segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dieta personalizada facilita adesão da criança diabética à alimentação adequada

Uma dieta que leve em consideração as preferências e as vontades de cada criança aumenta as chances de sucesso de uma rotina alimentar adequada para diabéticos. A recomendação da nutricionista Kelen Martins é para que os pais evitem tentar convencer a criança a seguir tabelas e dietas prontas, sem levar em consideração a história alimentar dela antes do surgimento da doença.

A criança que tem diabete tipo 1 começa o dia tomando insulina porque o seu organismo não produz. E é partir desse primeiro horário da medicação, de acordo com a recomendação médica, que o nutricionista começa a planejar a alimentação do dia inteiro. Ele elabora um cardápio para café da manhã, almoço, lanches e jantar, com porções adequadas dos alimentos, principalmente os que são fonte de carboidrato, e com intervalos para garantir o desenvolvimento, o bem-estar e a satisfação da criança.

“O plano de diabete precisa ser muito individual porque a criança precisa do carboidrato, que é a principal fonte de energia. Mas, por causa do diabete, ela tem que reduzir o consumo e ter os horários adequados de acordo com a medicação que ela toma. Tem que ser individualizado porque se ela restringir muito o carboidrato, isso interfere no crescimento da criança”, explicou.

A nutricionista lembrou que é necessário pensar na alimentação de forma a adequar aos horários da escola. “A criança não pode alterar o horário do recreio. E, muitas vezes, quer consumir a mesma coisa que o amigo, a mesma quantidade, e não pode. Ela tem que fazer uma porção menor e consumir junto com outros alimentos, como uma fruta, para diminuir o índice glicêmico”, afirmou.

O segredo é a moderação

Os pais precisam de informações para promover uma alimentação adequada para não prejudicar o desenvolvimento e para garantir energia para a criança diabética. Eles devem criar refeições com fontes de proteína e carboidrato, sempre se preocupando com o tipo de gordura e reduzindo o consumo fora de casa. O diabético precisa de gordura saturada, presente principalmente nos alimentos de origem animal, gordura da carne e queijos, mas em quantidade muito pequena.

“Para comer uma carne, o ideal é que não tenha a gordura visível. E tem que se preocupar com a forma do preparo. Porque não adianta tirar a gordura só na hora do consumo, teria que tirar antes do preparo. Lógico que nem sempre é possível, quando come na rua, não dá”, ressaltou.

Na verdade, as recomendações para os diabéticos são muito parecidas com o que toda criança deveria comer. Não abusar dos lipídios, queijo, gordura da carne (saturada) e frituras é o que todos nós devemos fazer. A diferença é que para a criança diabética, as conseqüências são mais rápidas e mais visíveis. Segundo Kelen Martins, as frituras sempre agradam mais o paladar infantil.

“Não é só a batata frita. Se vai comer uma berinjela, a aceitação é melhor quando é uma berinjela frita. Mas isso, para a criança, não é adequado. A própria constituição de membrana das células precisa de gordura, é uma membrana lipoproteica. Então, ela não pode eliminar toda a gordura e o colesterol, mas não pode ingerir nessa quantidade que, cada vez mais, as crianças têm ingerido incorretamente”, alertou.

Kelen Martins também ressalta a importância dos horários regulares na rotina alimentar dos diabéticos. Ela deve ser organizada combinando as doses de insulina com as porções de alimentos e bebidas. “Se não controlar, pode ter uma hipoglicemia. Para uma criança diabética, meia hora de atraso na refeição interfere muito”.

Mas a restrição mais severa para os diabéticos é em relação aos doces em geral. Segundo a nutricionista, principalmente os tradicionais doces caseiros de abóbora e de leite, que levam uma quantidade enorme de açúcar, e todas as delícias feitas com leite condensado. Mas até a gelatina deve ficar fora da boca dessas crianças. “Muitas pessoas pensam que gelatina não tem muito açúcar, mas o principal componente da gelatina é o açúcar”, lembrou.

Aniversário

A nutricionista disse que é possível fazer um planejamento que permita o consumo de alimentos “proibidos” em datas especiais. “Quando é a festa do amigo, a criança já fica triste, mas quando é a dela, a criança costuma ficar ainda mais abalada”.

Kelen Martins afirmou que é possível fazer uma programação junto com o médico para alterar os horários da insulina e da alimentação no dia da festa para que a criança possa comer doces e salgados sem prejudicar a saúde. “A gente faz um ajuste daquele dia para que a criança tenha uma liberdade maior no momento da festa”.

Segundo a nutricionista, quando a família consegue manter uma boa alimentação durante a semana, é possível permitir alguns alimentos que as crianças tanto gostam nos finais de semana também. “Quanto mais você proíbe, se fica muito aquela coisa restritiva, a criança acaba fazendo escondido. Aí, ela pode ter um prejuízo maior. Pode ter uma hiperglicemia longe dos pais ou de algum responsável, e passar por uma situação difícil”, ponderou.

Diagnóstico é um choque

Kelen Martins considera que o mais difícil para o diabético, é o momento do diagnóstico. De repente, acostumado com um tipo de alimentação, de uma hora para a outra, ele se vê pressionado pelo médico e pela família a mudar toda a vida.

“Eles querem tomar um remédio e resolver sem se preocupar com essa mudança alimentar. No começa, há uma dificuldade de adesão. Mas, no decorrer do tempo, quando ele começa a perceber que aquilo vai fazer bem para o organismo dele, que ele vai se sentir melhor com essas mudanças do que com o mal-estar provocado pelo diabetes, ele vai aceitando e aprende a conviver”.

E para conseguir essa adesão, segundo a nutricionista, é importante que o paciente participe da elaboração do planejamento alimentar. A criança pode ter refeições balanceadas que levem em consideração os seus hábitos e preferências.

“Quando ela tem uma preferência por um alimento que não é mais adequado para a situação dela, é preferível deixar de consumir aos poucos. Ela tem que ver o médico e a nutricionista como pessoas que estão ali para apoiá-la e não para obrigá-la a ter uma vida diferente. Ver como um amigo e não como guarda da sua alimentação”. afirmou. Isso vale para a família também.

Kelen Martins é nutricionista formada pela universidade de São Paulo, presta serviços de Assessoria em Nutrição Infantil e Personal Diet. http://www.nutrirebrincar.com.br/

Quase 60% dos alunos já estão no ensino fundamental de nove anos

Brasília - Dados consolidados do Censo Escolar da Educação Básica divulgados hoje (30) mostram que 59% dos alunos que iniciam o ensino fundamental já estão matriculados no modelo de nove anos. É um crescimento de 12,5% em relação a 2008. O novo ensino fundamental de 9 anos foi criado por uma lei em 2005. Antes, o ensino era obrigatório dos 7 aos 14 anos (da 1ª a 8ª série). A nova faixa etária vai dos 6 aos 14 anos (do 1° ao 9° ano). As redes de ensino têm até 2010 para implementar a mudança.

O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Reynaldo Fernandes, ressalta que essa ampliação precisa ser iniciada até 2010, mas não é necessário que esteja finalizada até essa data.

A migração não se dá de forma homogênea em todo o país. Mato Grosso do Sul, Goiás, o Rio de Janeiro, Minas Gerais, a Paraíba, o Rio Grande do Norte, o Ceará, o Tocantins e Rondônia já têm mais de 95% das matrículas no ensino fundamental de nove anos. Enquanto isso, Roraima, Amapá e Pará ainda tem menos de 20% dos estudantes no novo modelo.

Os dados consolidados apresentados hoje confirmam a tendência de queda nas matrículas da educação básica, conforme as informações preliminares divulgadas em outubro. A redução em relação a 2008 foi de 1,2%. Fernandes voltou a defender que essa queda não significa que as crianças estão saindo da escola, já que as taxas de atendimento aferidas anualmente pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE) apontam para um aumento da cobertura.

Segundo o presidente do Inep, a diminuição das matrículas - que passaram de 53.232.868 em 2008 para 52.580.452 em 2009 – está relacionada à redução das taxas de natalidade no país que diminui também a população em idade escolar. Outro fator que pode contribuir é a correção de fluxo: com menos repetência há uma queda no “estoque” de alunos da educação básica.
Amanda Cieglinski - Repórter da Agência Brasil/Edição: Lílian Beraldo

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Dica para o final de semana das crianças

Teatro Infantil

Domingo - 29 de novembro - 10 horas
Tema: 'Bichos do Brasil'
Palestrantes: Cia. Pia Fraus

Local: Livraria Cultura Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073 - São Paulo/SP

Vira Cultura - veja toda a programação infantil
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/banners/pag_especiais/2009/vira_cultura/programacao.asp?tema=infantil

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Especialistas recorrem à homeopatia para tratar doenças comuns na infância

A homeopatia está ganhando espaço como um recurso auxiliar no tratamento de doenças que atingem grande número de crianças: bronquite, rinite, sinusite, alergias, gastrite, diabetes, distúrbios de comportamento, dificuldades escolares, hiperatividade.

Na avaliação do pediatra e homeopata Francisco Soares Netto, ao buscar o equilíbrio geral do organismo, a homeopatia pode oferecer a solução para os especialistas que conhecem os problemas de determinadas áreas em profundidade, mas não avaliam o indivíduo como um todo.

“Muitos colegas otorrinos estão debruçando em cima da homeopatia com sucesso muito grande. Outras especialidades também poderiam conhecer a homeopatia como arma terapêutica, não como especialidade médica. É como diz na propaganda, ao persistirem os sintomas, procure o seu médico homeopata”, afirmou. Segundo ele, na persistência dos sintomas, os homeopatas estão preparados para identificar o que levou a criança a desenvolver determinada doença.

A homeopatia pediátrica focaliza os sintomas apresentados pelos pacientes, mas não para por aí. “Na maior parte dos atendimentos pediátricos é febre, dor de garganta. Nós, homeopatas, enxergamos muito mais do que uma garganta inflamada. Nós enxergamos o organismo como um todo e nesse todo tem a parte emocional, mental, que é fundamental para o nosso diagnóstico”, explicou.

Francisco Soares disse que os homeopatas conseguem investigar particularidades do paciente que passam despercebidas em consultas tradicionais. Para chegar às causas, o médico leva em consideração a pessoa, o ambiente, a família, o comportamento e as diferentes formas de sentir o sintoma. Os pais precisam ser muito observadores para conseguir dar respostas claras em um amplo questionamento para chegar ao diagnóstico e ao remédio.

Segundo ele, para um caso de diabetes de difícil controle, a explicação pode estar em questões emocionais, como fator desencadeante. Neste caso, a criança vai continuar tomando a insulina, mas com um tratamento homeopático simultâneo para cuidar do transtorno de consequência mental.

O médico garante que essa união entre homeopatas e alopatas é possível em todas as áreas da medicina. Assim como um homeopata encaminha o paciente com problema de coração para o cardiologista, o caminho inverso também é recomendável.

“Se o especialista não conseguiu tratar, encaminha para a gente tentar dar um suporte. E acabamos ajudando o colega a tratar melhor, sem interferir na conduta da terapêutica da especialidade”, disse.

Francisco Soares disse que um número crescente de endocrinologistas, pneumologistas, alergistas e otorrinolaringologistas estão aderindo aos remédios homeopáticos, muito mais específicos do que os alopáticos. E essa medicação pode ser utilizada como um recurso a mais por todos os clínicos e cirurgiões.

Segundo o pediatra, uma grande vantagem do remédio homeopático em relação ao alopático é a medicação determinada de acordo com o que cada paciente sente. Para cada situação, a homeopatia tem um remédio específico.

“A Novalgina é para baixar a febre de todo mundo. Na homeopatia, tem um remédio para cada tipo de febre e como a pessoa reage. Tem gente que na febre fica abatida, tem gente que fica delirando, tem gente que tem muita sede, tem gente que não tem sede nenhuma. Uns ficam com muito frio, outros ficam com calor. Como eu posso dar o mesmo remédio para coisas diferentes?”, questiona.

Com essas explicações, Francisco Soares Netto derruba o mito de que a homeopatia deve ser uma escolha, quase um estilo de vida que elimina completamente a alopatia da vida de uma pessoa. Eu mesma já cansei de ouvir que remédio homeopático não funciona se for misturado com alopático. Muitas pessoas acreditam nisso.

O pediatra também é contra as posições de homeopatas puristas que combatem as vacinas. Mas esse é assunto para outro dia.

Francisco Soares Netto é médico pediatra e homeopata.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Cai o número de mães menores de 20 anos no país, mostra IBGE

Rio de Janeiro - Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre os registros nascimentos no país mostra que continua em queda o número de mães com menos de 20 anos de idade. Entre 1998 e 2008, o indicador passou de 21,3% para 19,4%.

A pesquisa divulgada hoje (25) destaca que a maternidade entre 15 e 19 anos eleva os riscos de mortalidade para a mulher e o filho, além de agravar a vulnerabilidade das mães adolescentes, que muitas vezes precisam deixar a escola no período da educação básica.

“A questão crucial é a renda, o nível educacional, o serviço de saúde aos quais têm acesso e não simplesmente o fato de terem filhos, pois os registros mostram redução do volume de nascimentos, sem, no entanto, desconsiderar os riscos à mulher e à criança”, diz o estudo.

Entre as unidades da Federação, em 2008, os maiores percentuais de mães até os 20 anos de idade foram registrado no Maranhão (26,2%), no Pará (26%) e no Tocantins (25,2%). Distrito Federal (14%), São Paulo (15,6%) e Rio Grande do Sul (17%) apresentam os melhores indicadores. Nesses estados, predominam mães entre 25 e 29 anos.

De acordo com informações dos registros de nascimentos, o IBGE também constatou que 98,5% dos nascimentos no ano passado ocorreram em unidades de saúde. O Acre e o Amazonas registraram o maior percentual de indivíduos nascidos em casa, 10,3% e 10%, respectivamente.
Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

Uma em cada quatro mulheres da América Latina e do Caribe sofre violência física

Brasília - Pesquisa feita pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) indica que 40% das mulheres que vivem na região sofrem violência física. De acordo com os dados, alguns países latino-americanos chegam a apresentar índices de 60% quando o assunto é a violência psicológica sofrida por mulheres.

A violência física, segundo o estudo, inclui desde pancadas a agressões mais severas, como ameaças de morte, acompanhadas de forte violência psicológica e, muitas vezes, de abuso sexual. Um total de 45% das mulheres entrevistadas declararam ter sofrido ameaças vindas de parceiros e, entre 5% e 11% afirmaram já ter sofrido violência sexual.

O relatório afirma, com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgados em 2005, que o Brasil registra índices de violência sexual contra a mulher de 10% em áreas urbanas e de 14% em áreas rurais.

Um dos destaques no país, de acordo com a Cepal, é o primeiro Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, que envolve medidas para melhorar e ampliar o atendimento das denúncias feitas pelo telefone 180.

A pesquisa ressalta que países como a Colômbia (65,7%) e o Peru (68,2%) superam o índice de 60% de violência psicológica contra mulheres. A Bolívia (39,7%) e o México (37,7%) também apresentam altas taxas, próximas a 40%. Esse tipo de agressão se refere a maus-tratos por meio de insultos, desqualificações e humilhações, além de mecanismos utilizados pelo agressor como controle do tempo, da liberdade e dos contatos sociais da mulher.

O relatório afirma ainda que a violência econômica – que ocorre por meio do controle do uso do dinheiro – pode afetar um terço das mulheres na América Latina.

Erradicar a violência contra a mulher, segundo a Cepal, deve ser um objetivo central das agendas públicas, uma vez que se trata de um problema de direitos humanos e um obstáculo para o desenvolvimento dos países.

O estudo alerta ainda que, apesar de avanços internacionais e nacionais que protegem os direitos da mulher, há sérias deficiências na aplicação dessas normas, na prestação de serviços e no acesso à Justiça pelas vítimas. A Cepal também critica a falta de recursos destinados à prevenção e à erradicação de todas as formas de violência contra a mulher.
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Viver se aprende na escola

Por Oswalda Rodrigues Mendonça

A escola, para a criança, é a porta de entrada no mundo. Até então, sua vida tinha transcorrido dentro dos limites familiares, que se estruturam em relações afetivas muito fortes entre pais e filhos.

Ao chegar à idade escolar, o aluno passa a conviver com outras pessoas, crianças e adultos, e suas diferenças, num espaço onde, por faltarem as ligações familiares e por abrigar um número muito maior de pessoas, existem muito mais regras a serem observadas.

Longe do aconchego e da afeição familiar, cada criança passa a escrever a sua história, regida, agora, por circunstâncias sociais de convivência, com efeitos básicos na vida futura.

Por mais que lhe tenha sido proporcionado, pela família, um exercício social mais amplo, nada se compara ao que a criança encontrará na escola, especialmente porque estará distante dos pais. E essa distância é o fator mais significativo dessa fase do desenvolvimento infantil.

Na escola ela vai se deparar com colegas, professores, funcionários, com regras específicas e compromissos a cumprir, elementos que vão estruturar a sua vida escolar e futura.

O exercício de convivência na escola permite desenvolver habilidades que terão grande importância na formação do caráter do escolar. Longe da proteção da família, a criança tem, na escola, a oportunidade de viver o ganhar e o perder e esse é o grande jogo da vida. É um longo aprendizado saber viver o sucesso sem arrogância e o fracasso sem maiores abatimentos ou depressões, e isso se aprende na escola.

Nessa possibilidade de contrabalançar sucessos e decepções, alegrias e frustrações, a criança vai escrevendo a sua história social, como aluno e como pessoa, com marcas para toda a vida.

Sem desmerecer o lado cognitivo e o desenvolvimento de habilidades e competências para a busca do conhecimento, também realidades da escola, o aspecto social me parece o mais importante, uma vez que se constitui no elemento de equilíbrio entre todos os outros.

Infelizmente alguns pais desconhecem essa realidade. Trazem os filhos para a escola, sem perceber o seu verdadeiro papel, como se ela fosse um prolongamento da sua casa. Não se distanciam deles, negando-lhes a privacidade indispensável para desenvolvimento social que a instituição escolar oferece. Mantêm os filhos na escola presos às suas relações familiares, reduzindo-lhes as possibilidades de envolvimento com pessoas e circunstâncias diferenciadas que o levarão a escrever a sua história de maneira proveitosa.

O celular é um complicativo a mais nessa lamentável constatação. Criança tem que brincar com as outras na hora do recreio e não estar com o celular ao ouvido informando à mãe como está correndo o seu dia. Problemas acontecidos na escola, lá devem ser resolvidos e, para isso, existem profissionais capacitados para intermediar as situações de conflito.

É difícil para a escola administrar essa relação extra-escolar. Se a educação pressupõe um exercício para a vida, como desenvolvê-lo quando há a interferência dos pais no processo educativo escolar?

Essa atitude de super-proteção cria, naturalmente, uma presença maior dos familiares no recinto escolar, gerando, muitas vezes, interferências indevidas dos pais no processo pedagógico. Família e escola são instituições que têm objetivos comuns com relação aos seus educandos; são, por esses aspectos, parceiras, mas não devem ser interferentes, cada uma delas tem funções bem definidas.

Se educamos para um mundo em constante evolução, como pode uma escola desenvolver a autonomia que a vida exige se não são lhes dados, pela família, a privacidade e os recursos necessários?

No fundo é uma questão de responsabilidade e confiança. Responsabilidade no momento em que a família escolhe a escola que melhor satisfaça seus anseios e os seus objetivos de vida com relação ao filho e, decorrente dessa escolha, a confiança na instituição, necessária para o bom desenvolvimento do trabalho escolar.

Em tempo: Refletindo sobre escola e desenvolvimento da autonomia do aluno, assisti, perplexa, num conhecido programa de televisão, à notícia de que a última moda em muitas escolas é a utilização de câmeras em salas de aula.

Horror talvez seja a expressão mais correta para expressar o meu sentimento. O interessante é que, nas entrevistas, os pais pareciam satisfeitos com a medida, uma vez que, segundo os depoimentos, houve uma diminuição do nível de violência e de indisciplina nas referidas escolas.

O mais grave, porém, é verificar que pessoas habilitadas em pedagogia, que supostamente conhecem os pressupostos teóricos que estruturam a vida escolar, em seus vários aspectos, possam pensar como aqueles pais. O descontentamento mostrou-se presente entre os alunos e alguns professores que são, na verdade, os agentes e reagentes do processo educativo e merecem, por isso, um respeito maior.

Parece-me que, para os educadores que consideram a câmera uma estratégia educacional, é mais fácil vigiar do que educar, tal qual ocorre na prisão de segurança máxima.

Se formos verificar a parte legal da instituição escolar, com certeza encontraremos na sua proposta pedagógica algumas palavras tais como formação integral, cidadania, autonomia, valores, participação, criatividade etc.

Com essa vigilância, na minha opinião, podemos ter de tudo no futuro, menos cidadãos autônomos, criativos e participativos. É uma pena...

Como pedagoga, sempre acreditei no imenso poder da educação para a transformação do mundo; começo, porém, diante de fatos aqui expostos, a me preocupar com o futuro. Fico desanimada ao observar a qualidade profissional e ética de dirigentes educacionais que desprezam os embasamentos fundamentais do processo educativo e desconhecem ou ignoram o valor do ambiente escolar como espaço específico do exercício social de vida.

Ainda entendo alguns pais em atitudes inadequadas com relação à vida escolar dos filhos. Não existe nenhum manual que nos ensine a ser pais, ainda mais pais de escolares. A existência, na família, de uma afetividade absoluta entre seus membros é sua marca registrada, mas deve ficar distante da escola. Não aceito, porém, essa falta de visão entre pessoas que se dedicam profissionalmente a trabalhar ou, mais grave que isso, a dirigir uma instituição escolar.

A verdadeira educação só se processa na relação natural e espontânea do indivíduo com o outro, com os outros, enfim, com o universo que a escola representa na vida da criança e do jovem.

Oswalda Rodrigues Mendonça é pedagoga, com especialização em Psicopedagia, professora da Escola Suiço-Brasileira de São Paulo, dedica-se há quase cinquenta anos ao Magistério, dentro de sala de aula, com alunos de 1ª e 2ª séries do Ensino Fundamental.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Oficinas levam educação ambiental a crianças carentes

Neste sábado (28), acontece a 10ª edição das oficinas de educação ambiental para crianças do projeto Florestas do Futuro, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP em Piracicaba.

A iniciativa é do Grupo Florestal Monte Olimpo (GFMO), que reúne alunos de graduação em Engenharia Florestal , Engenharia Agronômica e Gestão Ambiental. O objetivo é chamar a atenção de crianças carentes com idade entre 3 e 10 anos para a importância da conservação do meio ambiente.

Crianças carentes saberão a importância da conservação do meio ambiente. O projeto é coordenado pelo professor Fernando Seixas, do Departamento de Ciências Florestais (LCF) da Esalq. “A convivência com as crianças nos dá a possibilidade de visualizar, na prática, como uma atividade social pode contribuir com outras realidades, mesmo que por algumas
horas”, afirma Estela Covre Foltran, aluna do 3º ano de Engenharia Florestal e gerente geral do grupo de estudantes envolvidos no projeto.

Os participantes do evento serão divididos em cinco grupos, que se revezarão na participação nas atividades. As oficinas incluem reciclagem “Se lixando”, “O Refúgio” (sobre espécies de árvores),
tangram (figuras elaboradas com peças de madeira) e plantio de mudas de árvores. Este ano também acontece uma nova atividade, a montagem de um boneco ecológico. “Conhecido como ‘careca-cabeludo’, ele é feito com alpiste e pó de serra, colocados em uma meia”, conta a aluna da Esalq. “O cabelo do boneco é o alpiste que floresce, demonstrando o
desenvolvimento das plantas”.

Trilha
Após as oficinas, todas as crianças receberão lanche, brincarão no parquinho localizado na sede do GFMO e realizarão uma trilha ecológica até o gramado central da ESALQ. “No final, elas receberão pipas para empinar no local”, explica Estela. O evento dessa edição contará com a participação do Lar Franciscano, de Piracicaba. “O projeto sempre procura trazer para as oficinas instituições que trabalham com crianças carentes na cidade”.

O Florestas do Futuro é uma das atividades realizadas pelo GFMO, fundado em 1996 pelo professor José Luiz Stape, da Esalq. O GFMO é responsável pelo planejamento e desenvolvimento das atividades oriundas do Plano Diretor da Área do Córrego Monte Olimpo, além de desenvolver atividades na Fazenda Areão, no Viveiro de Mudas, Casa de Vegetação, na Sede Campestre do GFMO, nas Estações Experimentais de Itatinga e Anhembi e em áreas de produtores rurais em vários estados através do projeto TUME.

As atividades do Florestas do Futuro são realizadas seis vezes por ano. “Mais de 200 crianças já passaram pelas oficinas”, calcula Estela, que participa da 5ª edição do projeto. As oficinas de educação ambiental acontecem no sábado (28), das 13 às 17 horas, com início no Departamento de Ciências Florestais (LPF) da Esalq, na Av. Pádua Dias 11, Piracicaba. O evento tem o apoio do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais (IPEF).
(Com informações da Assessoria de Comunicação da Esalq)

FONTE: AGÊNCIA USP

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Além de interferir na digestão, líquido durante a refeição prejudica o aprendizado da mastigação

O Gabriel está fazendo dois anos sem ter tomado uma gota de Coca-Cola. Será que consigo chegar aos três? Ele é filho de um viciado em Coca-Cola. Quando o Claudio diz que não está tomando refrigerante diariamente é por que conseguiu ficar sem o líquido predileto por uns três ou quatro dias. Em tentativas de grande esforço, deve ter conseguido uma semana, quem sabe.

Quando eu estava grávida, o pai da criança anunciava que largaria o vício antes que o filho sentasse à mesa com a família. Acabo de me lembrar que ele é o fulaninho que prometeu largar a mamadeira aos quatro anos e deu um golpe na família.

A promessa não foi cumprida e o Gabriel vem convivendo com as garrafas de Coca-Cola em refeições de final de semana e feriados. Digo as garrafas, porque quando estamos com ele, eu e a Nara também tomamos a nossa, na versão light ou zero.

Até aqui, por incrível que pareça, o Gabriel tem entendido que Coca-Cola não é para criança. Assim como o café, a cerveja, o vinho. No café da manhã, eu brinco: “O Gabriel toma leite, a mamãe toma café e o papai toma café com leite”. Ele sabe que cada um consome uma coisa e que criança e adulto são diferentes. Se eu tivesse que oferecer a Coca-Cola, teria que oferecer um chope.

O problema é que, em pouco tempo, ele vai perceber que essa regra vale aqui em casa. Em outros lugares, as crianças não consomem as outras bebidas, mas tomam refrigerante à vontade.

E não temos conseguido manter essa restrição em relação à água. Ele pede água, em geral, no final da refeição, mas, às vezes, durante. Eu dou pouco, mas dou. Não consigo impedi-lo de tomar água se está com sede, embora em muitas ocasiões seja apenas uma desculpa para aprontar: ele toma um golinho e despeja o resto da água no prato.


Segundo a nutricionista Kelen Martins, a criança não deve consumir líquidos antes nem durante nem depois das refeições. E lembra que a recomendação, para não ingerir água ou qualquer outra bebida, não é só para crianças, é para os adultos também.

O ideal é que se ofereça água ou suco para as crianças apenas uma hora antes ou depois da refeição. Refrigerante, “fonte de açúcar”, “caloria vazia”, nunca! Para Kelen Martins, se o consumo de líquidos for adequado ao longo do dia, não haverá a necessidade de tomar nada durante a refeição.

A nutricionista disse que a recomendação leva em consideração os processos de mastigação e de digestão. Quando há uma ingestão de líquidos, a criança mastiga menos do que deveria porque a mistura do líquido com o alimento na própria boca permite que a criança consiga engolir e deglutir a comida mal mastigada.

Segundo ela, essa mastigação insuficiente é mais prejudicial para o bebê, que está com os dentes nascendo e aprendendo a mastigar. “Prejudica todos os movimentos dos músculos, da forma como deve ser a mastigação, da maneira da deglutição”, explicou.

Ao mastigar menos do que deveria, a criança já começa a interferir negativamente no processo de digestão que também será prejudicado pela presença de grande quantidade de líquido. Para não deixar a criança com sensação de sede, a nutricionista adverte que, terminada a refeição, ela pode beber no máximo dois ou três goles de água.

Ela avalia que a sensação de estufamento provocada pelo líquido diminuia a ingestão dos alimentos necessários para o desenvolvimento da criança. “Quando ingere muitos líquidos, ela vai causando a distensão abdominal e o estômago comporta um determinado volume. Se vai colocando mais líquido do que alimento, a distensão dá a sensação de plenitude gástrica que, fisiologicamente, é inibidor do apetite”.

A nutricionista recomenda que os alimentos para as crianças, principalmente para as menores, que estão aprendendo a mastigação, não sejam oferecidos muito secos. Eles devem ser preparados cozidos, úmidos (com um caldinho) ou oferecidos junto com feijão, purês ou cremes de milho e de espinafre, por exemplo. Diante de um prato com arroz, bife grelhado e farofa não há criança que não peça um copo de água!

E Kelen Martins também lembra que a comida saudável deve ter pouco sal. “Se a refeição é muito salgada, é fisiológica a necessidade de ingerir líquido”.

Suco de laranja

Eu perguntei a ela sobre a recomendação para oferecer suco de laranja após a refeição para melhorar a absorção do ferro presente nos alimentos. Segundo ela, o ferro das carnes é mais facilmente absorvido. E o ferro das leguminosas (feijão, lentilha, soja etc.) e dos vegetais verdes (couve, espinafre etc.) é mais bem aproveitado pelo organismo quando combinado com uma fonte de vitamina C, como o suco de laranja. Mas, bastam 50 ml para ajudar a absorção.

E se é para oferecer uma fonte de vitamina C, o melhor é dar à criança uma fruta com essa característica na sobremesa. Ela pode comer todas da família da laranja, acerola, goiaba, maracujá ou mexerica.

Nas escolas

Kelen Martins disse que tem notícia de muitas escolas que servem o suco para as crianças junto com o almoço e o jantar. Eu disse que vejo o suco no cardápio, mas abaixo dos alimentos e pensei que o suco fosse dado depois, como faço em casa. Nunca tinha pensado em perguntar na escola do Gabriel como é feito.

“A gente tenta, mas é difícil mudar. Quando se coloca isso para diretoras e donas de estabelecimentos, às vezes a refeição é terceirizada, sempre há aquela relação do vender o produto. É uma educação nutricional a longo prazo”, disse

Segundo ela, é uma questão cultural. As crianças levam esse hábito de casa para a escola e o suco acaba sendo oferecido como prêmio. Os estabelecimentos resistem às orientações das nutricionistas porque as crianças reclamam quando não tem suco e eles não querem desagradar os clientes.

É um hábito que vai passando do adulto para a criança. As pessoas não bebem líquido durante o dia e tentam compensar essa deficiência na ingestão consumindo no horário da refeição. “A própria mãe fala, se comer tudo, eu dou um suco para você depois”.

Servir o suco com a refeição pode ser uma maneira de facilitar o trabalho com as crianças nas escolas. Principalmente nos estabelecimentos menores, que têm pouca mão-de-obra. Segundo a nutricionista, algumas escolas entregam o suco quando a criança devolve o prato. Em outras, vem tudo junto numa bandeja: o prato principal, a sobremesa e o suco.

Ou seja, até a maneira de servir o alimento deve ser adequada. Fiquei pensando: que criança come o prato salgado, com a sobremesa e o suco ali na frente? Precisa gostar muito de comida e ser muito disciplinada...

Kelen Martins é nutricionista formada pela universidade de São Paulo, presta serviços de Assessoria em Nutrição Infantil e Personal Diet. www.nutrirebrincar.com.br

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Psiquiatra infantil substitui, com sucesso, remédios “tarja preta” por homeopáticos

“Em um ano de homeopatia, estou conseguindo resultados que não consegui em 40 anos de alopatia.”

Essa afirmação resume bem a satisfação do psiquiatra infantil Fernando Morales, médico do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, com os primeiros resultados obtidos no tratamento de crianças e adolescentes com quadros de psiquiatria, após a substituição de medicamentos alopáticos por homeopáticos.

Hiperatividade, agressividade, dificuldades escolares, desobediência, ilusões, convulsões, desmaios, insônia. Esses são alguns exemplos de problemas psiquiátricos tratados com homeopatia no Ambulatório de Psiquiatria do Hospital do Servidor.

É uma experiência nova, que tem conseguido adesão entusiasmada dos responsáveis pelos pacientes. Para Fernando Morales, nenhuma resposta pode ser mais evidente do que os benefícios sentidos pelos usuários da nova medicação. “A mãe veio falando: Doutor, essas gotinhas fizeram milagre!”, contou.

O psiquiatra infantil disse que resolveu experimentar a homeopatia depois de um congresso sobre o tema e a discussão em torno do assunto com colegas homeopatas. Ele confessa que, no início, não acreditava na homeopatia e se diz surpreso com os resultados alcançados até agora.

Todos os casos do médico na Psiquiatria Infantil do Hospital do Servidor Público estão sendo tratados com homeopatia. Além dos resultados serem mais rápidos, ele avalia que são de melhor qualidade porque não têm os efeitos colaterais da medicação alopática.

“Os meus casos, que eu tratava com estabilizadores de humor, antidepressivos e tarjas pretas, todos foram substituídos. Comparando os pacientes que estavam tomando remédios alopáticos, que eu receitei até dezembro e fui substituindo gradativamente, melhoraram o estado geral e o estado emocional”, afirmou.

O psiquiatra disse que percebe na prática o sucesso da homeopatia porque a sua experiência permite comparar os efeitos em pacientes que já estava tratando antes com outros remédios. O desaparecimento dos sintomas e o bem-estar sentindo pelos pacientes são evidentes. Mas, ele esclarece que nos casos de atendimento conjunto, com médicos de outras especialidades, cabe ao alopata tirar a medicação ou não, após uma avaliação positiva dos resultados da homeopatia.

“Isso não quer dizer que são todos os casos que você possa tirar. Eu nunca seria um louco de tirar, por exemplo, um anticompulsivante de alguém, nunca faria isso. Mas, dependendo do que for possível, eu posso entrar com uma medicação que possa reduzir o uso da tarja preta”, ponderou.

Pediatria e Psiquiatria

Perguntei ao médico sobre a aparente dificuldade dos pais procurarem um atendimento psiquiátrico para as crianças. Muitas vezes, sem encontrar resposta para algum problema de saúde dos filhos, eles passam por vários especialistas antes de chegarem a um psiquiatra.

“Existe uma prevenção de que quem vai ao psiquiatra é louco. Então, uma criança que tem uma dificuldade escolar, por exemplo, nunca se pensa em ir a um psiquiatra para fazer um diagnóstico”, concordou.

Segundo ele, no Hospital do Servidor Público Estadual esse problema não existe entre os profissionais e os encaminhamentos para a psiquiatria são feitos por todas as áreas.

No caso das crianças, a psiquiatria infantil tem reunião semanal com a pediatria e todos os casos de internação são discutidos pelas duas especialidades. Essa avaliação conjunta leva muitos casos para alta ou mostra outro caminho para o tratamento.

“Aqui, é tranquilo, não existe essa dificuldade de separar a mente do corpo. Aqui, a gente considera como uma coisa só”, garantiu. E recomendou esse diálogo entre a pediatria e a psiquiatria para todos os serviços de saúde.

“Costumo comparar com a água. A água é feita de dois elementos: o oxigênio é a mente, o hidrogênio é o corpo. Juntou, não é mais uma coisa nem outra, deu um líquido, que é H2O, água. E gente é isso, não posso separar uma coisa da outra”.

O psiquiatra infantil disse que valoriza muito a avaliação orgânica do paciente, pois é comum os problemas físicos darem as pistas para os distúrbios emocionais. “Muitas vezes, é na parte orgânica que nós conseguimos pegar o caminho correto do emocional. Não é todo mundo que consegue fazer uma úlcera, não é todo mundo que pode ser diabético. Tem algumas características que levam para isso e a gente tem que ir atrás”, explicou.

O cuidado com o ser humano visto como um todo, sem separar corpo e mente, é um dos princípios da homeopatia. Esse assunto vai longe...

Essa conversa reuniu o psiquiatra infantil Fernando Morales e o pediatra e homeopata Francisco Soares Netto, dois entusiastas da homeopatia. Eles esclareceram muitas coisas sobre o tratamento homeopático. E para as perguntas: é mito ou verdade que a homeopatia... Segundo eles, tudo mito!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Adoção

Com o depoimento sobre a adoção do João Vitor, acho importante lembrar a entrevista com a promotora de justiça Helena Bonilha.

Mais difícil do que adotar, é ser adotado

http://www.educarecuidar.com/2009/09/mais-dificil-do-que-adotar-e-ser.html

Com a palavra, o pai do João Vitor

“Não podemos relatar nossa história sem agradecer o nosso Pai Eterno por tudo o que vivemos e que nos dará no futuro...”

Quando casamos em 1.991, após a realização de alguns exames, foi constatado que a Mariane tinha um mioma no útero com dimensões que prejudicariam a gravidez. Isso foi um choque para nós, contudo, começamos a fazer o tratamento visando a diminuição do mioma, e podem acreditar, fizemos todos os procedimentos necessários até sessões espirituais. Por muitos anos acreditávamos que seria possível a gravidez, mas assim o destino não quis. Em virtude de uma grande hemorragia, a Mariane fez uma intervenção cirúrgica que resultou na retirada de seu útero.

Por alguns anos minha esposa ficou chateada e revoltada por não ter condições de gerar um filho, mas com o passar do tempo, começamos a pensar na hipótese de adoção. É uma decisão difícil no primeiro momento, pois muitas dúvidas nós possuíamos e o casal tem que estar de acordo, pois não se trata de uma aquisição de um bem material que, se não gostar e não servir, doa-se para uma outra pessoa. É uma vida que estará sob nossa responsabilidade e esta criança dependerá muito do nosso conhecimento e principalmente do nosso amor.

Um belo dia, a Mariane chega em casa e me faz uma surpresa. Entregou-me um envelope e nele continha uma ficha para cadastro de adoção. Fiquei muito feliz porque agora eu tinha certeza que minha esposa estava convicta para encarar esta nova fase de nossas vidas.

Depois do cadastro, aguardamos aproximadamente dois anos para receber a graça de Deus em nos conceder a vinda do João Vitor. Quando o conhecemos ele estava com treze dias de vida, gozando de plena saúde.

Foi um momento mágico ao pegar pela primeira vez o meu filho.....(pausa)...a emoção foi muito grande, eu parecia uma cachoeira. Metade da maternidade parou para ver o que estava acontecendo. A Mariane, foi a primeira a pegar o João Vitor no colo.

Quando chegamos à maternidade para conhecê-lo, ele estava mamando com a enfermeira. Ao pegar o João pela primeira vez no colo a Mariane disse: “Tenho a plena certeza que esta criança é o nosso filho que estávamos esperando, não tenho qualquer dúvida”.

Após este relato, entendemos que é importante, mas muito importante, ressaltar que o diálogo entre o casal é necessário e muito importante antes da chegada da criança com relação ao seu futuro, como exemplo, o casal tem que contar toda a verdade para o filho(a); preparar os familiares também é importante porque eles vão fazer parte da vida da criança e todos precisam saber previamente o que os pais vão explicar a ele a respeito da adoção.

A fim de compreender melhor as nossas dúvidas, participamos de várias palestras sobre adoção e diversos depoimentos de pais adotantes. Ouvimos muitos relatos maravilhosos, como também histórias tristes, no entanto, todos os depoimentos foram unânimes em concluir que em momento algum se deve faltar com a verdade com seu filho.

Essas experiências de vida são interessantes porque aumenta a sua visão sobre o assunto, contudo nós procuramos adequar todos os relatos para a nossa realidade, pois ninguém até hoje descobriu a fórmula correta para educar uma criança, não é?

Encontramos muitos casais, onde um ou o outro é que queria adotar e na verdade, para alcançar o pleno sucesso nessa realização, ambos têm que ter a plena convicção e a vontade de adotar uma criança.

Entendemos que um dos pilares da base estrutural de uma família é falar a verdade, sendo assim, omitir para a criança a sua origem pode causar um abalo familiar enorme. Temos a convicção que o seu passado e a sua origem fazem parte integrante na formação da criança.

Assim, por ocasião da adoção, conseguimos um pequeno histórico da mãe biológica do João para que, no futuro, se ele tiver vontade em conhecê-la, seremos os primeiros a acompanhá-lo, afinal, é um direito dele em saber quem são os seus pais biológicos, mas temos a plena certeza que os verdadeiros pais somos nós que estamos dando amor e carinho em sua criação.

Quando o João estava próximo dos três anos, usamos uma estratégia para introduzir o tema adoção na cabeçinha dele. Antes de dormir, contávamos historinhas de filhotinhos que não tinham pais e eram adotados por outro bichinho. Mais adiante, alternávamos entre bichinhos e crianças e foi uma experiência muito legal porque até nos ajudou a aliviar a “tensão” para contarmos ao João sobre a sua história.

Esperamos o João chegar até a fase em que ele já conseguia relacionar o grau de parentesco entre os nossos familiares para contarmos sobre a adoção. Isso foi próximo aos quatro anos de idade e a sua reação foi ótima. O que falamos foi aceito muito bem, despertou pouca curiosidade e de vez em quando, ele pergunta alguma coisa e procuramos responder de uma maneira simples e de fácil entendimento. Ele sabe que é muito querido e amado por nós e por todos os nossos familiares.

Não somos donos da verdade, mas acreditamos que estamos fazendo o melhor para que o João Vitor seja uma criança feliz e sentimos que ele é uma criança alegre, amorosa e muito querida por todos. É impossível não se apaixonar por ele. Tudo o que se faz com amor, só pode gerar amor. É uma benção de Deus...

Antonio Carlos Mancini, funcionário público, 46 anos, e Mariane Alves Rodrigues Mancini, advogada, 48 anos, são pais do João Vitor, 6 anos, corintiano.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Finalmente, não é gripe A!

Resultado do exame: indetectável.

Como já imaginávamos, o Gabriel não está com gripe A. depois de um final de semana tumultuado por uma gripe comum, volta à condição de potencial vítima da gripe A. Pior: já que fez mais da metade do tratamento, segundo os pediatras consultados, deve completar os cinco dias de medicação.

A boa notícia é que já desceu para brincar com a amiga e correu bastante. Como disse a pediatra, “vida normal!”

Resolvi tratar desse assunto no blog por achar que o relato de uma experiência poderia ser mais interessante do que uma entrevista. Observar o médico agindo é muito mais esclarecedor.

Por exemplo, eu imaginava como é difícil cuidar de um filho com a gripe A, mas não tinha a menor idéia de como é angustiante cuidar de um filho sem saber se é ou não gripe A. Que coisa chata! A incerteza é incômoda.

A pediatra do Gabriel, que não tem atendido pacientes com sintoma de gripe porque está grávida, continua sendo a minha referência e as nossas conversas por telefone são fundamentais. O atendimento clínico tem sido feito pelo pai dela, um pediatra muito experiente, mas sem o mesmo vínculo com ele.

Os dois concordaram com os procedimentos do hospital. Segundo ela, para uma criança pequena, é muito arriscado esperar. “Imagine se fosse gripe A, ficar até agora esperando o resultado do exame para medicar!”

Eles avaliaram que no caso do Gabriel, os sintomas determinaram o procedimento correto. E, para os dois, o uso da medicação não causará nenhum prejuízo a ele. Os efeitos colaterais costumam aparecer durante o tratamento e o Gabriel não teve vômitos, diarréia e dor de estômago até agora. Que bom!

Absurdo!

O que me irrita é pensar que posso estar presa com o Gabriel aqui em casa sem necessidade. É um absurdo pagar R$ 115,00 por um exame e ficar sem o resultado por causa do final de semana. Não reclamo da médica que indicou o exame e disse que o resultado poderia sair até antes de 48 horas. Ela não tinha obrigação de saber que as amostras passariam o sábado e o domingo descansando.

Se fosse no auge da pandemia, quando faltavam kits e a corrida aos hospitais era exagerada, seria plenamente compreensível. Mas o laboratório mais caro e renomado do país descansa no final de semana?!

Nós não descansamos, estamos medicando uma criança sem ter certeza da necessidade do remédio. É o fim da picada! O Gabriel nunca tomou um antibiótico na vida, agora está tomando esse Oseltamivir sem saber bem por quê?

E as pessoas vivem reclamando dos serviços públicos de saúde... Nunca vi uma manifestação raivosa cobrando a responsabilidade social desses serviços privados que trabalham com cifras milionárias de uma rede que vai desde a indústria farmacêutica até os seguros de saúde, passando pelos recursos públicos do SUS.

Pelo menos, o SUS atende um volume imenso de pessoas pelo país afora. Enfrenta uma realidade complexa e uma demanda gigante. Não é como o Laboratório Fleury, restrito às elites, pois nem plano de saúde atende (só os especialíssimos, claro!). Ai, que raiva! Esse é o sentimento de uma mãe que está desde quinta-feira à noite sem saber se o filho está com gripe A ou não.

domingo, 15 de novembro de 2009

Diário da espera

O Gabriel amanheceu bem melhor hoje, mas, continuamos isolados em casa sem saber o resultado do exame colhido, na madrugada de sexta-feira, para investigar se é um caso de gripe A.

Ontem, depois de consultarmos pela internet o dia inteiro, telefonamos para o Hospital para saber o motivo da demora. O atendente esclareceu que o prazo de 48 horas para a entrega do resultado não considera o final de semana. Ou seja, são 48 horas úteis, o relógio permanece parado aos sábados e domingos. Portanto, a medida para suspender imediatamente a medicação (que é horrível!), em caso de resultado negativo, fica bastante prejudicada.

Ainda bem que o Gabriel acordou bem- humorado. Ele parece praticamente curado. Apenas com a secreção nasal, e já bastante diminuída. Mas, além de manter o tratamento, não podemos sair para passear com ele porque, se for gripe A, é recomendado o isolamento domiciliar por 14 dias após a apresentação dos primeiros sintomas, período de transmissão do vírus.

E continuamos devagar no uso do banheiro. O bom é que ele adora as cuecas, escolhe as cores e os desenhos que quer usar. E assim vai indo, com alegria e parcimônia, no adeus às fraldas...

sábado, 14 de novembro de 2009

Abandonar as fraldas e reagir a uma doença é tarefa demais para uma criança

Com criança, a chance de um planejamento dar errado é enorme. Há pouco mais de uma semana, concordava com a mãe de uma menininha de dois anos que as crianças precisam aprender uma coisa de cada vez.

Mas..., pensei, avaliei, falei com a pediatra, consultei a escola... Quando achei que seria um ótimo momento para tirar a frada do Gabriel, aparece essa gripe?! Seja ela A ou não, ele está abatido e sofrendo com todo o desconforto da doença e dos medicamentos. Que horinha imprópria para querer que ele aprenda a controlar os esfíncteres!

Mas o processo tinha começado no sábado passado, quando estava tudo bem com ele. Estou mais preocupada com isso do que com a gripe. E acho que ele também, pois o mau humor dos últimos dias parece estar relacionado a essa etapa do desenvolvimento que ele está vivendo.

Quando ele adoeceu, achei que seria sobrecarregá-lo demais, por outro lado, sabia que depois de tirar as fraldas, não é para voltar atrás. O retrocesso não é bom para a criança. Conversei com a pediatra e ela disse para aliviar um pouco o treinamento dos esfíncteres nesse momento. Ela recomendou que ele ficasse com fralda durante parte do dia para conseguir relaxar. É difícil demais para a criança ter de aprender uma coisa quando está fragilizada.

Decidi então, deixá-lo sem fralda, mas sem ficar levando de tempos em tempos ao banheiro. Ele faz na calça, nós comentamos de leve, trocamos a roupa e pronto. Espero um pouco mais para tirar a fralda quando ele acorda e coloco um pouco antes de dormir para que ele possa aproveitar para fazer um cocozinho mais confortavelmente.

Mas o Gabriel está percebendo bem o que está acontecendo e algumas reações dele estão bem estranhas. Ele teve acessos de birra esquisitíssimos. Ontem, enquanto chorava e esperneava, berrava: “qué mamá, qué mamá.” Ele não mama! Hoje, de novo: “qué mamá, qué chupeta.” Ele nunca chupou chupeta!

Se ele estivesse com febre, diria que estava delirando... Pensamos que talvez seja uma demonstração de que está sendo difícil para ele enfrentar essa etapa de retirada das fraldas, que significa crescer. Será que ele quer ser bebê? Ou será apenas que ele viu outras crianças pedindo para mamar ou querendo chupeta durante uma birra e está copiando?

Estou atenta a tudo o que está acontecendo, acho que vou aprender muito com essa experiência difícil para o Gabriel. Espero que ele supere bem esse aprendizado tumultuado.

Sem saber que gripe é essa

O resultado do exame ainda não saiu e estou torcendo para ser positivo, embora não acredite nisso. Gostaria tanto de me ver livre dessa preocupação, com uma experiência tão menos amarga do que eu imaginava. Se a gripe A for só isso mesmo, o Gabriel continua tomando o remédio por mais três dias e meio, continua quietinho em casa até completar 14 dias e nós não precisamos mais temer uma doença tão assustadora.

Estou duvidando que seja gripe A porque seria bom demais para ser verdade. O quadro geral é ótimo, ele está brincando e e se divertindo normalmente. A pediatra disse que a maioria dos casos tem sido leve, sem complicações. Tomara! E ele está reagindo bem à medicação, tomando o genérico do Tamiflu e todos os outros remédios para o chiado no peito.

A tosse diminuiu bastante e o esforço para respirar sumiu. O nariz continua escorrendo. A falta de apetite oscila. Ontem, jantou bem. Hoje, não almoçou nada. Mas pede água e suco, aceita algumas frutas e está ganhando muitas doses extras de danoninho-chambinho-batavinho (isso é para não fazer propaganda).

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Por enquanto, suspeita de gripe A

Até amanhã, expectativa! Enquanto esperamos o resultado do exame, o Gabriel está tomando o tal Tamiflu (na verdade, o dele é Oseltamivir).

Muita tosse, pouca febre, muito esforço para respirar, um caso de gripe A confirmado na classe dele: o Gabriel foi parar no Pronto- socorro do Hospital Infantil Sabará ontem à noite, e saiu de lá com um frasco do remédio, fornecido pelo Ministério da Saúde aos pacientes com sintomas da doença.

Desde a quarta-feira, quando a escola telefonou para avisar sobre um caso confirmado de um aluno da classe do Gabriel, estou preocupada e conversando com o pediatra dele. A primeira orientação foi de que não seria necessário afastá-lo da escola sem sintoma de gripe.

Mas o Gabriel tossiu a noite inteira. Embora a temperatura não tenha passado de 37,8°, nova recomendação: ficar em casa observando uma possível evolução do quadro, fazer inalação só com soro fisiológico e abusar do Rinossoro, pois, até ali, parecia um simples resfriado.

O médico ressaltou que é importante avaliar continuamente o quadro geral da criança. Portanto, se o Gabriel piorasse, seria bom levá-lo a um pronto-socorro, pois ele estaria fora e não poderia atendê-lo ontem.

Irritado, com pouco apetite, nariz escorrendo bastante, assim foi o dia do Gabriel. A tosse era contínua e percebi um grande esforço dele para respirar. Tinha aprendido, quando ele teve uma bronquiolite, com um ano e quatro meses, que a maneira de avaliar o esforço é observar se está respirando com a barriga e se faz um buraquinho no pescoço quando respira. No final da tarde, o buraquinho estava fundo e ele gemia durante a inalação.

Quando foi examinado, batata! Estava com o peito chiando. Segundo a médica que o atendeu, a hipótese de gripe A estava ali. Uma criança sem histórico de asma, chiando... Ela explicou que entraria com o remédio porque o protocolo do Ministério da Saúde determina o tratamento das crianças com menos de dois anos de idade com sintoma da doença porque elas estão nos grupos de risco.

Ele fez uma radiografia do pulmão e estava tudo normal. Com o risco de pneumonia descartado, a criança vai para casa. Sem internação, o exame para detectar o Influenza A (H1N1) é pago. No caso do Gabriel, decidimos fazer e pagamos R$ 115,00. O exame é realizado pelo Laboratório Fleury com amostra colhida lá mesmo no pronto-socorro.

A coleta da secreção é bem chatinha: aqueles “cotonetes” compridos enfiados nas narinas e lá no fundo da garganta. Mas a aspiração, com uma máquina barulhenta e um caninho bem fininho que desce por cada uma das narinas até sabe-se lá onde, é pior ainda. Ele foi um santo, chorou só um pouquinho durante essa aspiração (que não acabava nunca!) e saiu de lá feliz da vida com um par de luvas descartáveis que ganhou da “moça” que coletou a amostra.

Conversei com o pediatra do Gabriel que considerou corretos todos os procedimentos do hospital. Se o exame confirmar a gripe A, ele continuará tomando o remédio até completar cinco dias e continuará sem sair de casa, pois pode transmitir a doença por 14 dias, a contar dos primeiros sintomas. Se o resultado for negativo, a medicação é imediatamente suspensa.

Conviver com essa expectativa é chato, mas não estou muito preocupada. O estado geral do Gabriel é bom. Ele não teve febre, depois de uma única dose de Novalgina ontem à noite. Está com pouco apetite, mas come um pouco. Está nervoso, acordou berrando hoje de manhã e foi difícil conseguir que ele parasse de chorar. Mas já faz mais de duas horas que está dormindo tranquilamente, tossindo de vez em quando. Ele adora fazer inalação porque é sempre vendo Backyardigans, o que aumenta consideravelmente o seu acesso diário à TV. Ainda não sei se é, mas, se for, é menos do que eu temia!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Participação da família é fundamental para o controle do diabetes

Conheço uma menininha, já está com 13 anos, que sempre foi um show no controle do diabetes. Um susto atrás do outro, um entra e sai de hospital, mas não por falta de colaboração por parte dela nem de envolvimento da família, mas por que era um caso difícil para um bebezinho. Qualquer resfriado, para uma criança diabética, pode ser muito complicado.

Aliás, conheço bem a história dessa garotinha especial: a crise que levou ao diagnóstico, com 1 ano e 1 mês de vida, aconteceu depois de ela comer gulosamente um doce que eu tinha feito. Naqueles dias, não estava comendo nada e resolveu devorar a bomba-relógio de leite condensado e chocolate.

Aos dois anos, quando ouviu a empregada dizendo que ela estava suando que nem um cuscuz, adotou o termo como senha para dizer que a coisa era grave. Quando estava passando mal, corria e avisava: “Tô suando que nem um cuscuz!”

Ainda com dois anos, quando alguém oferecia um refrigerante para ela, lá vinha a pergunta: “É diet?”. E a resignação com que oferecia os dedinhos para as intermináveis picadas para o controle da glicemia era de admirar.

Uma história ilustra bem a consciência dessa garotinha sobre a doença. Chegamos à casa dela e a menininha, de uns quatro ou cinco anos, nem se mexeu do sofá para nos receber. A família percebeu que ela estava com hipoglicemia. Depois de confirmar rapidamente com o teste, deram um bombom para a subida rápida da glicemia. No começo, ela mal mastigava. Aos poucos foi aumentando os movimentos da boca, mas continuava largada com os olhinhos fechados. A mãe, que bem conhecia a figura, disse que ela comeria o bombom até o fim, mesmo que já estivesse boa. Imediatamente, ela abriu os olhos e um sorriso delicioso.

Conversei com o endocrinologista Antonio Carlos Lerário, diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes, médico do Hospital das Clínicas de São Paulo e professor da USP, sobre o diabetes na infância. A principal conclusão é de que o envolvimento dos pais é fundamental para garantir uma boa qualidade de vida para o diabético.

O médico explicou que o diabetes tipo 2 é característico dos adultos, mas tem atingido um número cada vez maior de crianças “muito gordas”. Ele acredita que 5% da população de diabéticos tenha o tipo 1 da doença, o mais grave e que atinge principalmente as crianças. E ele lembra: “Além do impacto grande, a criança vai conviver o resto da vida com a doença”.

O diabetes tipo 1 costuma aparecer de forma abrupta, em geral, entre os cinco e os 12anos de idade. Mas, embora com menos frequência, também acomete crianças menores, inclusive bebês. É uma doença que pode comprometer o crescimento e bom desenvolvimento neuromotor.

O diabetes do tipo 1 não está relacionada a histórico familiar. Os pais devem ficar atentos aos primeiros sintomas: de repente, a criança passa a ter muita sede, urina muito, sente muita fome e começa a ter uma perda inexplicável de peso. Pode ser difícil perceber alguns desses sintomas em crianças pequenas com uma rotina de várias mamadas e fraldas.

Mas, a evolução da doença é muito rápida e deixa a criança mais suscetível a infecções. Por isso, em menos de trinta dias, o diagnóstico pode acabar sendo feito em um pronto-socorro, onde a criança chega desidratada ou como uma infecção, uma pneumonia, por exemplo. Nesse estágio, já há uma deficiência do pâncreas.

“No primeiro ano, as visitas ao pediatra são mais frequentes e as mães se preocupam muito, controlam tudo, controlam o peso sempre. Mas nos lactentes é difícil perceber. Pode passar despercebido, mas por pouco tempo porque é um quadro grave”, explicou.

O endocrinologista disse que o mais complicado no diabetes nessa faixa etária é a falta de consciência da criança sobre a doença e a necessidade de controle. Ela convive com os amigos na escola, vai a festinhas e não entende porque não pode comer e beber o que os outros estão consumindo.

“Acabam dependendo da consciência dos pais. Os pais têm que aprender sobre a doença e aprender a controlar. Não é uma questão de opção. Não tem escolha, se quiserem uma vida saudável para o filho, têm que controlar a doença. E quando há essa interação dos pais, quando eles têm conhecimento da doença, dão atenção, os resultados são muito melhores”, ressaltou.

O médico não criticou os adultos que trocam a alimentação adequada por doses de insulina. Segundo ele, a deficiência básica do diabético é a falta de insulina e algumas pessoas conseguem beber e comer de tudo e manter a glicemia, mas acredita que esse mecanismo não funciona com as crianças. “Precisa de uma habilidade muito grande para chegar ao controle adequado. E o controle, em geral, é mais complicado em crianças”.

Uma criança com diabetes deve ser encorajada a viver uma vida normal. Para isso, precisa aprender a conviver bem com a doença. As principais conseqüências do diabetes tipo 1, quando não controlada adequadamente, são de longo prazo. As complicações começam a aparecer depois de cinco a 10 anos. As mais comuns são a nefropatia diabética (insuficiência renal) e a retinopatia diabética (perda de visão).

Antonio Carlos Lerário é endocrinologista, diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes, professor livre docente da Universidade de São Paulo (USP), médico do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Dia Mundial do Diabetes

14 de novembro

Participe da campanha:

Diabetes: educar para prevenir

http://www.diamundialdodiabetes.org.br

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O apagão e as crianças

O G1 noticiou que, durante o apagão, cinco crianças internadas em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foram transferidas às pressas para um outro hospital de Bauru, no interior de São Paulo. A Maternidade Santa Isabel tem uma UTI pediátrica, mas não tem gerador. Um bebê muito frágil, com problemas renais, não pôde ser retirado porque não resistiria à remoção. O atendimento foi improvisado com um gerador emprestado por uma afiliada da Rede Globo na cidade. A falta de energia interrompe o funcionamento de praticamente todos os aparelhos da UTI, como monitor cardíaco e respirador. O hospital é referência na Região de Bauru! Imagine o desespero dos funcionários para salvar as crianças. Quantas situações difíceis envolvendo crianças acontecem por aí e ninguém fica sabendo?

Aqui em casa, três crianças no mesmo andar!

Um susto foi suficiente para mobilizar o andar inteiro e desencadear outra dor de cabeça. Um vizinho estava esquentando pão no microondas bem na hora da oscilação de energia. O pão virou um carvão e uma fumaça gigante tomou conta da cozinha. Quando ouvi batidas, saí para ver se era alguém preso no elevador e encontrei o vizinho desesperado no meio da fumaça, tentando abrir a porta que dá acesso à escada. Comecei a gritar para que ele tirasse a pequena amiga do Gabriel de dentro do apartamento. Ele foi acordar a mulher e a filha para tirá-las de lá antes que entendêssemos o que estava acontecendo. Um pão queimado não poderia causar tanta fumaça! Ficamos desesperados procurando de onde vinha tanta fumaça.

Os outros vizinhos saíram e mais um bebê, de um ano, entrou na confusão. E o Gabriel? Estava dormindo e assim permaneceu. Eu espiava se estava tudo bem com ele, e fechava rapidamente a porta para impedir que fumaça entrasse no quarto dele.

Abrimos as portas e janelas dos apartamentos na briga com a fumaceira no meio da escuridão. Procuramos e não encontramos nenhum foco de incêndio. Até aqui, a culpa foi mesmo de um pedaço de pão.

Quando já estávamos mais tranquilos, convencidos da culpa do pão, todos dando muita risada da situação reunidos no hall do elevador, o vento fechou a porta do quarto vizinho, um idoso! A porta tranca com a batida! Ele ficou desolado quando se viu preso para fora de casa. Precisou telefonar para um filho, que tinha cópia da chave, vir abrir o apartamento.

Nem sempre, onde há fumaça, há fogo!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Debate sobre dislexia

Recebemos a importante contribuição do professor Fernando Capovilla, do Instituto de Psicologia da USP.

http://www.educarecuidar.com/2009/10/dislexia-no-centro-das-discussoes-sobre.html

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Criança é isso - Parte III

Fulaninha, por volta dos 4 anos

A mãe está arrumando a fulaninha para uma festa e comenta que o vestido que está colocando na menina é chamado de tomara-que-caia. A fulaninha pensa um pouco, ajeita o vestido e diz: “mamãe, devia ser tomara-que-não-caia!”.

Aluna do Ensino Fundamental de escola particular de São Paulo

Fulaninha não gostava de fazer a lição de casa e vivia criando estratégias para fugir dos recados deixados pelas professoras nos cadernos de tarefa: “não fez a lição!”. As anotações eram motivo de broncas e, pior, a mãe exigia que ela fizesse os exercícios e conferia depois. Nos últimos minutos antes da aula, apressada para disfarçar não deixando as linhas em branco, fulaninha copiava as perguntas no espaço reservado para as respostas: 1- Quem descobriu o Brasil? R- Quem descobriu o Brasil foi... Para todos os efeitos, tinha tentado fazer. Enganava a professora, mas a mãe acabou descobrindo.

Fulaninha, dois anos e meio

Louca por batons, fulaninha chegava à casa da avó pedindo para pintar a boca. Se achando muito esperta, a avó comprou manteiga de cacau para as brincadeiras da menina. Quando a fulaninha pediu batom, a avó entregou a manteiga de cacau. Fulaninha passou, passou, e olhou indignada para a avó: “vovó, isso aqui não é batom, é hidratante!”

Fulaninho, um ano e 11 meses

Fulaninho voltava da escola conversando com a mãe sobre a festa de aniversário da vizinha. Depois de ensaiarem o “parabéns”, a mãe disse: “que bom fulaninho, nós já estamos chegando para a festa da sua grande amiga!” O menino corrigiu: “Não, mamãe, a amiga é pequena!”


Fulaninho, 4 anos - Preparem-se, essa é de morrer de rir:

Fulaninho ficou impressionado com a crise que levou o pai para uma cirurgia de hemorróidas de emergência. Enquanto enchia bolas de bexiga para enfeitar o salão de festas do prédio onde moravam para uma festinha de aniversário, o pai começou a sangrar e foi levado para o hospital. O coitado perdeu a festa! A mãe explicou para as crianças o que tinha acontecido. Dias depois, a mãe vê da janela o menino falando e gesticulando no meio de uma roda de vizinhas. Curiosa, desceu para ver o que se passava. O fulaninho estava explicando direitinho que o pai havia ficado doente de tanto assoprar. E sugeria para as mulheres estarrecidas: "faz assim, quando assopra, não sente um apertinho no bumbum?”

Criança é isso - Parte II
http://www.educarecuidar.com/2009/10/crianca-e-isso.html

Debate sobre a dislexia continua

O blog continua recebendo comentários sobre a dislexia e as dificuldades das crianças para aprender a ler e a escrever. Pais que enfrentam o problema no cuidado com os filhos rechaçam as manifestações que questionam a existência do transtorno.

http://www.educarecuidar.com/2009/10/dislexia-no-centro-das-discussoes-sobre.html

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Conviver com a diversidade na escola é muito bom, mas o Corinthians não se discute

Desde a entrada do Gabriel na escola, estamos atentos às novidades que ele traz para casa. A primeira coisa que aprendeu foram noções básicas de propriedade privada. Passou semanas falando “é méo”, tudo era “é méo”.

Foi tão engraçado: para calçar o tênis, ele puxava o pé e dizia “é méo”. Quando ia cobri-lo com o cobertor, ele puxava da minha mão e lá vinha: “é méo”. Sentava na frente do prato e avisava: “é méo”. Parecia que nunca mais ia parar com isso, mas, de repente, o “é méo” sumiu.

Depois, fomos achando que ele estava muito teimoso, resistia a tudo. Andou deitando no chão do elevador para não sair de lá e fazendo birra para sair do banho, lavar as mãos, sentar no cadeirão, recolher os brinquedos, para tudo. Achamos que o nosso bebê tão bonzinho tinha se transformado em um moleque bem malcriado. Mas, de repente, tudo se acalmou novamente.

Na semana retrasada, levamos um grande susto. Perguntado sobre o seu time do coração, ele falou, nem vou repetir aqui..., ele não disse Corinthians. Ficamos atordoados! Eu e o meu marido nos olhamos em silêncio e resolvemos mudar de assunto. A Nara ficou inconformada: “vamos tirar esse menino da escola!”



Durante alguns dias, toda vez que surgia um assunto de futebol, ele falava o nome de um time. Pelo menos, eram times diferentes. Chegamos a pensar que ele é um menino inteligente, sabe que futebol está relacionado com esses nomes todos, que bacana! Mas, o principal era a ameaça.

Então, a Nara veio para São Paulo decidida a proporcionar ao irmão um adorável final de semana do Timão. Comprar um uniforme foi pouco perto da idéia mais sensacional : a adesão do Backyardigans à Fiel Torcida! O Gabriel adorou e se divertiu muito colando adesivos em todos os bonecos: “Tasha Corinthians”, “Austin Corinthians”, ”Pablo Corinthians”, “Tyrone Corinthians”, “Uniqua Corinthians”.

Hoje, conversamos na escola para que os adultos não tentem desencaminhar o menino. Mas ressaltamos que não temos nenhuma reclamação em relação às brincadeiras entre as próprias crianças. Eu disse que em casa, o Corinthians é como religião, não se discute. A professora deu risada, ficou surpresa que ele esteja levando isso para casa, e contou que os meninos falam dos seus times quando brincam de bola. Que graça, tão pequenininhos!

Como diria o Tyrone: essa foi uma aventura bem corinthiana, vocês não acham?!


Eu conversei com a psicóloga e psicanalista Claudia Monti Schonberger sobre as mudanças de comportamento apresentadas pelas crianças quando entram na escola. Para ela, é natural que ao entrarem em contato com outras crianças e com outros adultos, elas descubram um mundo diferente que será levado para casa.

“É claro que algumas coisas diferentes são esperadas, vão acontecer. A preocupação grande dos pais é com o que o filho vai aprender desse convívio. Como pais, queremos que aprendam só as coisas ditas positivas, mas é claro que ele vai aprender também outras coisas”.

Segundo elas, a criança pode levar o que viu e ouviu para casa à procura de uma posição da família sobre aquela novidade. E quando ela busca uma confirmação de determinado comportamento, cabe aos pais passar os próprios valores.

A psicanalista disse que a criança, com o tempo, vai aprendendo a distinguir a família do ambiente escolar e percebendo o que são valores familiares. “Isso é muito importante. O preocupante é quando não há valores familiares a serem transmitidos porque os pais não estão voltados para essa criança ou acham que não cabe a eles educar os próprios filhos”.

Para o desenvolvimento infantil é enriquecedor entrar em contato com as diferenças e a escola pode ser o ambiente de maior diversidade para algumas crianças. Ela experimenta o que vai encontrar pela vida toda.

“É importante que a criança saiba e vá aprendendo que há diferenças, sim! E pouco a pouco, ela vai percebendo, o meu amigo fala isso, mas eu não vou falar. Porque ela vai aprendendo a construir a sua identidade. Nessa fase, a criança está em construção da sua identidade e é importantíssimo entrar em contato com as diferenças. É muito positivo até para poder se reafirmar os próprios valores”.

Claudia Monti Schonberger é psicóloga e psicanalista, coordenadora de equipe da Clínica e membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Escola é bom para brincar

Esse é um período em que muitos pais estão renovando matrícula, procurando uma nova ou a primeira escola para os filhos. Antes de encerrar um ano letivo, já estamos organizando o próximo.

Nunca me senti plenamente satisfeita com as escolas das minhas filhas. E, embora esteja feliz com a nova vida do Gabriel, acho cedo para avaliar. Vai e volta contente, brinca bastante e não tem dado sinais de que estão querendo ensinar muita coisa para ele. Para mim, isso é ótimo!

Para as meninas, lembro que cansei e desisti de procurar uma pré-escola que não tivesse lição de casa. Eu achava o fim da picada mais essa responsabilidade para uma criança tão pequena que já tinha o compromisso diário de levantar cedo, com sol ou com chuva, com um frio de doer ou um calor de rachar como o de hoje, para ir para a escola.

Mas não é de hoje que vejo muitas famílias cobrando resultados visíveis do investimento financeiro na educação dos filhos. E, por conta disso, para valerem o dinheiro que os pais gastam, algumas escolas exageram nas atividades para as crianças.

Quem procura um massacre de aprendizado na Educação Infantil, vai se portar como com o filho no Ensino Médio, com a neurose do vestibular? Passamos a vida estudando, por que tanta pressa? Acho que o nosso papel é o de tentar proteger a infância dessa correria frenética dos adultos.


Conversei com a psicóloga e psicanalista Claudia Monti Schonberger sobre o papel da escola na vida da criança de “maternal”, com idade em torno de dois anos. Segundo ela, a brincadeira é uma das formas de perceber a criança dessa faixa etária. Quando ela brinca, em geral, se expressa por meio do corpo todo. Observando como a criança brinca, como se coloca, como caminha, e qual é a postura dela brincando podemos avaliar como ela está. Na brincadeira, demonstra o que pensa e o que sente.

Com essa idade, a criança não precisa de atividade pedagógica, o importante é que esteja brincando. “Brincar é super importante para a criança, e brincar com o corpo todo. Entrar debaixo de um brinquedo, sair, subir, descer, escorregar... Tudo isso já vai preparando essa criança para uma aprendizagem dita formal lá pra frente. Porque já é um desafio, já é um experimentar. Então, realmente, se a criança vai para uma escola onde ela brinca com essa idade, acho que o projeto pedagógico está bárbaro”.

A psicanalista acredita que para enfrentar bem esse desafio, é importante que a criança encontre na escola uma rotina, pois isso é assegurador para ela. Não é à toa que as crianças vão chegando, são recebidas pela professora, vão se colocando numa roda, contando alguma coisa, entrando todos os dias na rotina daquela turminha que tem o momento da brincadeira livre, do lanche, da história, do almoço, do sono e assim por diante.

“É claro que vai ter um impacto do desconhecido, em conhecer uma nova rotina. Dependendo da criança, pode ser fascinante. Difícil, mas fascinante!”

Claudia Monti avalia que a boa escola infantil tem classes pequenas e um projeto pedagógico que considere importantíssimo o brincar. A entrada na escola pode ser a primeira oportunidade para a criança que não tem irmãos aprender a dividir o olhar do adulto que cuida dela.

“Uma criança primogênita talvez tenha uma dificuldade um pouco maior, mas é uma aprendizagem ótima para ela, de não ter um adulto olhando exclusivamente para ela. Isso é crescer, vai ficar pela vida toda”.

Com as famílias cada vez menos numerosas e sem os antigos espaços coletivos de convivência como as praças e as ruas cheias de crianças correndo e brincando, é nas escolas que as crianças estão aprendendo essa convivência para além dos limites do núcleo familiar mais próximo, muitas vezes, formado só pelo pai e pela mãe.

“O grupo vai se expandindo e isso é saudável. Antigamente a própria família dava conta disso. A mulher tinha outra função social, ficava mais em casa, tinha vários filhos... As crianças iam aprendendo a conviver e a dividir no grupo familiar. Hoje em dia, numa cidade como São Paulo, onde não se tem mais espaço de convívio coletivo, eu entendo que a escola de educação infantil vem ocupar esse lugar de um grupo social diferente da família”, opinou.

Claudia Monti acredita que nos dias de hoje, faz parte da nossa cultura a grande expectativa “desse ir para a escola” por parte dos pais e das próprias crianças. E ressalta que tudo depende de como esse ingresso no novo ambiente é preparado, da segurança dos pais em relação ao local escolhido.

“Pode ser uma criança que tenha pouco convívio com crianças da mesma idade, que esteja muito bem, e que esteja querendo ampliar as suas possibilidades de conviver e de aprender. Se ela chega em um ambiente acolhedor, cuidadoso, carinhoso, e ali encontra outras crianças, encontra um adulto em quem ela possa confiar e por um período depositar o que ela depositaria em quem estaria cuidando dela em casa, pode ser muito interessante”, explicou.

Claudia Monti Schonberger é psicóloga e psicanalista, coordenadora de equipe da Clínica e membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Conselho Federal de Psicologia aponta falta de estrutura para cumprir nova lei da adoção

Brasília - Entrou em vigor hoje (3) a Lei nº 12.010, de 3 de agosto de 2009, que muda as regras de adoção de crianças e adolescentes. A lei traz avanços como disciplinar a adoção por famílias estrangeiras e permitir que maiores de 18 anos (até então apenas os maiores de 21 anos), independente do estado civil, e até mesmo casais já separados, possam adotar um filho.

Apesar do avanço, a norma é omissa quanto à possibilidade de casais homossexuais adotarem uma criança ou adolescente. A nova lei apenas descreve que, “para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família”.

Para a representante do Conselho Federal de Psicologia, Iolete Ribeiro da Silva, a omissão da lei faz com que cada caso de adoção por famílias de pais homossexuais fique a critério do juiz responsável pelo processo na Vara de Infância e Juventude.

A psicóloga assinala também que falta estrutura no Poder Judiciário para que a lei seja cumprida. “A estrutura é precária e inoperante”, diz ela, afirmando que faltam profissionais (assistentes sociais e psicólogos, especialmente) para analisar os processos, fazer triagem de famílias e executar outros procedimentos necessários à adoção. Segunda a nova lei, “a permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento institucional não se prolongará por mais de dois anos”.

Iolete ainda aponta que os estados e municípios ainda não implementaram o Plano Nacional de Promoção, Defesa e Garantia do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, aprovado há cerca de três anos pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).

“Não haveria necessidade de uma lei de adoção se o plano tivesse sido de fato implementado”, disse Iolete à Agência Brasil, acrescentando que, além do Judiciário, os governos estaduais e as prefeituras precisam fazer investimentos para melhorar o acolhimento de crianças e adolescentes e fazer tornar a adoção mais ágil.

Dados do Cadastro Nacional de Adoção, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), informam que há cerca de 3,5 mil crianças e adolescentes aguardando pela adoção e mais de 22 mil pessoas dispostas a adotar. Cerca de 80% das famílias interessadas, no entanto, procuram filhos adotivos de até 3 anos - apenas 7% das crianças cadastradas ainda estão nessa faixa etária.

“A lei não vai mudar isso. Essa preferência tem razões culturais e é necessário um processo educativo para mudar”, disse a psicóloga ,apontando a necessidade de políticas sociais para estimular a adoção de crianças mais velhas e adolescentes.

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

Estudantes ribeirinhos terão lanchas para ir à escola

A partir do ano que vem lanchas escolares transportarão, de forma segura e confortável, os estudantes da educação básica pública residentes em regiões ribeirinhas. O termo de cooperação para a construção de 600 lanchas foi firmado na quarta-feira (28), entre o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e a Marinha do Brasil, em solenidade realizada em Brasília.

O acordo terá duração de dois anos e quatro meses. Das 600 lanchas escolares, 180 serão entregues em 2010; outras 360 em 2011 e as últimas 60, em 2012. O investimento será de R$ 134,5 milhões. As embarcações serão construídas nas bases navais de Val-de-Cães, em Belém (300 unidades), de Natal (200) e de Aratu, em Salvador (100).

O acordo faz parte do termo de compromisso firmado em 15 de julho deste ano entre o Ministério da Educação e o Ministério da Defesa para a produção inicial de 1,5 mil lanchas, com meta final prevista de três mil unidades, destinadas a municípios de áreas ribeirinhas.

Terão prioridade no recebimento das embarcações os municípios da região Norte. “Estima-se que 40% dos alunos dessas localidades usem barcos ou canoas para ir à escola”, disse o coordenador-geral do programa Caminho da Escola, José Maria Rodrigues de Souza. Dados preliminares da Pesquisa Nacional de Transporte Escolar, realizada pelo FNDE, revelam que pelo menos 208 municípios usam embarcações para transportar estudantes.