quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Atitude dos pais é fundamental para criança navegar com segurança na internet

Estou propondo discutir aqui se os pais desrespeitam ou não a privacidade dos seus filhos quando escrevem um blog como o meu, colocam fotos em sites de relacionamento ou simplesmente comentam detalhes do desenvolvimento deles com a família, com amigos, com vizinhos, com os colegas no trabalho.

A mania de falar da vida dos filhos, de mostrar como eles estão crescidos ou engraçadinhos, e os desabafos sobre as dificuldades com a educação das crianças não começaram com a internet. A diferença é que o alcance das palavras e imagens, e a velocidade e amplitude da disseminação das informações aumentam a cada dia. Entre conversar com a vizinha no portão e andar com uma fotografia desbotada na carteira, como era comum antigamente, e publicar textos, fotos e vídeos em blogs e sites de relacionamento existe uma diferença estratosférica.

Quero enfrentar esse debate, porque, na verdade, desde a decisão de criar o blog, essa é uma questão constantemente reavaliada. Jamais vou parar de refletir sobre a adequação do Educar e Cuidar. Não é confortável manter um blog sabendo que os meus filhos podem não gostar do que escrevo. Farei isso enquanto acreditar que esse trabalho pode, em alguma medida, contribuir para envolver pessoas com a idéia de uma infância melhor para os nossos filhos.


Na opinião da psicóloga Laís Fontenelle, coordenadora de Educação e Pesquisa do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, pensar antes de postar é imprescindível, pois os pais precisam avaliar como a criança vai se sentir sendo representada por eles. O filho percebe esse cuidado e aprende com ele.

Ela avalia que o impacto de uma informação é diferente se ela for considerada positiva ou negativa. Como acontece com qualquer pessoa, a criança terá muito mais chance de se sentir confortável diante da exposição de uma descoberta encantadora que tenha feito do que se contarem que ela fez xixi na cama até os 10 anos de idade. Os pais devem pensar se a criança vai gostar de se ver naquela situação.

“Acho que os pais, os cuidadores têm que estar sempre pensando nisso, a criança é um ser humano, e um ser humano em desenvolvimento, a gente tem que protegê-la”, afirmou.

Para a psicóloga, saber que a sua história foi contada pode ser muito assustador e invasivo para uma criança. Mas isso vai depender não só do conteúdo, mas da forma como ela foi retratada. Ela acredita que os pais devem conversar com as crianças sobre o que contam e porque contam as histórias que vivem dentro de casa. É importante que a criança conheça a intenção dos pais e a importância daquela publicação para eles.

“Não se pode negar que é uma exposição. Mas é da a forma como isso vai ser trabalhado pelo pai com a criança que depende se vai ser bom ou ruim para ela”, explicou.

A troca entre os pais pela internet para desvendar o mundo da criança e participar dele faz parte da construção de vínculo com ela. O risco, na opinião de Laís Fontenelle, é a diversidade e a amplitude da rede mundial.

“Tem muitos blogs e sites interessantes falando para os pais sobre as crianças, mas, no meio disso tudo, vem coisas negativas. No fundo, é difícil julgar e responsabilizar o pai, culpar só ele pela educação das crianças. A gente não pode negar que hoje em dia tem uma educação informal que é consumida pelos pais e pelas próprias crianças, que vem através das diferentes mídias.

Para ela, quanto mais os adultos tiverem consciência de que é um mundo diferente, e de que temos uma “geração mais plugada”, mais preparados estarão para orientar os filhos para navegar na Internet e ensiná-los a preservar a própria privacidade no espaço digital. Os filhos vão aprender a lidar com as diferentes mídias a partir da atitude dos pais, do exemplo deles.

Enquanto finalizava este texto, recebi o comentário da Márcia. É justamente sobre o que eu vou falar amanhã. A internet colocou um alto-falante gigante no bate-papo que sempre existiu entre parentes, amigos, colegas, e até desconhecidos jogando conversa fora na fila do banco e no ponto de ônibus.

Laís Fontenelle é psicóloga, coordenadora de Educação e Pesquisa do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana.

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