois ou três anos de idade. Segundo ele, é muito importante descartar a incidência de alguma outra doença associada. Investigar se a criança não está acordando porque está com cólica ou alguma outra dor. O médico esclarece que se for por maus hábitos, como a mãe amamentar durante a noite, é mais fácil modificar para a criança passar a dormir normalmente.

“A insônia fica mais difícil. Quando são distúrbios do comportamento é mais simples. Ainda precisa de mais estudos para ver se essas crianças vão ter algum déficit de concentração e de atenção no futuro. De zero a dois anos ainda não foi estudado o suficiente. A gente pode supor, até alguns anos não tínhamos esse tipo de dado, agora, podemos supor que elas vão ter um déficit cognitivo pelo déficit de sono que tiveram aí. Mas não dá para saber, ainda não temos trabalhos suficientes”.

Por enquanto, de acordo com o neurologista, só há comprovação em relação aos problemas de comportamento das crianças gerados pela privação de sono. “Em geral, essas que acordam mil vezes durante a noite, não dormem também durante o dia, ficam irritadas, explosivas, agressivas, logo nos dois primeiros anos de idade. Mas ainda precisamos ver se vai manter por mais tempo. Isso a gente já sabe, altera o comportamento. É conhecido de três anos para cá. O sono das crianças é o que foi menos estudado e tem coisas novas hoje em dia.

Abuso da TV e do computador

Rubens Reimão considera que outro aspecto importante, mas pouco estudado, é a privação de sono, que as crianças estão se auto-impondo pelo abuso da TV e do computador. “Por exemplo, a criança que fica no computador, isso a criança maior e o adolescente, que passa a noite no computador diminuindo muito a quantidade de sono. A gente pode supor que como está diminuindo as horas de sono de uma maneira anormal, vai ter algum déficit cognitivo no dia seguinte, não vai conseguir aprender direito. É comum que ela tenha dificuldade de atenção e de concentração também. É novo, os estudos aumentaram nos últimos anos para saber o abuso do computador”.

Rubens Reimão, neurologista do Departamento de neurologia do Hospital das Clínicas, membro do Grupo de Pesquisa Avançada de Medicina do Sono do HC.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Bebê dorme bastante porque tem muita novidade para arquivar na memória

Tudo é novo para o bebê! E, ao contrário do que se imaginava por muito tempo, ele é capaz de reter informações desde o início da sua vida.

Segundo o neurologista Rubens Reimão, do Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, membro do Grupo de Pesquisa Avançada de Medicina do Sono do HC, tudo o que o recém-nascido sente, escuta e enxerga precisa ser contextualizado, e essa tarefa é feita durante o sono. “É muito importante para quem for lidar com a criança no dia-a-dia que entenda isso, que ela já está tendo percepção das coisas desde a hora que nasce”, afirmou.

É por isso que os bebês têm uma necessidade de sono muito maior do que os adultos. A memória é desenvolvida durante o sono REM (rapid eye movement - movimento rápido dos olhos). Enquanto nos adultos a duração do sono REM é de 25 por cento do período dormido, nos recém-nascidos e bebês até dois anos de idade varia de 50 a 60 por cento. Enquanto um adulto precisa de 7 horas e meia ou oito horas diárias de sono, um recém-nascido dorme 16 das 24 horas do dia.

O sono REM faz parte dos ciclos de sono em todas as idades. Esse é o período no qual acontecem os sonhos. A quantidade em relação ao total de sono diminui progressivamente. Um recém-nascido passa mais da metade do tempo sonhando, uma criança de 10 anos sonha em torno de 30 por cento do sono.

O neurologista Rubens Reimão explicou que o sono do bebê tem períodos de sono REM (de sonhos) e o períodos não-REM (sem sonhos), como acontece em todas as idades. Portanto, os bebês têm momentos de sonho semelhantes a outras faixas de idade, em geral, relacionados com o dia-a-dia e com o aprendizado.

"Uma das hipóteses, atualmente, é de que essa grande quantidade de sono REM, de sonho intenso e duradouro, já desde o nascimento, acontece porque a criança está tendo um grande número de informações que estão chegando, fazendo com que haja um aumento da necessidade de memória”, explicou.

A memória é produzida durante o sono REM. E é nessa fase da vida da criança, de grande período de sono REM, que ela teria maior aquisição de memória. Esse mecanismo de arquivamento é utilizado por todas as pessoas, de qualquer idade. Mas, na criança, ganha importância maior porque ela está o tempo todo em contato com novidades, precisando guardar tudo o que encontra de novo.

“Dormindo se produz memória, então, é durante o sono, principalmente durante o sono REM, que a memória é arquivada em termos neurológicos e fisiológicos. Quando a gente aprende alguma coisa durante o dia, a gente fixa depois, quando dorme”, disse.

O sono REM passa a memória passageira do que acontece para uma memória de longa duração. Do ponto de vista neuro-fisiológico, durante o sono REM são escolhidas as memórias que serão arquivadas e mantidas por bastante tempo, por meses ou anos. É por isso que o recém-nascido e a criança pequena, principalmente até os dois anos de idade, têm uma grande quantidade de sono REM e de produção de memória.

A duração do sono também é diferente nas faixas etárias: um recém-nascido precisa de 16 horas por dia, a maior parte do tempo, de sono REM. Aos dois anos, são necessárias 12 horas diárias de sono. Com três anos, 10 horas são suficientes. No adulto, de sete horas e meia a oito horas.

O sono REM dura de 20 a 30 minutos, em geral, em crianças e adultos. Esses períodos são intercalados com o sono não-REM nos ciclos de sono e vão se alternando a cada 90 ou 100 minutos. No bebê, logo que nasce, o período é bastante variável. Nas primeiras semanas ou meses, o bebê dorme igual de dia e de noite. Aos poucos, o sono passa a predominar à noite. Por volta dos quatro ou cinco meses o bebê tem o sono noturno, embora continue dormindo durante o dia. A criança só deixa de dormir durante o dia por volta dos quatro anos de idade, mesmo que seja um cochilo. É um processo progressivo: diminui a duração do sono, diminui a porcentagem do REM, e o sono vai ficando mais restrito à noite.

Tudo o que se passa com a criança, no recém-nascido e durante toda a infância, é arquivado na memória. “Todas as atividades do dia da criança vão se concentrar na memória dela. Tudo o que a criança faz ou pensa é parte do dia-a-dia e é arquivado na memória. Com semanas ou meses, a maior quantidade de informação é do contato dela com a mãe e da alimentação, mas também do que ela vê, sente, ouve”, ressaltou.

Rubens Reimão disse que por muito tempo se acreditou que as crianças, logo nos primeiros meses de vida, teriam pouca coisa arquivada, pela capacidade pequena de retenção. Mas, hoje já se sabe que não é assim. “A criança já está aberta para tudo o que acontece, vendo e ouvindo tudo desde que nasce. Ela tem grande capacidade de retenção desde pequena. Esse é um ponto muito importante, alguns anos atrás, se tinha uma idéia de que a criança só iria reter as coisas na memória depois de um ano. As crianças têm quantidade imensa de memória”, afirmou.

Os estudos derrubaram a idéia de que a criança demoraria meses e meses para reconhecer uma pessoa. Acreditava-se que só depois de seis ou sete meses, um bebê conseguiria perceber uma figura humana que não fosse a sua mãe. Mas, os recém-nascidos mostram reações muito mais complexas. Da mesma forma, mudou-se o entendimento sobre a audição e a visão. O bebê enxerga e presta atenção. Na verdade, consegue distinguir o que é uma bola e o que é um rosto e, pouco tempo depois, já têm um sorriso social, quando alguém está rindo para ele. “Logo ao nascer percebe uma face e 15 dias depois responde a isso. A capacidade visual da criança é muito maior do que se imaginava”.

A outra forma de arquivar na memória é a repetição. Quando se repete várias vezes, a criança acaba aprendendo. Mas, segundo o neurologista, a capacidade de discernir está relacionada à memória. E com o sono REM, a qualidade do arquivamento de longo prazo é melhor.

A inteligência também está diretamente ligada à capacidade de memória. O funcionamento médio precisa ter uma capacidade de memória para construir as dúvidas e a capacidade de solução de problemas.

“A inteligência, de uma forma matemática, é a solução de problemas. As duas coisas estão intimamente ligadas. Se a pessoa não tiver memória, ela não vai conseguir resolver os problemas que dependem da inteligência. São coisas diferentes, mas o arquivamento das informações é fundamental para que a pessoa consiga utilizar essas informações na inteligência. Para a pessoa conseguir resolver os problemas do dia-a-dia, ela precisa ter memória. Como no Mal de Alzheimer, a pessoa não consegue mais raciocinar porque já não tem memória”, explicou.

A conversa com o especialista em medicina do sono não acabou. Voltarei ao assunto para falar, entre outras coisas, dos pesadelos dos bebês.

Rubens Reimão é neurologista do Departamento de neurologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, membro do Grupo de Pesquisa Avançada de Medicina do Sono do HC.

sábado, 17 de outubro de 2009

Com a palavra, a professora Rosilene

Chegado o mês de comemoração do dias dos professores, eu, como um deles, me pegava pensando e me questionando: Será que temos o que comemorar? Será que o esforço que faço e a dedicação que tenho para com meus alunos valem a pena? A conclusão que chego é a de que parece estar tudo errado em torno da educação.

Os pais em sua grande maioria são omissos; o governo, esse nem se fala, completamente omisso; alunos sem limites e professores cada vez mais doentes com essa situação.

Posso dizer que pela minha experiência na sala de aula, pois sou professora há trinta e quatro anos, essa é a pior fase da educação. O que estou presenciando nesses últimos anos é uma verdadeira decadência nessa área. Tenho saudades dos momentos lindos que marcaram a minha carreira, ou, melhor dizendo, a minha vida. Nesse período, ajudei a formar médicos, engenheiros, dentistas, advogados, e até mesmo outros professores.

Todavia, é difícil explicar o que está acontecendo nos dias de hoje, pois quando chegaram as mudanças, ou seja, a criação da promoção automática, feita pelo governo, fiquei totalmente assustada, lá no fundo já sabia que não daria certo. Eu me perguntava, será que este país está preparado para a implantação desse instituto? É obvio que não, pois como poderia dar certo a adoção de uma medida que aprova que os jovens saiam da escola sem estar alfabetizados, que passem para outra série, sem ter tirado uma nota boa? Eu me questionava o porquê da criação desse sistema, pois desde quando é vergonha refazer a mesma série que não foi aproveitada pelo aluno?

Como se vê, é fácil de observar que neste país quem dita as leis não tem acesso e tão pouco conhece a realidade das escolas. Digo isso porque sei, e inclusive presencio todos os dias, que a grande maioria dos alunos frequenta a escola para se alimentar, que grande parte sofre abuso sexual dentro da própria casa, onde o pai prostitui sua filha de apenas 11 anos de idade para sustentar seu vício no álcool, que adolescentes discutem produto do roubo dentro da sala de aula, ou até mesmo usam drogas no interior da mesma. Será que os legisladores sabem que tudo isso ocorre? Será que nós professores podemos fazer alguma coisa? Acredito que não, mas, então, quem pode fazer? Acredito que ninguém.

Isso ocorre porque o Estatuto da Criança e do Adolescente de maneira nenhuma permite que tomemos alguma medida; escutamos a todo momento de nossos diretores e supervisores, que a escola não é e nem pode ser punitiva, ou seja, temos que ouvir e assistir toda essa catástrofe que vem acontecendo nas escolas sem poder fazer nada, de “braços cruzados”.

Nesse sentido, concluo que, se a escola não pode punir, os pais também não, então realmente os impostos que pagamos vão para a construção de cadeias e fundações Casa (antiga FEBEM), para que os policias possam punir, quando esses jovens se tornarem bandidos, isso se já não forem.

Por outro lado, já sou aposentada, porém minha paixão é estar nas escolas. Gostaria de ver mudanças mais concretas que realmente trouxessem um crescimento na educação dessas crianças e jovens. Claro que sei que existem também muitos professores despreparados para enfrentar uma sala de aula, mas talvez isso seja fruto de toda essa barbárie que vem ocorrendo.

Apesar disso, deixo a mensagem aos professores de agora ou para aqueles que estão se preparando para isso: é preciso se dedicar àquilo que faz, dar amor e carinho aos alunos, ensinar a eles que é preciso refletir sobre os seus erros, mostrar, seja ele aluno criança ou adolescente, que cada um tem sua história de vida, ou seja, que esse aluno não tem que se deixar levar porque, como já dito, o seu pai bebe, a sua mãe se prostitui, ou que vive apenas com o salário do bolsa família. Enfatizo nisso tudo, pois essa é a realidade da escola em que atuo hoje em dia, e, com certeza, a sua, se for pertencente ao Estado, não deve ser muito diferente.

Em razão de tudo isso, mais uma vez digo que gostaria de ver uma reviravolta na área da educação, para que as crianças e os adolescentes pudessem ter um futuro melhor e que os professores pudessem ter mais coragem e vivessem mais felizes no seu âmbito de trabalho. Que todos nas escolas vivessem em completa harmonia, como um dia já pude presenciar e desfrutar desses bons momentos.

Rosilene da Silva Guedes é bióloga e professora do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, professora aposentada pelo Sesi – Serviço Social da Indústria.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Macarrão completo da Mamãe




Ingredientes

01 peito de frango
08 tomates grandes (se não estiverem bem maduros, com essa receita não faz mal)
01 xícara de ervilhas frescas
01 cenoura grande
01 mandioquinha grande (se não for bem grande, duas)
10 folhas grandes de espinafre (bem picadinho, como salsinha)
01 cebola grande picada
03 dentes de alho
01 xícara de manjericão picado (ou cheiro verde)
500 gr de macarrão de sua preferência

Molho
Refogue o frango (levemente salgado) no azeite e abafe em fogo baixo até cozinhar por dentro. Com o auxílio de dois garfos, desfie em lascas grossas. Na mesma panela, refogue a cebola e o alho e acrescente as lascas de frango. Triture os tomates, a cenoura e a mandioquinha no processador ou no liquidificador e junte ao frango. Acrescente as ervilhas. Cozinhe em fogo baixo, mexendo sempre com cuidado para não desfiar muito o frango, até o molho ficar bem cremoso. Se for necessário, acrescente água aos poucos. Quando estiver quase pronto, acrescente o manjericão.

Massa
Cozinhe a massa com pouco óleo e pouco sal. Infelizmente, as crianças não gostam de macarrão al dente, mas também não precisa deixar muito mole. Elas precisam ir se acostumando com o que é bom. Depois de escorrer, regue a massa com azeite e queijo ralado, distribuindo pela travessa. Cubra com o molho e sirva em seguida.

Dicas para o final de semana com as crianças

Mostra de Teatro de Bonecos e Formas Animadas

João e Maria

SESC Ipiranga
Domingo - 18 de outubro - 16 horas

Com a Cia. Imago. Livre adaptação do libreto da ópera Hänsel und Gretel (Humperdink) dos irmãos Grimm que traz novos personagens como a Fada do Orvalho e o Gênio do Sono. Dois irmãos perdidos na floresta encontram uma bruxa confeiteira, recheada de más intenções. O Teatro Negro é perfeito para diversas cenas da história como o vôo da bruxa, a levitação da fada do orvalho e a aparição do homenzinho da areia. Os cinco manipuladores se tornam invisíveis ao olhar do público e a bruxa pode voar livremente em sua vassoura, árvores andam pela floresta encantada com caracóis gigantes, fadas e gnomos, enquanto a a bruxa Rosalinda Gelatina espera, com seus olhos ameaçadores, a chegada dos dois irmãos à sua casa de doces.

Direção, adaptação, cenografia, iluminação: Fernando Anhê.
Trilha Sonora adaptada: Maestro Jamil Maluf. Teatro.

R$ 8,00 - inteira
R$ 4,00 - usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante
R$ 2,00 - trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes

FONTE: www.sescsp.org.br


Musical Infantil

Sala São Paulo - Praça Julio Prestes
Sábado, 17 de Outubro - 11 horas

Espetáculo musical infantil apresenta história do reino de "Operândia", onde todos vivem cantando. Árias de óperas como "Carmen", de Bizet e "As bodas de Fígaro", de Mozart, ilustram didaticamente os recursos técnicos dos cantores e a função do maestro.

Graziela Sanchez, soprano. Silvia Tessuto, mezzo-soprano. Adriano Pinheiro, tenor. Sandro Bodilon, barítono. Sinfonieta Fortíssima. João Maurício Galindo, regente e diretor musical. Andréa Bassitt, atriz.

Programa:
Rossini - Abertura Largo al Factótum, Ecco ridente in cielo, All'idea di quel metallo (da ópera "O Barbeiro de Sevilha"). Bizet - Avec La Garde Montante, Pres dês remparts de Seville e L'amour est un oiseau rebelle (da ópera "Carmen"). Puccini - O Mio Babbino Caro (da ópera "Gianni Schicchi"). Tradicional italiana - O Sole Mio; Funiculì funiculà.

Ingressos
R$ 37, 00 (setor 3)
R$ 42,00 (setor 2)
R$ 47,00 (setor 1)

FONTE: www.vivamusica.com.br

Mulheres alcoólatras aprendem a consumir bebidas com as mães

As mulheres alcoolistas são ao mesmo tempo vítimas e agressoras na violência doméstica. A conclusão é de um estudo realizado na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) que envolveu 62 mulheres com cerca de 40 anos, sendo 32 delas alcoólatras. O estudo também mostra que essas famílias eram desestruturadas e que as meninas aprendem com as mães a usar o álcool para resolver seus problemas diários.

Mulheres alcoolistas: vítimas e agressoras em casos de violência doméstica

A psicóloga Ana Beatriz avaliou em sua pesquisa de doutorado não só as mulheres, bem como suas famílias e aquelas em que elas e suas mães cresceram. Em seguida, analisou como as três gerações se relacionavam dentro de casa.

As mulheres alcoólatras aprendiam a beber e a ser violentas com suas mães, que, por sua vez, sofriam violência da avó. “Essas mulheres repetem o que é conhecido”, explica Ana Beatriz. “Elas até desejam fazer diferente, mas não têm repertório para isso, já que o modelo de aprendizagem da violência é passado de geração a geração”.

As mulheres alcoolistas tinham mães com o mesmo vício em 23,3% dos casos. O companheiro também era viciado em 20 % dos casos. A maioria das mulheres e suas mães havia sofrido agressão sexual, física ou verbal. As mães de mulheres alcoolistas também eram autoritárias e centralizavam as decisões, enquanto nas famílias de mulheres sem o vício o poder era dividido entre o casal.

Disfunções
A psicóloga classificou as relações entre os membros das famílias de alcoólatras como disfuncionais. “Nessas famílias não existia suporte e apoio entre os membros” descreve Ana Beatriz. “Além disso, as regras familiares para lidar com problemas diários não são bem estabelecidas. Isso gera crises familiares e sofrimento”.

Geralmente, a relação das filhas que se tornaria alcoólatra com as mães era conflituosa. Já os
pais tinham uma relação de proximidade exagerada com a filha. Os pais se aliavam às filhas para brigar com as companheiras. As mães sentiam ciúmes do relacionamento entre pais e filhas, o que aumentava as agressões.

A maioria das mulheres alcoolistas contou que os familiares tinham uma proximidade excessiva entre si, e não reconheciam os limites para que a intimidade não se tornasse invasiva. O uso de drogas foi uma maneira de declarar independência da família. “Mas a pessoa acaba dependente do álcool como é da família”, constata psicóloga.

Família desestruturada é um fator de risco para desenvolver alcoolismo, mas não condição obrigatória. Ter um membro alcoólatra causa desestrutura na família.

Ajuda
Segundo a psicóloga, a pesquisa é a primeira no Brasil a descrever a transmissão entre gerações da estrutura de famílias de mulheres alcoólatras e mostra a importância da prevenção. “Se o profissional de saúde for trabalhar com essas mulheres e tentar mudar o padrão e comportamento delas, as filhas poderão experimentar um ambiente familiar diferente, em que elas não repitam os mesmo erros de suas mães”.

Mulheres que precisem de ajuda gratuita para enfrentar o alcoolismo podem procurar o Programa de Atenção à Mulher Dependente Química (PROMUD) do Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP. O programa presta atendimento multidisciplinar destinado exclusivamente a mulheres. O telefone para primeiro contato é (11) 3082-1876.

FONTE: AGÊNCIA USP

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Fui aluna mediana de uma escola medíocre

Muitas das homenagens aos professores que li e ouvi relembram grandes mestres de pessoas famosas. Fiquei pensando se algum professor teria desempenhado papel tão importante para ser lembrado com admiração e carinho até hoje. É lamentável, não tive um professor inesquecível por suas qualidades como educador.

Logo na primeira série do antigo curso primário, a professora puxou a minha orelha. Ou seja: a primeira professora jamais mereceria uma homenagem, pois me arrastou pela orelha até a carteira porque eu levantei para fazer uma pergunta. Era uma chata de galocha aquela dona Luzia!

Com muito esforço, consegui lembrar que gostava da professora de Português, da 5ª ou 6ª série do ginásio. Mas a dona Jurema não é lembrada pelo muito ou pouco que me ensinou ou contribuiu para a minha formação. Não tenho a menor idéia se era ou não uma boa professora. Gostava da atenção e do carinho que recebia dela. Além de me chamar de Thelminha, ela conversava longamente comigo.

A minha facilidade com a “Língua Pátria” permitia que eu terminasse logo os exercícios para sentar em cima da mesa dos professores para conversar com a dona Jurema. Aliás, acho que naqueles anos de chumbo, o fato de ela me permitir a rebeldia de sentar em cima da mesa é o que a diferenciava de todos os outros. O professor de Inglês dividia a nota em cinco de conceito e cinco de prova. Uma vez, perdi os meus cinco pontos de conceito em uma tacada, só porque fiz uma brincadeira de 1º de Abril com ele. Mas a minha primeira nota vermelha foi na 6ª série, de Religião!

Anos 70, ditadura militar, crianças enfileiradas no pátio para cantar o Hino Nacional antes de seguir para a sala de aula com as mãos para traz. E o pelotão passava por uma operação pente-fino feita pela diretora em busca de alguma falha no uniforme. Em um dia de muito frio, fui tirada da fila e quase perdi uma prova. Fui descoberta na minha tentativa de imitar o uniforme com uma calça de lã rajadinha, tão quentinha! Só não perdi a prova porque o meu irmão chegou a tempo de me entregar a tal saia xadrez exigida pela escola estadual.

Aliás, naquela época, muitas escolas exigiam que as alunas usassem saias com o comprimento mínimo de um palmo acima do joelho. Na minha escola, as meninas se gabavam por usar saias com uma mão aberta de tamanho total, da cintura até a barra. Será que era um protesto inconsciente? A minha mão era tão pequena, a minha saia também!

Dizem que eu peguei os últimos anos da boa escola pública. Até o meu ginásio, as escolas particulares eram taxadas de refúgio dos riquinhos que precisavam pagar para passar de ano. Como uma escola tão autoritária, tão distante dos alunos era considerada boa? Acho que há um engano histórico aí.

Mas, voltando à ausência de bons mestres arquivados no meu cérebro, não lembro de professores por suas qualidades pedagógicas ou acadêmicas. As ralas lembranças são pelos erros cometidos ou pelos apelidos cruéis que recebiam em troca pelos alunos. Nem imagino o nome do Castelinho, da Chupadinha, ou da Galinha ou Gansa... O Coronel era, mesmo, um aposentado do Exército, figura triste! E a própria escola era chamada de "Zuzu Boca de Fumo". Encontraram uma plantação de maconha em um dos mal-cuidados canteiros... Realidade ou lenda, o apelido atravessou anos.

Parece até que eu não gostava da escola... Eu adorava! Mas, infelizmente, não para estudar, para aprender... O ensino sempre foi de péssima qualidade, deixou uma cratera na minha formação que jamais consegui recuperar. E no vazio total de conhecimento, foram anos tentando romper as barreiras impostas pela escola, questionando e desobedecendo regras. Naquela época, nem imagina que a escola poderia e deveria ser muito melhor. Não queria ensino de qualidade, queria liberdade. Não havia espaço para reflexão e discussão, e os prejuizos causados por aquele sistema falido só foram ficando claros com o amadurecimento.

Essas recordações da escola pública do Estado de São Paulo nos bairros Vila Mangalot, Alto da Lapa e Pompéia, Região Oeste da Capital paulista, entre os anos de 1969 e 1981, são a minha homenagem aos professores de hoje. É uma memória contra um saudosismo que distorce a realidade para acusar os atuais professores pela precariedade do ensino.

Eu vi tanta gente criticar o feriado escolar no Dia dos Professores, como se fosse mais uma desculpa para enforcar o trabalho, lamentável falta de respeito. Eu acho que deveria ser um dia de reflexão nacional sobre um futuro mais digno para a Educação, começando por melhores salários e condições de trabalho para os professores.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

As mães precisam perceber problemas que os médicos não identificam

As dificuldades financeiras nunca deixaram os meus filhos sem o acompanhamento médico necessário. Ao definir prioridades como mãe, saúde e educação sempre estiveram no topo das minhas preocupações e das providências mais cuidadosas possíveis.

Para não submetê-los à precariedade dos serviços públicos de saúde e educação, quase sempre foram colocados na condição de clientes do setor privado e não de usuários dos serviços públicos.

Quando as meninas eram pequenas, não tinham convênio médico, mas passavam mensalmente por consultas em um pediatra particular, onde morávamos, em Mogi das Cruzes, Região Metropolitana de São Paulo.

Eu costumava brincar que as duas gostavam tanto do médico, que ficavam boas quando chegavam ao consultório. Depois de insistir pela emergência no atendimento, era comum ouvir dele logo no início da consulta: “Ela não estava caidinha?” O pediatra era muito atencioso e simpático. As consultas demoravam uma hora ou mais. Os exames e as perguntas eram minuciosos e os resultados dos tratamentos indicados sempre muito positivos.

Um dia, não me lembro qual das duas teve uma febre pela manhã e ele só estaria no consultório bem mais tarde. Fomos então ao posto de saúde perto de casa onde o médico estava atendendo naquele momento. Que decepção! Parecia outra pessoa.

Estranhei a preocupação das mães para tirar rapidamente a roupa da criança antes de entrar na sala. Elas me explicaram que o médico era muito bravo e não gostava de perder tempo da consulta com as roupas. Era um vapt-vupt, entrava e saía criança a cada cinco minutos em média. Pior, na vez da minha filha, sua paciente particular, que estava ali só por uma questão de horário, sorriso aberto e toda a calma do mundo para o atendimento.


A recomendação da Organização Mundial de Saúde é de que as visitas de rotina ao pediatra devem ser mensais até o sexto mês de vida. Depois, até um ano, podem acontecer a cada dois meses. Mas esse calendário não garante o bom atendimento da criança. Em consultas de cinco minutos, como acontece em vários lugares, fica difícil ir além do controle de peso e de estatura da criança, e muitos problemas deixam de ser percebidos pelo médico.

Infelizmente, o problema é casado: as mães que têm menos informações muitas vezes são as que estão mais sujeitas à falta de orientação sobre o desenvolvimento dos filhos. E não é só no serviço público, a indústria dos planos e seguros de saúde também trabalha em linha de produção.

Eu conversei com a pediatra Bianca Seixas Soares Sgambatti, sobre a importância do acompanhamento do desenvolvimento da criança. É na consulta de uma hora, conversando com os pais e observando as crianças, que o médico pode avaliar bem o desenvolvimento global do bebê.

Na avaliação dela, qualquer mãe é capaz de perceber coisas mais evidentes como os sinais característicos de síndromes, por exemplo. Mas existem problemas que precisam de maior sensibilidade e exigem um olhar mais atento.

"Uma boquinha mais caída, aberta, linguinha protusa (mole), isso é um sinal de alerta. Uma criança hipotônica, que é molinha, no primeiro mês não levanta a cabecinha, ou está com quatro meses e não fez um sinal, não deu um gritinho... Tem que prestar atenção nessas coisas que são corriqueiras, mas são sutis, que é difícil perceber. E numa consulta de 15 minutos realmente é impossível, o médico não vai ter nenhum contato e a mãe que tem que buscar”, explicou.

Segundo a pediatra, muitas vezes os pais nem percebem o objetivo das perguntas feitas pelos médicos, que estão avaliando cada detalhe do desenvolvimento. Ela costuma usar o tom de conversa para não deixar a consulta muito pesada, cheia de perguntas, e as mães pensam que estão batendo papo.

A médica ressalta a importância dos questionamentos sobre o comportamento do bebê diante das pessoas, dos sons, das imagens. Os pediatras também observam como a criança reage enquanto é examinada. Algumas atitudes são esperadas, como tomar o palito da mão do médico. Isso tudo ajuda na consulta. Os brinquedos colocados no consultório não estão ali só para a criança brincar. O pediatra vai observar como ela brinca, como manipula e usa cada objeto.

Quanto menor for a possibilidade de avaliação do pediatra por meio da observação da criança, mais importante é a percepção da mãe sobre as condições do filho. As mães precisam prestar atenção a cada detalhe para questionar o médico e descrever o comportamento geral da criança.

“Em 15 minutos, uma criança pode não gritar, mas a mãe sabe como é em casa. Ela grita ou não grita? Ela conhece, é uma criança que se comunica com um olhar? Com dois meses, ela tem que estar se comunicando com um olhar com a mãe. A mãe sente, sabe quando o seu filho está se comunicando. Aí, quando ela está com um olhar apático, isso tudo tem que chamar a atenção do pediatra, mas se ele não percebeu, a mãe tem que perceber. Ela vai ver que alguma coisa está errada, ela não tem que saber o que é, mas pode perceber que normal a criança não está”.

O importante é que a mãe busque uma resposta quando desconfia que alguma coisa está errada. Em alguns casos, uma simples mudança de hábito ou uma estimulação específica podem resolver o problema de desenvolvimento da criança. E quando está insatisfeita com algum profissional, com a sensação de que falta uma explicação mais adequada, nunca é demais ouvir outras opiniões.

Bianca Seixas Soares Sgambatti é pediatra do Pronto Socorro do Hospital Albert Einstein e tem consultório em Moema e no Jabaquara.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Escola é necessidade da mãe e não da criança pequena - Parte II

Os comentários sobre a primeira parte da entrevista confirmam: a escola é necessidade da mãe e não da criança pequena.

Nos dias atuais, os bebês vão para a escolinha para receberem os cuidados que precisam enquanto as mães trabalham, não porque precisem de socialização. As escolas de educação infantil e creches são soluções adequadas para os filhos que não têm a mãe com eles em casa o tempo todo.

De acordo com a psicóloga e psicanalista Audrey Setton, com dois anos de idade ainda não se tem muito claro que o coleguinha é outra criança, e não há o desejo de compartilhar com outra criança. Mas, se a família não tem uma pessoa de confiança para cuidar, oferecendo conforto e atividades para o filho pequeno, a escola é a melhor alternativa.

Com essa idade, é bom, mas não é necessário. “Não quero, de jeito nenhum, passar a impressão de que sou contrária às crianças irem para a escola. Mas não para se socializarem. Se a mãe necessita, se a mãe trabalha, acho ótimo. Eu acho que é uma necessidade da mãe, sim, não é da criança”, ressaltou.

Para ela, a convivência com os outros pode ser introduzida na vida da criança de outras formas, em passeios a um parquinho, acompanhada pela mãe, por exemplo. No entanto, se for para uma escola, a criança tem recursos emocionais para confiar que a mãe gosta dela e vai voltar. Mas a psicanalista não acha recomendável um período muito longo, e insiste que a criança seja deixada na medida da necessidade da mãe.

“Tem um período onde a criança está alegre, feliz. Agora, quando ela vai se fragilizando porque está com fome, está com sede, está cansada, está com dor, essa segurança que ela alcança dentro dela já não se sustenta tanto. A criança vai aprendendo a lidar com o tempo. E o tempo, a princípio, é o tanto que ela aguenta sem a mãe. É claro que ela não sabe o que são 12 ou 13 horas. Ela sabe o tempo que está bem sem a mãe. Então, um período muito longo, realmente fica mais doloroso”, afirmou.

Audrey Setton disse que a mãe precisa ter noção de que o filho ainda é muito grudado nela e que vai sentir a sua ausência. “A mãe vai ter uma missão a mais, na verdade, que é mostrar para esse filho que ela está presente, que ela se preocupa com ele, que ele está na cabeça dela”.

A psicanalista disse que a mudança de rotina na vida da criança traz como novidade a convivência com o outro. E a criança de dois anos de idade ainda não sabe lidar muito com as suas emoções e age com aparente agressividade em determinadas situações. Mas, cabe aos adultos que convivem com ela, pais e professores, apresentarem outros recursos para expressar os afetos.

“Nessa idade, quando está brava, a criança morde. E morde, mesmo! É importante que a escola saiba contextualizar essa mordida numa criança, que não é má, que não foi mal-educada em casa. É uma criança que está, neste momento, expressando a emoção dela do jeito que ela sabe”, explicou.

Segundo ela, é importante que a criança perceba que os outros ficam bravos, magoados ou tristes quando ela morde. Mas, também, que ela saiba que tem o direito de ficar brava porque as crianças ficam bravas e as pessoas fazem coisas que a gente não gosta. Audrey Setton lembra que essa é a idade que a criança se joga no chão do supermercado, esperneia e faz algumas tentativas até que a mãe consiga mostrar a ela que não adianta. “Se você consegue mostrar isso a ela de um jeito bom, ela vai fazer isso algumas vezes e depois para”.

A psicóloga acredita que a boa escola é aquela que respeita o ritmo da criança ao introduzir a nova rotina na vida dela. Aos poucos, as crianças começam a ter uma noção de tempo, a perceber que as pessoas não estão totalmente disponíveis para ela, a saber que as coisas mudam. As crianças aprendem a se ordenar e a se preparar para as coisas que estão chegando. A rotina ajuda a criança a se organizar e ordenar a forma de lidar com o afeto.

Audrey Setton Souza é psicóloga e psicanalista, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.