quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Férias


Feliz Natal!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Acuados pela comunicação mercadológica, pais cedem ao consumismo infantil

Na opinião da psicóloga do Projeto Criança e Consumo, Maria Helena Masquetti, do Instituto Alana, muitos pais não enfrentam o bombardeio da comunicação mercadológica porque também cresceram nesse ambiente de assédio dos meios de comunicação, que impera desde os anos 50, com o advento da televisão.

Ela acredita que parte da sociedade percebe claramente que não há condições de administrar as necessidades e emoções de todas as pessoas que foram empurradas para um consumismo que nem o planeta aguenta mais. No entanto, como isso já vem sendo construído há muito tempo, a lógica do consumo fez e faz parte da vida desses pais, que hoje se veem em dificuldade para conseguir conter o consumismo dos filhos.

“Eles se desenvolveram nessa lógica. Não é tão fácil para eles radicalizarem e mudarem tudo. O que é preciso é ter sempre uma contraorientação. É importante que eles saibam que não estão sozinhos, que muita gente está se dando conta dos estragos que foram feitos até agora por conta desse domínio do interesse comercial”, afirmou.

Do berço ao túmulo

Ex-publicitária e psicóloga, Maria Helena Masquetti acredita que a comunicação mercadológica se consolidou mudando a cabeça das pessoas e pregando filosofias de vida em nome de vender produtos. Quando a criança começou a ter acesso a um volume muito grande de informações por meio da televisão, o adulto perdeu espaço na formação dos filhos e foi enfraquecido como portador do conhecimento.

Segundo ela, hoje assistimos ao resultado da idéia disseminada por diversos autores da área de propaganda e marketing para garantir a fidelidade do consumidor “do berço ao túmulo”. As pessoas são capturadas para prestar culto à mídia pela vida inteira. Quebrar essa lógica exige muito empenho.

“Tem muito dinheiro colocado, o poder é muito grande. Mas, você vai fortalecendo esses pais, lembrando que ser pai de um adolescente ou de uma criança, não é colher o retorno gratificante no exato momento. Para isso, a gente tem pai e mãe, porque eles ficam com a parte mais difícil mesmo. Eles colocam o que é certo, colocam limites, dizem não”, afirmou.

A psicóloga reconhece que para muitos pais é difícil esperar a vida inteira que os filhos cresçam e amadureçam para reconhecer o importante papel desempenhado por eles impondo limites e educando. E os adultos também têm dificuldade para reconhecer que as necessidades das crianças são legítimas, foram criadas para elas. Meninos e meninas são vítimas do bombardeio mercadológico e realmente se sentem angustiados porque acreditam que precisam consumir.

“Só o fato de gostar dos filhos, porque amam os filhos, que lhes dão paciência e maturidade para tolerar rebeldia e irritação, porque eles não têm condições de saber que o assédio é muito grande pra cima deles.”

Segundo a psicóloga, é uma violência muito grande quando o marketing apela: “só falta você, venha para o mundo!”, pois a angústia da criança e do adolescente é ser aceito pelo grupo. O medo de ser excluído, abandonado está presente em todas as pessoas desde o nascimento.

“A comunicação sempre mostra várias crianças fazendo parte do novo brinquedo ou da nova moda. Está fazendo de propósito, tocando no ponto vulnerável da criança propositadamente para que ela se sinta excluída e, com isso, vá desesperadamente pedir aquele objeto”, explicou.

Maria Helena lembra que toda ação de marketing é amparada por pesquisas apuradas, que apontam a melhor forma de conquistar e fidelizar o consumidor. “A pesquisa é engendrada para saber em que ponto mais vulnerável vou tocar na criança. Quando descubro que a criança tem pavor de ser excluída do grupo, é claro que vou mudar a minha comunicação por aí”, afirmou.

Briga entre o sim e o não

Nessa batalha desleal, abatidos pelas mesmas ações de marketing, estão os pais, “com medo de parecerem os chatos, os caretas”. Eles veem a própria autoridade ameaçada por um mercado que diz sim e tem sempre uma resposta agradável e sofisticada para as dúvidas infantis. No confronto entre o sim e o não, a criança acaba perdendo o apreço pela autoridade materna e paterna, fragilizada pela autoridade “boazinha” do mercado.

“A comunicação mercadológica nunca diz não. Ela diz sim, você pode, você merece, você isso e aquilo. E a criança, como o bombardeio é muito grande, acaba desenvolvendo tantos desejos, que ela acha que precisa, porque foi convencida de que se tiver aquelas coisas ou se comportar de certa forma, ela vai ser mais feliz, mais aceita e mais amada. Ela vai implorar o máximo que puder para obter aqueles objetos ou confortos dos pais. E os pais vão acabar tendo uma demanda muito grande e vão responder muitos nãos”, afirmou

Para o psicóloga, a melhor forma de filtrar as mensagens endereçadas às crianças e aos adolescentes é a presença dos pais. “É a grande oportunidade de mostrar para o filho que ela passa pelo filtro dele. Ele exerce um poder diante da televisão com a sua opinião. Como a criança não tem opinião ainda, estando mais próxima dos pais, ela começa a perceber que eles têm opinião, e que eles exercem opinião. A gente aconselha muito que as crianças não tenham televisão nos quartos para evitar o isolamento e que elas acessem o que queiram, sem critério”, ressaltou.

Família margarina

Quem nunca se irritou com a família perfeita das propagandas de margarina? Para a ex-publicitária e psicóloga, é um exemplo gritante da banalização da autoridade dos pais, pois a criança acredita naquele modelo e é próprio da infância transitar facilmente entre a fantasia e a realidade.

Ela confronta o que vê em casa com aquele mundo mágico do pai que nunca está bravo, a mãe que está sempre linda, e os adolescentes que não estão discutindo na mesa, estão amistosamente conversando sobre o sabor da margarina.

“Aquele mundo mágico está ali, tão bem na frente dela, ela não tem condições de dizer estão me mostrando uma realidade que não é a minha, não é de ninguém que eu conheço, não é dos meus amiguinhos”, explicou.

Segundo a psicóloga, a criança deixa de dar valor à própria família quando é induzida a pensar que os pais são uma porcaria em comparação àquele modelo da televisão. Na cabecinha dela, eles não têm competência para construir uma família tão perfeita. Esse tipo de mensagem incita uma desordem, uma desorganização da família que traz prejuízos para o desenvolvimento infantil. É muito importante para o equilíbrio emocional da criança, corpo e mente integrados com aquilo que ela é.

“O que a criança mais precisaria é dar valor ao que ela tem, à família dela. Por pior que seja a realidade da pessoa, psiquicamente, a melhor coisa é que ela viva dentro da realidade dela, seja ela qual for. Sair da realidade por que não suporta, porque é ruim, porque é feia, vai fazer com que essa pessoa tenha muitos problemas emocionais”, afirmou.

A criança precisa conhecer a realidade do mundo sem arcar com responsabilidades, pois não tem juízo crítico desenvolvido para entender o que é persuasão nem sedução. Cabe aos pais assumir essa tarefa de protegê-la do assédio, impedindo que ela seja induzida ao erro.

“Por que o consumismo acaba triunfando tanto? Porque quando a criança está pedindo para o pai ou para mãe desesperada, mostrando que ela é a mais infeliz do planeta porque não tem, ela não está sendo malandrinha , ela está defendendo o direito à participação social dela. Ela fala como se o pai e a mãe não estivessem entendo o drama que ela está vivendo”, explicou.

Se a criança investe emoção verdadeira, se está apavorada, e acaba convencendo os pais, é porque foi exposta até que aquela necessidade fosse criada dentro dela. Os adultos é que precisam estar atentos para conter o abuso sobre a capacidade de projetar desejos e anseios, não as crianças.

Maria Helena Masquetti é ex-publicitária e psicóloga do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Dica para o final de semana com as crianças

Domingo - 20 de Dezembro – 11 horas

Coral da Gente. José Batista Junior, clarinete. Orquestra Sinfônica Heliópolis. Roberto Tibiriçá, regente.

Programa: Villa-Lobos - Bachianas brasileiras N. 4. Max Bruch – Romanze. Tchaikovsky - Suite “O Quebra-Nozes”. Irving Berlin. Caldas/ Cavalcanti. Tradicionais natalinas - Noite feliz; Adeste Fidelis; Ó povos da Terra; Róseo menino; Gloria in excelsis Deo; Pinheirinhos; Ó Pinheiral.

Ingressos: R$ 2,00

Sala São Paulo
Pça. Julio Prestes, s/n – Luz
Fone: 3367-9500.

Notícias importantes

Crianças e Adolescentes Desaparecidos

Foi sancionada, nesta quinta-feira, a lei que autoriza a criação do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos, que deverá informar as características físicas e os dados pessoais das crianças e dos adolescentes desaparecidos.

O cadastro deverá integrar, em tempo real, o Ministério da Justiça, as secretarias de Segurança Pública de todo o país, organismos internacionais e a sociedade em geral.

Excesso de TV

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar divulgada, nesta sexta-feira, pelo IBGE, revelou que 79,5% dos estudantes de 13 a 15 anos, de escolas públicas e particulares ficam duas horas ou mais por dia diante da TV. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda apenas uma hora diária.

A pesquisa do IBGE também mostrou que 43,1% dos entrevistados não praticavam atividades físicas regularmente. O hábito ainda é mais frequente entre os homens (56,2%) do que entre as mulheres (31,3%). A prática esportiva está mais na rotina dos alunos da rede privada do que da pública.

O tempo dedicado à TV, computador e videogame está relacionado aos índices de sobrepeso e obesidade pela associação ao consumo exagerado de alimentos calóricos, como refrigerante, e baixo de frutas e vegetais, além de pouco gasto de energia.

Álcool e drogas

Ainda sobre a pesquisa do IBGE com 490 mil estudantes entre 13 e 15 anos: mais de 70%deles já experimentaram bebida alcoólica, cerca de 24,2% já fumaram cigarro e 8,7% usam droga ilícita.

Os dados mostram que 22,1% já se embriagaram. As meninas (73,1%) experimentam mais as bebidas do que os meninos (69,5%). O consumo é maior entre os alunos de escolas privadas (75,7%) do que das públicas (70,3%).

A bebida alcoólica é consumida em festas (36,6%), em supermercado, loja ou bar (19,3%), com amigos (15,8%) e em casa (12,6%).

Entre as capitais pesquisadas, Curitiba tem o maior percentual de adolescentes que já se embriagaram (30%) e que já consumiram algum tipo de droga ilícita (13,2), tais como maconha, cocaína, crack, cola, loló, lança perfume, ecstasy.

Fumo

Em Curitiba (PR), está o maior percentual (9,9%) de estudantes que consumiram cigarros nos 30 dias antes da pesquisa e também que experimentaram o produto uma vez na vida (35%). Em Campo Grande (MS) 32,7% declararam ter experimentado o cigarro, e 9,3%, ter fumado nos últimos 30 dias.

Na relação da atitude das crianças que fumaram e a influência dos pais fumantes, 31% dos estudantes tinham responsáveis que fumavam. O estudo aponta o tabaco como um dos determinantes para o desencadeamento de doenças crônicas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é líder nas causas de mortes evitáveis em todo o mundo.

Meninas comem mais guloseimas

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar também revelou que dos estudantes entre 13 e 15 anos , 58,3% das meninas e 42,6% de meninos comeram produtos considerados não saudáveis nos cinco dias anteriores às entrevistas. Naquela semana, 490 mil alunos disseram ter comido guloseimas.

O consumo desses produtos é maior do que a ingestão de frutas frescas (31,5%) em todas as cidades avaliadas na pesquisa. Entre as guloseimas preferidas estão os refrigerantes (37,2%), batata frita (4,7%) e os salgados fritos (12,5%). Esse último, mais consumido nas escolas privadas (14,3%) do que nas públicas (12%).

Os alimentos saudáveis mais consumidos foram o feijão (escolas públicas) e as hortaliças (escolas privadas).

Edição: Educar e Cuidar
Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Postura crítica dos pais reduz impacto das mídias eletrônicas nas mentes infantis

Conversei com a psicóloga Maria Helena Masquetti, psicóloga do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, sobre o impacto dos discursos violentos, preconceituosos e conservadores, veiculados pela mídia, nas crianças.

Comentei o assunto aqui (http://www.educarecuidar.com/2009/12/como-os-discursos-violentos.html), depois de ouvir em um noticiário de rádio, um jornalista defendendo o suicídio como forma de eliminar os corruptos da cena política brasileira.

Na avaliação da psicóloga Maria Helena Masquetti, as crianças de todas as idades captam de alguma maneira tudo o que ouvem e veem, mas a forma como armazenam na memória e usam as informações é muito diferente, muito particular.

A compreensão da criança se dá em níveis diferenciados e graduais. O interesse é determinado pelo comportamento da família diante dos fatos e imagens do dia a dia. Ela costuma prestar mais atenção aos temas que os pais dão importância e na medida do envolvimento deles com o assunto. Se os pais discutem política ou são fanáticos por futebol, ela percebe que as informações sobre esses temas merecem atenção e procura compreender para se inserir no mundo adulto.

A criança é exposta a conteúdos não direcionados a ela, simplesmente porque está em um ambiente com algum aparelho ligado. Mas, segundo a psicóloga, ela jamais vai imaginar que o adulto não se deu conta de que ela estava ali e não teve critério para colocá-la em contato com aquele discurso.

Desde pequeninhas, as crianças têm muita curiosidade em relação ao mundo adulto e todos os assuntos chamam atenção, pois ela se prepara para entender e ser inserida nesse mundo, captando tudo como exemplo.

“Ela não imagina que o adulto não teve o critério de se lembrar que ela ainda não está preparada para ouvir. Ela confia que, se está sendo divulgado ali, é para os ouvidos dela. E acaba entendendo que ela tem que compreender aquelas coisas”, explicou.

Os meios de comunicação são encarados como confiáveis porque foram colocados dentro de casa pelos pais. “Em princípio ela confia, ela só tem essa alternativa. Ela nem pode contar com essa hipótese (de que os pais não se lembraram da presença dela) porque daria uma insegurança muito grande para uma criança. Ela quer acreditar que todo mundo está envolvido e preocupado com ela”.

A psicóloga afirmou que memórias são gravadas pela criança muito pequena apenas na forma de sensações, não têm nome, não têm um significado claro. E, quando adulta, talvez ela tenha dificuldade para compreender e lidar com essas sensações.

Até que se torne uma pessoa desenvolvida, capaz de refletir e rever alguns conceitos, essa criança terá enfrentado problemas por acreditar que algumas coisas eram normais. “Nós somos constituídos por tudo aquilo que vamos assimilando. Uma educação ruim, uma atitude agressiva, ela vai entendo aquilo como sendo o natural da vida dela, o correto”.

Maria Helena disse que os pais devem tomar cuidado com a seleção de conteúdos porque a criança muito exposta a informações do mundo adulto perde a divisória do que é apropriado para a idade dela e o que não é. Com isso, acha que pode atuar e ter desejos que ainda não tem condições de administrar e se coloca em risco.“É um perigo isso, e é uma violência também."

Segundo ela, a autoridade e a credibilidade dada aos meios de comunicação é determinada pelos pais. "Todas as telas, do celular ao computador e à televisão, quem colocou ali foram os adultos, então, todas aquelas informações que entram por meio desses equipamentos são autorizadas pelos pais dela, pela autoridade máxima dentro de casa”, explicou.

A psicóloga disse que “felizmente, os pais ainda são a maior autoridade na vida da criança”, e eles podem atenuar muito os efeitos nocivos dos meios de comunicação com posturas críticas, de desaprovação e de censura.

Ela percebe se eles ficam irritados, se levantam, se trocam de canal. Com essas atitudes, eles funcionam como filtros, reduzindo ou eliminando o impacto de uma mensagem inadequada aos olhos da família. Mas a criança também percebe se os pais cultuam a televisão, se prestam audiência, se seguem o conselho de um apresentador, se compram um produto que viram na propaganda.

“A criança percebe outra autoridade à qual eles também se submetem. Então, é mais fácil ainda acreditar, prestar atenção, tentar imitar e fazer aquilo que é proposto. O pai ainda é a maior autoridade, o problema é que por tanto assédio da mídia em geral, os pais foram perdendo a certeza da própria autoridade e de que eles estão certos”, afirmou.

Maria Helena acredita que o exemplo dos pais é mais forte do que o apelo da mídia. E a melhor maneira de proteger a criança é desviar a atenção dela de um conteúdo indesejado, mudar de canal ou falar de um outro assunto.

“É muito mais fácil tirar da televisão sem discurso. Ficar falando você não pode ficar ai, é colocar muita crítica sobre os ombros da criança. Proteger é tirá-la daquele contexto, é chamá-la para outra atividade”.

A psicóloga insiste que a vulnerabilidade da criança é muito grande, e não é possível protegê-la de tudo o que acontece. Ela acabará sabendo de um acidente, de um assalto, mas é importante transmitir calma diante desses acontecimentos. Muitas vezes, as crianças nem perguntam sobre o que viram ou ouviram, apenas demonstram que foram impactadas por meio de uma frase solta durante uma brincadeira ou tentando reproduzir cenas com os brinquedos.

“Quanto mais empatia dos pais com a criança, se a criança não está à mercê da mídia, nem precisa conversar. É estar atento à criança quando ela demonstra que precisa de alguma explicação. Ela dá sinais numa brincadeira, no tempo dela, no ritmo dela, não precisa se adiantar em explicar”, afirmou.

Eu também conversei com a psicóloga sobre consumismo infantil, assunto para outro post.

Maria Helena Masquetti é ex-publicitária e psicóloga do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana

Notícias interessantes

Estão na Agência USP

Diagnóstico pessimista prejudica bebês com Síndrome de Down
http://tinyurl.com/yc8rjb4

Cartilha para gestantes tira dúvidas sobre a gravidez
http://tinyurl.com/y9ftyrw

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Aleitamento materno protege crianças das alergias

Algumas manifestações alérgicas são mais frequentes no verão, provocadas pelo forte calor ou por comportamentos típicos dessa época. As crianças alimentadas com leite materno por seis meses ou mais têm menos risco de desenvolver essas doenças.

Segundo o pediatra Dirceu Solé, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia e professor titular do Departamento de Pediatria da Unifesp, o aleitamento materno protege contra as doenças infecciosas, diminuindo o número de diarréias e de resfriados, quadros que predispõem ao aparecimento mais precoce das doenças alérgicas.

Ele adverte que a amamentação exclusiva com leite materno até os seis meses deve ser ainda mais valorizada e estimulada para crianças que têm histórico de alergias na família.

O fator genético é muito importante em relação às doenças alérgicas. Os filhos de alérgicos têm de 60 a 70 por cento mais chance do que as outras crianças de desenvolver algum tipo de alergia ao longo da vida.

Brotoeja
As brotoejas são reações alérgicas muito comuns no verão. As manchinhas vermelhas se espalham pelo corpo e podem causar coceira e irritação, principalmente nos bebês.

Em geral, as brotoejas não precisam ser tratadas com medicamentos. Para evitar o surgimento ou aliviar os sintomas, a criança deve ser protegida do calor excessivo para diminuir a transpiração: roupas bem leves, banho com água morna e ambiente arejado são as principais medidas.

Segundo o pediatra Dirceu Solé, a brotoeja aparece em regiões de grande transpiração, principalmente em torno das axilas, dobras do braço, pescoço, atrás da orelha e nuca. “É o suor que fica retesado na glândula que produz o suor. Ele não consegue escapar e fica produzido dentro da glândula provocando uma inflamação”. Eventualmente, a brotoeja pode aparecer na região da fralda, mas, nesse caso, é bom ficar atento para outras possibilidades. Se houver uma assadura associada pode ser uma micose.

Urticárias
As urticárias, frequentes em período de calor, podem ser reações alérgicas provocadas pelo consumo exagerado de sorvetes, refrigerantes e outras guloseimas típicas do verão, ricas em corantes e conservantes.

Outros alimentos comuns nessa época do ano, principalmente em regiões de praia, como lagosta, camarão e frutos do mar, também podem causar alergias pelo abuso na ingestão ou quando a criança entra em contato pela primeira vez.

As urticárias são placas vermelhas que se espalham pelo corpo e causam muita coceira. Em alguns casos, provocam inchaço na boca e nos olhos.

Para aliviar a coceira na fase aguda, um médico deverá receitar um anti-histamínico e, em casos mais graves, um corticóide oral.

Protetor solar
O pediatra disse que muitas crianças apresentam irritação na pele provocada pelo uso de protetor solar. Para evitar o problema, segundo ele, crianças de todas as idades devem usar apenas os produtos infantis e nunca os protetores ou bloqueadores solares dos adultos.

Dirceu Solé é pediatra, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia e professor titular do Departamento de Pediatria da Unifesp – Universidade Federal de São Paulo.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Crianças usam xixi e cocô para mostrar que algo não vai bem com elas

Mesmo quando há uma disfunção do aparelho urinário ou do sistema de excreção, os casos de enurese e encoprese resultam de uma articulação entre problemas emocionais e orgânicos. Essa é a avaliação da psicóloga e psicanalista Márcia Regina Porto Ferreira, estudiosa do assunto. De acordo com ela, “o fator psíquico está presente para dar significado à causa orgânica” desses transtornos.

Segundo a psicanalista, considerando a frequência dos casos entre crianças e adolescentes, “enurese é mais expressivo e encoprese é mais preocupante”. A enurese está relacionada com o sentido dado pela criança às relações de prazer e de desprazer na troca de afetos com as pessoas. A encoprese é um chamado mais “radical”, mais incômodo, está mais ligado a aquilo que causa horror e repulsa. Culturalmente, a “convivência com o xixi é mais fácil, mais aceitável do que com o cocô. A urina chama atenção, é importante verificar. As fezes, é para não ter dúvida de que alguma coisa mais grave está sendo denunciada”, afirmou.

Nos dois casos, os transtornos são diagnosticados quando há alguma frequência nos episódios de xixi e cocô nas calças, seja durante o dia ou à noite. Até as famosas “escapadinhas”, quando a criança está brincando e não quer parar para ir ao banheiro, merecem atenção, mesmo que não sejam tão frequentes.

A psicanalista disse que a tolerância é maior quando a criança está dormindo, pois o controle diurno é mais simples e adquirido antes do noturno. O controle automatizado, exigido durante o sono, é mais demorado. E para não sobrecarregar a criança, é bom que se tomem medidas que possam ajudá-la, como não oferecer líquido perto da hora de dormir. Em situações de maior dificuldade, as mães podem levar a criança ao banheiro durante a noite para que, aos poucos, ela aprenda a controlar.

Encerrado o período de treinamento, quando a criança já adquiriu o controle esfincteriano diurno e noturno, ou quando esse processo é muito esticado, os episódios de xixi ou cocô na calça começam a denunciar problemas. A urina e as fezes fazem parte dos recursos de linguagem infantil, servem para dar sinais de que alguma coisa não vai bem.

Nem sempre os casos de enurese e encoprese estão relacionados a problemas desenvolvidos durante esse processo de aquisição do controle esfincteriano. O xixi e o cocô são impregnados de muitos significados e as dificuldades relacionadas a eles podem ter origem anterior ou posterior ao período de retirada das fraldas. Em qualquer momento da vida da criança, esses transtornos no controle dos esfíncteres podem aparecer. Mas os treinamentos muito severos, sem o carinho que essa passagem merece, costumam deixar sequelas.

Limites
Ensinar a criança onde e quando fazer xixi e cocô faz parte do cardápio de limites que os pais precisam apresentar para as crianças. Para a psicanalista, como colocar limite com amor “é a dúvida que todo mundo precisa ter e carregar para o resto da vida”. Segundo ela, ser firme sem ser violento não é fácil, mas, é extremamente necessário. “Ser mãe não é fácil. O humano é complicado! Mas é preciso ter a convicção de que o limite é absolutamente fundamental”, afirmou.

Segundo a psicóloga, crianças com enurese, em geral, insistem em se manter em um estágio primário, regredido e dependente. Mas também existem aquelas ”mais malandrinhas”, que manipulam e garantem a presença da mãe por meio do xixi. De qualquer forma, são crianças que não atingem o estágio de desenvolvimento psíquico próprio da idade e não conseguem se interessar por outras coisas, se preparar adequadamente para novas aquisições.

Abrigos
Marcia Porto Ferreira trabalha com crianças abrigadas e o número de casos de enurese e encoprese entre elas é muito grande. Segundo a psicanalista, a situação nos abrigos é uma evidência importante de como fezes e urina se prestam para mostrar a precariedade psíquica das crianças.

Os transtornos atingem com frequência crianças de até 10 anos de idade. São crianças que denunciam, dessa forma, situações de desamparo muito grande e até de pânico. “Em situação de pânico, até adulto faz xixi nas calças!”, afirmou.

A psicanalista explicou que as crianças vítimas de negligência ou violência foram fragilmente estruturadas psiquicamente porque não tiveram um amparo consistente no ambiente familiar, não foram cuidadas nem amadas.

Segundo ela, quando uma criança de 10 anos fica brincando até fazer cocô nas calças, é porque vive em total falta de sintonia com o próprio corpo. Se um menino permanece indiferente aos sinais que recebe do corpo, não consegue dar uma resposta que crianças tão pequenininhas já conseguem, é por que algo muito importante está acontecendo.

Pum
Marcia Porto Ferreira disse que é bom prestar atenção até nas crianças que soltam muito pum por aí. “O próprio peido público, dá pra se ligar que tem uma agressão aí!”. Segundo ela, tudo o que gira em torno das fezes, que é da ordem do nojento, pode demonstrar como cada um lida com o desagradável. Por mais que vire uma brincadeira, essa pode ser uma maneira de a criança colocar para fora as suas contrariedades e motivações pouco amorosas. Os adultos também!

Marcia Regina Porto Ferreira é psicóloga e psicanalista, coordenadora do Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae e autora do livro “Transtornos da Excreção: Enurese e Encoprese”.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Criança é isso IV

Fulaninho, 3 anos

Fulaninho sai todo contente para a festa do vizinho, no salão do prédio onde morava, para a qual se convidou. Depois de um tempo se divertindo, fulaninho briga com o aniversariante e leva pior, pois era menor. Indignado com a falta de cordialidade do anfitrião, fulaninho mergulha na caixa de presentes, resgata o pacote que levou, e vai embora para casa. Quando chega, a mãe questiona sobre o retorno antes do previsto e o embrulho na mão. Fulaninho explica: “Já comi, já bebi, já brinquei..., ele me bateu, não vou dar presente”.

Fulaninha, 3 anos

Fulaninha nasceu corinthiana e já recitava “Aqui tem um bando de loucos, loucos por ti, Corinthians”, quando mal sabia pronunciar as palavras. Portanto, sabia como o time de futebol é tema importante para a família. Um dia desses, muito contrariada com uma bronca que levava, depois de ouvir atentamente por alguns minutos, olho no olho com o pai que falava seriamente, disparou, com a mãozinha erguida, punho fechado: “Palmeeeeeeiiiiras!”. Desconcertado, o pai disse que não tinha gostado da brincadeira (eufemismo para baita provocação). Depois de dizer, “é brincadeira, papai, eu sou corinthiana”, fulaninha saiu de fininho, pois tinha se livrado da bronca.

Fulaninho, 2 anos

Quando fulaninho estava muito agitado e com dificuldade para sossegar e dormir, a mãe costumava brincar: “macaquinho, vem aqui trazer o sono do fulaninho; coelhinho vem me ajudar fazer o fulaninho dormir; vaquinha vem trazer o sono do fulaninho...” Com uma risadinha e uma mexidinha no corpo para se ajeitar, fulaninho dava o sinal de que estava pronto para dormir e que a mãe podia parar com a ladainha. Uma tarde dessas, fulaninho ficou no berço falando sozinho, um tempão, sem conseguir dormir, até começar a chamar a mãe. Ela entrou no quarto e perguntou: “Fulaninho, por que você não dormiu até agora?” E ele respondeu prontamente: “É que o macaquinho levou o meu sono embora!” Ganhou muitos beijos e saiu contente para brincar.

Dica para o final de semana com as crianças

Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo no Parque Villa-Lobos

Domingo – 13 de dezembro - 10 horas

Programação: apresentações do Coro Infantil da Osesp, com canções folclóricas e natalinas de diversos países; do Coro Juvenil, do Coro da Osesp, e do violinista Samuel Dias (aluno da Academia da Osesp )

Por volta do meio dia - apresentação da Osesp

Parque Villa-Lobos
Av. Professor Fonseca Rodrigues, 2001
Alto de Pinheiros

Fonte: site da Osesp

É bom saber

Quem vai para a 1ª série

Começa no ano que vem a implantação de uma nova regra para o ensino fundamental de nove anos: só vão cursar a primeira série, as crianças que completarem seis anos de idade até o dia 31 de março do ano de ingresso. A resolução do Conselho Nacional de Educação, aprovada nesta quinta-feira, servirá de base para o projeto de lei que o governo federal deverá enviar ao Congresso Nacional.

Em 2010, haverá uma transição para a nova regra. As escolas deverão aceitar as matriculadas para o primeiro ano das crianças que fizerem aniversário depois de 31 de março, mas que tenham cursado a pré-escola. Esse período foi estabelecido para não prejudicar os alunos egressos da pré-escola, com o adiamento da promoção para o Ensino Fundamental. Após essa data, todas as crianças que completarem seis anos a partir de 1º de abril do ano letivo deverão ser matriculadas na pré-escola. A resolução do CNE ainda precisa ser homologada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad.

Crianças com aids

O Núcleo de Estudos sobre Infecção Materna, Perinatal e Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP vai estudar a eficiência dos medicamentos Raltegravir e Vicriviroc para tratamento de crianças infectadas pelo vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), em colaboração com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH).

A professora Marisa Mussi Pinhata, do Departamento de Puericultura e Pediatria, da USP- Ribeirão, coordenadora do estudo, disse que o objetivo é verificar se esses dois medicamentos são efetivos para o controle da infecção pelo HIV em crianças cujas opções de tratamento, atualmente disponíveis, não estejam dando resultados.

Segundo a professora, a grande maioria das crianças responde ao tratamento inicial, mas há situações em que os vírus que elas portam tornam-se resistentes aos medicamentos. Elas podem adquirir o vírus resistente da mãe ou desenvolver a resistência por uso irregular ou prolongado da medicação. Cada situação é única.Serão selecionadas dez crianças para o estudo.

Dados do Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) indicam que, em 2008, 430mil crianças e adolescentes foram contaminadas com o vírus HIV e o número de mortes em consequência da doença chegou a 280 mil em todo o mundo. Nos últimos oito anos, foram 77 mil mortes só na América Latina, que passou de 6,2 mil para 6,9 mil crianças infectadas neste mesmo período.

Edição: Educar e Cuidar
Fonte: Agência USP e G1

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Abandonar as fraldas é desafio para mãe e filho

Fazer xixi ou cocô nas calças, depois de uma certa idade, são transtornos que podem estar relacionados a fatores orgânicos, psíquicos ou ambos. Eu conversei sobre isso com a psicóloga e psicanalista Marcia Regina Porto Ferreira, coordenadora do Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae e autora do livro “Transtornos da Excreção: Enurese e Encoprese”.

Ela descarta qualquer explicação taxativa ou definitiva sobre a questão. Mas, na avaliação da psicanalista, mesmo quando há alguma causa fisiológica para um desses transtornos, sempre haverá um aspecto psíquico relacionado. Foi sobre isso que conversamos.

A psicanálise enxerga as possibilidades dos pais e das crianças para cumprir essa etapa do desenvolvimento, de controle voluntário dos esfíncteres. Portanto, são muitos fatores e combinações de motivos que podem levar aos diagnósticos de enurese (urina) e encoprese (fezes).

Segundo ela, de maneira geral, por volta de três anos, a criança tem capacidade para controlar o xixi e o cocô, e está pronta para os hábitos normais de higiene sem o auxílio das fraldas. Portanto, se a partir daí, a criança não exerce esse controle, é bom que os pais comecem a se preocupar e a procurar uma ajuda profissional.

“Depois dos três anos, ainda não tem controle esfincteriano, chama a atenção. Não dá para afirmar do que se trata, mas é preciso avaliar o que está acontecendo. Exige um estudo para ver porque esse controle dos esfíncteres está ainda tão adiado. Porque, apesar do treino e da estimulação, a criança não está conseguindo responder”, explicou.

A psicanalista afirmou que não existem receitas prontas para tirar as fraldas da criança. Não há como determinar uma data para começar nem para terminar o processo, que pode ser mais rápido ou mais demorado, dependendo das habilidades dos pais para convencer a criança de que saber onde e quando fazer xixi e cocô é importante para a vida dela. Primeiro, os pais precisam estar convencidos disso.

Marcia Porto Ferreira ressalta que esse ensinamento é uma vivência amorosa para pais e filhos e deve ser feito com carinho e sem pressa. Eles não devem buscar receitas, mas é bom que conversem e procurem informações. Mas lembra que nem os chamados especialistas podem dar todas as respostas sobre como exercer as funções materna e paterna.

A psicanalista disse que cabe aos pais inventar a própria relação e a maneira como lidar com essa etapa do desenvolvimento, pois a criança precisa ser ajudada sem urgência e sem violência porque é uma despedida de algo importante e prazeroso para ela.

Muito mais importante do que os recursos adotados para o treinamento, é a disposição de mãe e filho para renunciarem a um prazer que compartilham desde o nascimento. O cocô e o xixi, geralmente, são recebidos com muito entusiasmo, como um momento típico da relação entre a mãe e o bebê. Quando não é encarado assim, os problemas podem surgir.

Márcia Porto Ferreira ressalta que não se trata de condenar a mãe que tem dificuldade em lidar com a urina e as fezes da criança, é preciso procurar entender os motivos dela. A intolerância muito grande e a pressa para o controle esfincteriano têm significado relevante.

“Não é uma crítica. Tem mãe que tem nojo de limpar as fezes da criança. Se embevecer com o coco é uma possibilidade que nem todo mundo tem. Quando é muito difícil para uma mãe, quando ela é obcecada por limpeza, diante das fezes e da urina, ela pode ficar muito incomodada e tem uma urgência de se desfazer disso”, explicou.

Por outro lado, uma das possibilidades para explicar casos de enurese é a dificuldade da mãe de ver o filho crescer e se tornar cada vez mais autônomo em relação a ela. A psicanalista acredita que nem sempre essa postura é consciente. A mãe pode estar honestamente querendo contribuir para o desenvolvimento, mas, por alguma razão, está mantendo o filho como um bebezinho, atrelado a ela.

“Pode ser complacência muito grande da mãe. Algumas mães têm tanto prazer de ter o seu bebê, que assistir o bebê crescendo e se tornando independente dela, é visto como uma perda, se vive como uma perda. Algumas mães prolongam a amamentação ou o controle dos esfíncteres para manter esse bebê por mais tempo com ela, sob os cuidados dela”, explicou.

A criança costuma ficar animada quando percebe que crescer é bom. Essa percepção depende muito da relação dela com os pais. Marcia Porto Ferreira disse que ela capta muito o olhar e o entusiasmo dos pais e são eles que fazem um convite para o crescimento. Não são apenas as comemorações para cada xixi ou cocô que acertam na privada ou no penico que estimulam a criança. É importante o entusiasmo com o sucesso em todas as tentativas dela para crescer.

“O repertório de criança é limitado. É na fala, no xixi, no coco, na comida que a criança comunica que alguma coisa não está caminhando bem. Mesmo que a criança esteja muito feliz, é mostrar que não está bem no sentido de promover o crescimento dela”.

A psicanalista se recusa a dar dicas de como agir no treinamento do controle dos esfincteres. Para ela, cada um deve fazer do seu jeito, com brincadeiras e carinhos para estabelecer a troca com a criança, pela renúncia que ela faz ao abandonar o aconchego das fraldas. Mas deixou escapar uma atitude que considera errada: “Você vai ficar sentado aí até fazer!”, deixar a criança presa no banheiro, não pode.

Marcia Porto Ferreira falou do número elevadíssimo de casos de enurese nos abrigos de crianças. Para ela, essa é uma evidência de como o xixi é usado como forma de linguagem para denunciar a precariedade psíquica das crianças e situações de desamparo muito grande.

Marcia Regina Porto Ferreira é psicóloga e psicanalista, coordenadora do Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae e autora do livro “Transtornos da Excreção: Enurese e Encoprese”.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Problemas de saúde mental na infância prejudicam desempenho escolar

Os problemas de saúde mental comprometem o processo de ensino e aprendizagem de diversas formas. Nos primeiros anos de vida, é possível identificar os transtornos mentais ou a inclinação da criança para desenvolver uma doença no futuro. Os médicos, por meio das queixas da família, podem identificar sintomas ou desvios em relação aos comportamentos considerados normais para cada idade.

Além da dislexia e do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), que atingem cerca de 5% das crianças em idade escolar, qualquer transtorno que interfira na saúde mental dificulta o aprendizado.

Os diagnósticos mais comuns são depressão, ansiedade, transtorno do humor bipolar e transtorno do pânico. Com frequência bem menor, está a discalculia, provocada pela deficiência de funcionamento da área cerebral responsável pela habilidade para compreender números e fazer cálculos.

Para o neurologista da infância, Marco Antonio Arruda, a demora no diagnóstico gera muito sofrimento e prejuízos para as crianças e as famílias, angustiadas pela ausência de explicação para o fraco desempenho no processo de ensino e aprendizagem.

Ele adverte que a criança é quem mais sofre pela falta de uma intervenção médica. “É trágica a situação de passar despercebido um caso de transtorno do humor bipolar. É uma situação em que o suicídio é muito frequente, é a principal causa de suicídio em crianças e adolescentes. Portanto, se atrasar o diagnóstico, é questão de vida ou morte para essa criança. A mesma coisa da depressão infantil”, afirmou.

Segundo o neurologista, os sintomas de depressão em crianças são bem diferentes dos apresentados pelos adultos, o que pode dificultar a percepção da doença pelos pais. É possível confundi-los com birra ou falta de educação, mau humor e agressividade. Alguns sinais ajudam a indicar se a criança está deprimida: tristeza, negativismo, irritabilidade, falta de iniciativa, perda de interesse, cansaço, fadiga, dor de cabeça e alterações do sono e do apetite.

A depressão e a ansiedade são doenças menos frequentes, mas que comprometem a motivação e o empenho da criança na dedicação aos estudos.

No caso do TDAH, o impacto é muito grande na vida da criança. Antes das dificuldades escolares, ela já sente os prejuízos no convívio social e até no desenvolvimento. “No transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, a criança tem alterações de atenção que provocam deficiências nos vários tipos de memória. A criança tem dificuldade de prestar atenção, o que ela aprende, tem dificuldade de fixar na memória. Essa criança tem ainda dificuldade de se organizar, de elaborar estratégias, de planejar e resolver problemas. Dessa forma, vai interferir demais no aprendizado”, explicou.

Na dislexia, “a criança pode ter uma boa atenção e uma boa memória, mas ela tem muita dificuldade com linguagem escrita.” Segundo o neurologista, o problema na área cerebral responsável pela linguagem escrita dificulta a identificação de símbolos, a formação de palavras e frases, e a compreensão do significado dos textos.

O ambiente escolar pode favorecer a identificação dos sintomas e o diagnóstico dos transtornos, não só pelo resultado fraco no processo de aprendizagem, mas pela observação do comportamento da criança na comunidade escolar.

“O professor tem uma situação muito propícia para ver como essa criança está funcionando. Quais as habilidades de aprender, de se relacionar socialmente, de tolerar as frustrações, de ser mais flexível”, disse.

Mas, para o neurologista da infância, a percepção desses transtornos na escola depende da capacitação dos professores. O médico acha necessário que os profissionais da educação tenham mais informações sobre saúde mental de crianças e adolescentes.

Para ele, o tratamento médico é só um detalhe que não funciona sozinho, todos os transtornos mentais exigem a intervenção de uma equipe multidisciplinar: médico, psicopedagogo, fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional. Além disso, é fundamental que a família conheça o transtorno, o prognóstico e o tratamento, para saber lidar com a criança em casa.

“É necessário formar uma rede de colaboração em torno da criança, formada pelos profissionais da saúde, a escola, a família e a própria criança. Ela, portadora do transtorno mental, precisa ser orientada sobre o que ela tem e de que forma ela pode lidar melhor com esses problemas”.

O blog promoveu um debate sobre a dislexia. Vale a pena conferir as opiniões e informações de vários profissionais, de pais e de quem sofre com um transtorno mental.

http://www.educarecuidar.com/2009/10/dislexia-no-centro-das-discussoes-sobre.html

Marco Antonio Arruda é neurologista da infância e Adolescência, doutor em Neurologia pela Universidade de São Paulo.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

É bom saber

Arcas das Letras

O governo federal está noticiando a entrega de mais 33 bibliotecas para cidades de Minas Gerais nesta semana. O programa “Arcas das Letras”, para comunidades rurais foi criado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em 2003. Mais de sete mil bibliotecas já funcionam em quase dois mil municípios brasileiros. Agentes de leitura são capacitados e se responsabilizam pelas atividades de empréstimo dos livros e incentivo à leitura.

Dessa vez, o projeto chega a comunidades de Bonfinópolis, Vazante, Machado e Serrania. O programa começou a atuar em Minas Gerais no Vale do Jequitinhonha, em 2004. O programa instala bibliotecas na casa de um morador ou na sede de uma associação rural.

Cada biblioteca Arca das Letras começa com 200 títulos e uma coleção de gibis da Turma da Mônica. Os acervos são formados por livros didáticos, literatura para crianças, jovens e adultos e livros técnicos e especializados nas áreas de saúde, meio ambiente, educação, técnicas agrícolas e de pesca. Por meio do programa, a população também tem acesso a publicações que orientam o exercício da cidadania, como os Estatutos da Criança e do Adolescente, do Idoso, da Igualdade Racial, do Torcedor, a Lei Maria da Penha e a Constituição do Brasil. As doações de órgãos públicos e da sociedade civil ampliam os acervos.

Empregado doméstico

Acontece em Brasília, o Seminário Nacional Ampliando os Direitos das Trabalhadoras Domésticas. Durante a abertura, o coordenador Nacional de Combate à Discriminação de Raça e Etnia no Trabalho e Emprego, Anderson Brito Pereira, disse que o governo federal pretende apresentar em 2010 um projeto de lei acabando com a forma diferenciada que a legislação trabalhista trata os trabalhadores domésticos.

A proposta do grupo criado em 2008 pelo Ministério do Trabalho para discutir o assunto deve incluir o direito ao FGTS [Fundo de Garantia do Tempo de Serviço] para as empregadas dométicas.

Segundo o ministro da Secretaria Especial de Promoção de Políticas da Igualdade Racial, Edson Santos, que também participa do seminário, “No Brasil há 6 milhões de trabalhadoras domésticas. Destas, apenas 25,8% têm carteira assinada. Nosso país guarda ainda muitos resquícios do período escravagista, e por causa da necessidade de sobrevivência [dessas profissionais] muitas acabam aceitando a informalidade”, disse.

Plano Nacional para infância e adolescência

A 8ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente discutirá até o final desta semana um plano de políticas de promoção, proteção e defesa dos direitos das crianças e dos adolescentes para os próximos dez anos no Brasil.

Os participantes da conferência pretendem incluir as metas estabelecidas no Plano Plurianual e nos orçamentos federais dos próximos anos.

A presidente do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente (Conanda), Carmem Oliveira, afirmou que a elaboração do plano decenal “chama atenção para o fato de que ainda não temos um sistema único de coordenação da política para a criança e o adolescente”. Para ela, falta um órgão que articule a atuação de todo o Poder Público e mobilize o sistema de garantia no plano federal, estadual e municipal. A Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente terminará na próxima quinta-feira.

Edição: Educar e Cuidar
Fonte: Portal do Governo Brasileiro

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Dificuldades da criança para se relacionar podem ser indícios de transtorno mental

Os problemas de saúde mental podem passar despercebidos até que as crianças comecem a sofrer com o fracasso escolar. Dos transtornos que interferem no desempenho escolar, os mais comuns, que atingem cerca de 5% da população infantil, são a dislexia e o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), segundo o neurologista da infância Marco Antonio Arruda.

Mas, os problemas neurológicos que comprometem o aprendizado não param por aí. Desde os primeiros anos de vida até a fase escolar, é possível detectá-los e tratá-los para diminuir o sofrimento das crianças e dos adolescentes na escola.

“O TDAH e a dislexia são provocados por alterações no desenvolvimento cerebral, muitas vezes de ordem genética. Não por problemas de ordem emocional ou educacional, são transtornos do sistema nervoso que interferem no desempenho escolar”, afirmou.

Os pais precisam prestar atenção aos sinais dados pelas crianças desde pequenininhas de que alguma coisa não vai bem. Segundo o neurologista, de uma forma geral, existem dois termômetros que indicam como está o funcionamento mental da criança: escolaridade e sociabilidade. “Se a criança não vai bem na escola e ou não se relaciona bem, tem poucas habilidades sociais, são indícios de que ela pode estar apresentando algum transtorno mental”, explicou.

Marco Arruda disse que os sintomas aparecem de forma diferente, dependendo do transtorno mental. Nem sempre é fácil saber o que é uma característica considerada normal e o que é sinal de uma doença. Mas quando a família identifica problemas para a criança aprender ou para se relacionar na escola, na família e em outros ambientes sociais, os pais devem procurar uma ajuda profissional.

O quadro sintomático varia muito. “No caso transtorno do déficit de atenção e hiperatividade, bem precocemente, a criança pode manifestar inquietação, hiperatividade, dificuldades para se concentrar. Mas, se a gente for pensar no transtorno do humor bipolar, os sintomas são completamente diferentes. São crianças com tempestades de ira, de raiva, de muita agressividade, e outros momentos de extrema euforia ou depressão, ou de hipersexualidade (tendência exagerada a interessar-se por ou envolver-se em práticas sexuais), insônia”.

O neurologista disse que os profissionais da saúde têm instrumentos para avaliar a criança e fazer um diagnóstico precoce, reduzindo os prejuízos para o desenvolvimento com um tratamento adequado para cada caso. Os sintomas e comportamentos são comparados com o perfil compatível para a idade dela.

As alterações em relação ao perfil normal podem indicar que essa criança pequenininha pode ter uma área cerebral comprometida, que determinará problemas escolares lá na frente. “Desde a primeira infância já é possível identificar esses transtornos mentais”

A conversa com o neurologista continua. Ele falou sobre os riscos pelo atraso no diagnóstico. Marco Arruda disse que em alguns casos, como no transtorno do humor bipolar, "é uma questão de vida ou morte", pois ele é reponsável pelo maior número de suicídio entre crianças. “Atrasando o diagnóstico, deixando de intervir, a criança é quem mais sofre”, afirmou.

Marco Antonio Arruda é neurologista da infância e Adolescência, doutor em Neurologia pela Universidade de São Paulo (USP).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Homeopatas se preocupam com excesso de vacinas nos primeiros meses de vida

A crítica é em relação ao calendário e ao número crescente de vacinas disponíveis, e não à vacinação em massa que tem garantido a erradicação e o controle de muitas doenças graves. O calendário de vacinação brasileiro segue os padrões internacionais da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Para o pediatra e homeopata Francisco Soares Netto, a importância das vacinas é inquestionável. “Do ponto de vista médico, alopata e homeopata, não tem porque dizer contra um benefício tão grande para a humanidade como foi a vacina. Cadê o sarampo? Cadê a varíola? É inegável a vantagem da vacina”, afirmou.

Mas o médico questiona a necessidade de tantas vacinas. Segundo ele, o sistema imunológico precisa ser exercitado para combater as doenças e uma imunização exagerada poderia atrapalhar esse trabalho do próprio corpo. “O que os homeopatas estão preocupados, não é com a vacina, é com o excesso de vacinas, porque hoje tem vacina pra tudo!”

Francisco Soares Netto considera que existe muito folclore em torno da homeopatia e garante que o combate à vacina é feito por uma corrente de homeopatas puristas e não por todos os médicos dessa especialidade. “Existem condutas adotadas por médicos alopatas e homeopatas que são radicais. A verdade não está nos extremos, a verdade está no meio”.

Ele não vê incompatibilidade entre o trabalho pediátrico com homeopatia e a vacinação. Segundo ele, a criança tratada com remédios homeopáticos deve seguir o calendário de vacinas e participar das campanhas de vacinação normalmente. “Se eu tivesse que optar, para você ser homeopata, você é obrigado a não aceitar a vacina, eu voltaria a ser alopata”.

Francisco Soares Netto defende um intervalo maior entre as vacinas. Segundo ele, quando o organismo aprende a se defender de uma causa, ao mesmo tempo, está desenvolvendo outras defesas. “Você se defende da causa A e aprende a se defender da B, da C, e da D. Por isso tem muitas doenças hoje que antigamente não existia”. E levanta a hipótese de que o combate a determinadas doenças leve ao desenvolvimento de outras.

Na avaliação do homeopata, a explicação para o aumento do número de casos de câncer entre os jovens pode estar aí. “É a industrialização, é meio de vida? É, mas, por que não dizer que antigamente também não existia tanta vacina? Ninguém responde essa pergunta. Existe uma caixa preta na medicina que ninguém sabe como os medicamentos funcionam nem as vacinas”, afirmou.

O psiquiatra infantil Fernando Morales, que aderiu à homeopatia há um ano, concorda. Para ele, o uso simultâneo de vacinas e remédios homeopáticos é plenamente possível e ninguém precisa escolher entre homeopatia e vacinação. “Não é incompatível”, disse.

Ele defende que todo trabalho com criança leve em consideração o ritmo do desenvolvimento. O psiquiatra disse que critica o calendário de vacinação como médico, não como homeopata. “Uma criança tão pequenininha, será que não tinha que dar uma vacina, depois dar um tempinho para o organismo reagir bem? Com criança tudo precisa ser lento, suave, de repente, entram sete juntas? Por que não entra com uma? Qual o inconveniente? Não é a homeopatia que questiona, é o bom senso”.

Francisco Soares Netto é médico pediatra e homeopata e Fernando Morales é psiquiatra infantil, médico do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Malformação pode comprometer relação da mãe com o bebê

A ansiedade da mãe por não conseguir amamentar um bebê com problemas anatômicos importantes, como as fissuras palatina e labial, pode comprometer a relação dela com o filho.

Segundo a fonoaudióloga e psicanalista Eloisa Tavares de Lacerda, os prejuízos emocionais provocados por essas sequelas no vínculo materno com o recém-nascido exigem um tratamento que ampare a criança e a mulher.

As dificuldades podem surgir quando a mãe se sente incapaz de atender às necessidades inerentes à malformação do seu bebê. “Quando ela não consegue ajudá-lo em sua mamada por causa das dificuldades, com certeza, também entra em risco o fator desenvolvimento e o fator emocional porque isto pode gerar um ‘rombo’ no encontro mãe-bebê já desde o nascimento”, explicou.

De acordo com a fonoaudióloga, alguns serviços públicos de saúde fazem atendimento desses recém-nascidos e oferecem orientação às mães. Além de ensinar a melhor forma de dar de mamar, esclarecem sobre as cirurgias indicadas para os primeiros tempos de vida para corrigir a malformação.

Eloisa Tavares de Lacerda afirmou que a ameaça para o vínculo entre a mãe e o filho existe em todas as anomalias que comprometam o desenvolvimento da fala. “Quaisquer outras malformações estão incluídas aqui e se não forem tratadas, organizadas e cuidadas junto à mãe e ao bebê, será complicado depois para o uso do aparato fonoarticulatório para que a criança possa fazer todos os movimentos que usamos para articular os sons da fala”

Nesses casos, segundo ela, provavelmente as crianças precisarão de um acompanhamento fonoaudiológico para vencer as dificuldades no amadurecimento desses órgãos e para superar as etapas de alimentação. A intervenção de um profissional também será necessária para a que a criança consiga falar sem trocas e com uma articulação que todos possam compreender.

A atenção às questões emocionais é muito importante quando os bebês nascem com qualquer tipo de problema. Segundo a psicanalista, o tratamento da criança terá chance maior de sucesso se considerar as dificuldades da mãe em relação às malformações.

“Sempre vou lembrar que esse tipo de situação pode acarretar problemas entre a mãe e o bebê, por ansiedade dela frente às complicações. Porque ela não sabe como lidar sozinha frente às complicações de ordem mais subjetivas. A mãe pode sentir um golpe em seu narcisismo de achar que teria um filho “sem defeitos” e isto, se não for bem acolhido pelos profissionais, pode dificultar o vínculo mãe e bebê”.

Eloisa Tavares de Lacerda é fonoaudióloga e psicanalista, coordenadora do Serviço de Acolhimento Relação mãe/bebê da Derdic/PUC-SP e do curso de especialização Clínica Interdisciplinar com o bebê – a saúde física e psíquica na primeira infância da Cogeae/PUC-SP.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Atentado contra a vida

Para mim, atentar contra a vida é muito mais grave do que atentar contra o patrimônio, mesmo que estejam em jogo a vida de um corrupto e o patrimônio público.

Fiquei sabendo que o jornalista não falou por impulso ontem, ele está em plena campanha pelo suicídio para exterminar os políticos corruptos. E o tribunal é o microfone dele? Como diria um colega de rádio desse jornalista, isso é uma vergonha!

Não é esse o mundo que queremos para as nossas crianças, que vão para a escola ouvindo uma barbaridade dessas. Vou apurar melhor e voltar a esse assunto.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Como os discursos violentos, autoritários, conservadores e preconceituosos atingem as crianças?

Ouvindo rádio pela manhã, enquanto enfrentava o congestionamento paulistano, fiquei estarrecida com os comentários toscos e as brincadeiras chulas na voz de alguns colegas jornalistas excitados com a bola da vez da imprensa brasileira: a crise política no Distrito Federal.

Na ânsia de tentar falar algo mais impactante do que os concorrentes, um deles me pareceu mais nocivo à sociedade do que os políticos execrados e condenados por ele. Um jornalista de idade bem avançada, portanto, sem uma suposta fanfarrice juvenil para chamar a atenção, disse que o governador José Roberto Arruda (DEM) deveria ter se matado, ontem, durante entrevista coletiva, diante das câmeras de TV.

O apresentador, que fala com status de comentarista, criticava os políticos brasileiros e lamentava não existir entre eles um suicida capaz de uma atitude considerada digna e adequada para casos como esse. Animado com a sua própria oratória, relembrou o caso de um político acusado de corrupção que chamou a imprensa do seu país e colocou a arma dentro da boca e disparou. Disse e repetiu que é desse tipo de político que ele gosta e afirmou ter pensado que o governador do Distrito Federal fosse fazer o mesmo quando chamou a imprensa.

Roubar dinheiro público não pode, eu concordo, mas fazer apologia ao suicídio pode? Eu imagino que não. O Código Penal brasileiro trata do “Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio” no artigo 122, que prevê pena de reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. A pena é aumentada se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.

Se o jornalista pode ou não ser enquadrado nesse artigo, não me cabe responder. Mas o Código Penal mostra que não é tema para brincadeira. Não quero tratar desse desrespeito aos direitos humanos do ponto de vista jurídico nem da ética jornalística. Quero refletir sobre a exposição das nossas crianças a esse tipo de discurso pernicioso, lamentar que elas cresçam ouvindo tanta asneira.

Por que resolvi tratar desse assunto aqui, um blog sobre desenvolvimento infantil? Porque essa situação me remeteu a uma lembrança importante da infância. Quando era menina, estava em um taxi com a minha mãe e uma irmã um pouco mais velha do que eu, e o motorista ouvia um daqueles programas de rádio que faziam escorrer sangue pelo alto-falante.

Acho que era o Gil Gomes contando uma daquelas histórias violentas, com uma linguagem dramática de assustar qualquer criança. Incomodada, minha mãe começou a se mexer no banco e resolveu reclamar. Quando a narração esquentou, pediu que, por favor, o motorista trocasse de estação porque aquilo não era adequado para as crianças ouvirem. O motorista se recusou, pois devia estar interessadíssimo, louco para saber o final do enredo. Sem hesitar, minha mãe pediu que ele parasse o carro imediatamente para que ela desembarcasse com as crianças.

Eu me lembro claramente que adorei a atitude da minha mãe. Fiquei muito orgulhosa porque ela peitou o motorista, desceu do taxi e protegeu as filhas daquela violência toda. Estávamos assustadas, nunca tínhamos ouvido aquilo.

Hoje, fiquei pensando como as crianças são expostas a discursos violentos, autoritários, conservadores e preconceituosos, que atentam contra os direitos humanos. Não sei com quantos anos passam a prestar atenção ao noticiário que os pais estão ouvindo no carro, de onde não podem sair antes de chegar ao destino. As mensagens vão sendo armazenadas de alguma maneira no cérebro dessas crianças.

Tenho evitado ouvir rádio quando estou com o Gabriel no carro porque não consigo entender o que ele fala. Fico atordoada com o ruído do trânsito, o rádio ligado e o Gabriel tentando me dizer alguma coisa. Tenho preferido dirigir conversando e cantando com ele. Mas, já me peguei em uma situação estranha.

Quando ainda falava menos, o Gabriel prestava atenção ao que ouvia no rádio e repetia algumas palavras que, acredito eu, achava interessante, engraçada, diferente. Eu repetia a palavra e acrescentava algum significado a ela, brincava com a palavra. Um dia, ele falou “polícia”. Caramba, o que dizer sobre polícia para uma criança com menos de dois anos? Enquanto ele repetia “polícia, polícia, polícia”, tive a idéia de falar do carro de polícia, que passa fazendo barulho, tocando uma sirene.

Mas, quando ele tiver sete, oito, dez, doze anos e ouvir algum jornalista ou comentarista falando que político é tudo igual, que só servem para roubar e não gostam de trabalhar, não vou nem precisar pensar. Estarei pronta para conversar com ele, em outro nível, claro!

Certidão de nascimento é o primeiro passo para o exercício da cidadania

Entrevista do secretário-adjunto, Rogério Sottili, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.

1 - Quais as principais implicações para as crianças sem registro?

A certidão de nascimento é o primeiro passo para o exercício da cidadania porque é o documento onde fica registrado o nome, o sobrenome e a nacionalidade da pessoa. É fundamental registrar o bebê logo após o nascimento. A certidão é essencial para a matrícula na escola, para se cadastrar e ter acesso aos programas sociais. Sem a certidão, não é possível obter outros documentos como carteira de identidade (RG), cadastro de pessoa física (CPF) e carteira de trabalho. É imprescindível fazer o registro de nascimento, que é gratuito, e ter a certidão. Daí o esforço do governo federal em mobilizar o país para que os pais registrem seus filhos e os adultos que ainda não são registrados também possam fazê-lo.

2- O que o País está fazendo para mudar essa situação de crianças e adultos sem registro de nascimento?

Mobilização, campanhas de conscientização da sociedade e trabalho conjunto com estados, municípios e diferentes instituições, como as Associações de Notários e de Registradores de Pessoas Naturais e entidades da sociedade civil. A SEDH é responsável pela articulação e coordenação desse trabalho, que envolve 11 ministérios, governos estaduais, Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o próprio IBGE e entidades parceiras. A mobilização se concentra, sobretudo, nas regiões Nordeste e Amazônia Legal, onde os índices de pessoas sem registro e sem certidão de nascimento são maiores. A estratégia é baseada em duas frentes de trabalho. Uma é fazer com que todo recém-nascido já saia do hospital com a certidão de nascimento. Até batizamos de Chorou, registrou! Estamos investindo para que as maternidades tenham unidades interligadas com os cartórios e possibilitem fazer o registro ainda no hospital, rapidamente, sem qualquer burocracia. Como nem todos os bebês nascem em hospitais e maternidades, também é desenvolvido um trabalho de conscientização com as parteiras e profissionais de saúde para ajudar a informar os pais sobre a importância de registrar os filhos. A outra frente de mobilização são os mutirões que levam o serviço de registro às comunidades mais distantes, seja no interior da Amazônia ou no do sertão. Além disso, realizamos campanhas publicitárias para chamar a atenção da sociedade e, neste ano, contamos com Ronaldo, o Fenômeno, que estrelou o filme da campanha que continua sendo veiculado com o slogan “Certidão de Nascimento. Um direito que dá direitos. Um dever de todo Brasil”.

3 - Como o País está em relação à meta da Agenda Social do governo federal? Vamos conseguir erradicar o sub - registro em 2010?

Conseguimos baixar de 12,2% para 8,9% a média nacional de sub-registro de nascimento. Ou seja, baixamos 3,3 pontos percentuais no último ano, conforme apurou o IBGE. Esse índice do sub-registro civil de nascimento vem diminuindo significativamente nos últimos anos desde que o tema passou a ser uma das prioridades do governo na área social, com o fortalecimento da articulação interministerial, com um pacto federativo e a ampliação do diálogo com os parceiros. A meta estabelecida na Agenda Social, pelo presidente Lula, é erradicar o sub-registro de nascimento até o final de 2010. Erradicar significa baixar para o índice para 5%, pois é o parâmetro internacional. A nossa expectativa, e convicção, é atingir essa meta, porque a mobilização é permanente e os resultados são concretos. Junto com os estados e nossos parceiros, o Brasil vai vencer esse desafio.

FONTE: PORTAL DO GOVERNO BRASILEIRO