Ainda estou penando para ensinar o Gabriel. Mais de duas décadas depois de tirar as fraldas das meninas, considerava que essa tinha sido a tarefa mais difícil dos primeiros anos de vida delas, mas não lembrava que demorava tanto. Com a Bruna, comecei com o penico e passei logo para o redutor. A Nara e o Gabriel foram direto para a privada, afinal, a descarga é o melhor de tudo. O duro é convencer o Gabriel a não gastar toda a água do planeta.
O problema não é sentar e fazer xixi no banheiro, difícil é chegar lá antes de molhar a roupa. Hoje, recebi a agenda do Gabriel com um progresso na escola: ele pediu para fazer xixi no banheiro, mas não deu tempo!
Quando passo o dia levando o Gabriel ao banheiro, ele faz direitinho. Ou seja, tem o controle, pois senta e solta o xixi. Mas, se deixo por conta dele, espero que ele peça, o anúncio ”xixi!” vem junto com a poça.
Geralmente, ele não pede. Mas, outro dia, sentado na cadeirinha do carro, parado em frente a uma loja, pediu. Deu tempo para abrir o cinto de segurança, entrar na loja, perguntar onde tinha um banheiro que eu pudesse levá-lo, achar o banheiro nojento... E ele fez direitinho, um jatão!
O que me incomoda, é que o controle dos esfíncteres é tão cheio de mistérios... Desde as meninas, vivia preocupada em não causar um trauma durante esse processo de treinamento. Vinte anos depois, a história se repete. Por que não consigo ensinar os meus filhos sem tanta ansiedade, sem medo de estar fazendo errado?
Um dia, fiquei lendo as matérias que fiz sobre o assunto aqui no blog para ver se eu conseguia me ajudar. Não me encaixo no treinamento severo, mas também não sou a mãe complacente que não aguenta ver o filho crescer. E o mais importante: a psicanalista Márcia Regina Porto Ferreira não estima um prazo para o treinamento, deixa claro que o tempo é o da criança. E a falta de controle só começa a chamar atenção para algum eventual problema a partir dos três, quatro anos.
Perguntei ao pediatra se estava demorando muito, ele nem me deu conversa, respondeu que tirar a fralda é com dois anos e meio e encerrou o assunto. A filha dele, que é a pediatra oficial, mas está em licença maternidade, tinha avaliado junto comigo que o Gabriel estava pronto para o treinamento. Ou seja: não existe uma única resposta quando o assunto é desenvolvimento de uma criança.
Na escola, ao voltar das férias, quando avisei que ele ainda não estava pedindo para fazer xixi, que falava quando já tinha feito, a coordenadora arregalou os olhos incrédulos.
Comecei a tirar a fralda do Gabriel no dia 7 de novembro, vai fazer três meses. Durante esse período, ele ficou doente e nós deixamos que fizesse na calça sem chamar atenção para o fato; viajamos e ele passava o dia inteiro com a sunga molhada, sem diferenciar muito xixi e água do mar ou da piscina; e também usamos muito a fralda de treinamento, que eu acho ruim, pois tenho a impressão de que confunde a criança: ela sente o mesmo aconchego da fralda comum, faz xixi.
Bolei, mas não usei
Para fazer cocô, ele pede. Depois de uma situação difícil em um banheiro imundo na praia, fiquei pensando em como poupar o Gabriel (e o pai dele) de outra daquela. Acho que a solução pode estar em um saquinho plástico colocado no baldinho de praia. A criança senta e faz como se fosse um penico, e o saquinho é descartado como se fosse uma fralda. Não usei porque, depois desse dia, o Gabriel só pedia para fazer cocô no hotel. Acho que ele foi mais esperto do que eu, mas, com certeza, ainda terei muitas oportunidades para testar a minha idéia.
Controle dos esfíncteres organiza psiquismo da criança para relações amorosas
http://www.educarecuidar.com/2009/08/o-treinamento-para-o-controle-dos.html
Abandonar as fraldas é desafio para mãe e filho
http://www.educarecuidar.com/2009/12/abandonar-as-fraldas-e-desafio-para-mae.html
Crianças usam xixi e cocô para mostrar que algo não vai bem com elas
http://www.educarecuidar.com/2009/12/criancas-usam-xixi-e-coco-para-mostrar.html
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
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6 comentários:
Com o João era assim tb. Este começo não tem muito jeito: eles só pedem pra fazer xixi qdo o dito cujo já está saindo. Com o tempo, melhora.
Mas esta vida masculina me deixou um pouco incomodada: pingo de xixi na cueca é um clássico. Ou antes, ou depois, ele sempre está lá, firme e forte, maior ou menor.
No começo, eu vivia trocando as cuecas do João. Os pais não se preocupam muito com isso, já as mães...
Os pingos diminuíram, é verdade, mas eles sempre aparecem. Ou seja, eles vivem fedidinhos.
Certa vez, passei por uma situação inusitada, neste começo de aprendizado. Estava com o João num parque, e ele pediu pra fazer xixi. Como o banheiro era longe, muito longe, e eu não queria vê-lo ensopado, optei por uma moitinha ali por perto. Qual não foi minha surpresa qdo o xixi virou cocô também?! Quase morri. Ainda bem que eu tinha os benditos lencinhos umidecidos na mochila, que foram a minha salvação, em todos os sentidos.
Já aprendi: cueca e xixi são companheiras eternas dos homens.
O Gabriel também já fez xixi no matinho. Estávamos no Ibirapuera, na mesma situação... Ainda bem que não fez cocô! Impossível chegar ao banheiro, até para adulto é complicado dependendo do tamanho da fila. Ele ficou todo feliz falando que tinha feito xixi no mato, e eu..., ah, eu..., fiquei toda encanada com as minhas contradições. Sempre disse que não ensinaria menino a fazer xixi em qualquer lugar, acho que homem é muito folgado com isso. E, na primeira oportunidade, a prática atropelou o meu discurso. Com as meninas, teriam feito na calça, no meio do caminho, mas não iria colocar nenhuma das duas agachada na moita, naquele parque lotado de gente...
Ai que alívio .... achei que só eu sofria tanto e achava que a parte mais complicada da maternidade até agora é tirar a fralda ... Tudo bem que a Laura ainda é pequena, nem fez 2 anos ainda (faz dia 21 ...). No fim do ano resolvemos, eu e escola, começar a tirar a fralda dela. No começo foi tudo uma maravilha, ela curtia a privada e o penico ... comecei de leve, sem forçar a barra e colocava a fralda em ocasiões especiais, tipo Natal, Ano Novo ... aí vieram as férias e ela confundiu tudo, porque ficava o tempo todo de biquini molhado. Quando voltamos comecei tudo de novo, mas sem colocar mais fralda pra ir a lugar nenhum. É muito difícil!!!!!!!! A Laura só avisa quando está sapateando no meio da poça de xixi e rindo ... ela se diverte com isso. Na escola vai direitinho ao banheiro, mas em casa, parece que faz para me provocar ... acaba de sair do banheiro, sem fazer nada, pára no meio da sala e .... xixi ....
Confesso que no começo falava que tudo bem, que não tinha problema, que tinha escapado, mas agora fico brava porque ela sabe o que está fazendo. Ela sabe controlar, nunca fez xixi no carro ... Quando vamos ao parque também consegue esperar chegar ao banheiro, aliás adora conhecer o banheiro de todos os lugares, mas em casa ... espero que essa "brincadeira" acabe logo!
PS: adorei a idéia do baldinho .... espero não precisar usar, mas a solução é ótima
Corrigindo: umEdecidos...foi o sono!
Ainda bem que vc é tb adepta do matinho. O duro é que o Joãoo adora um matinho, que ele chama de flores. Tem vez q ele fala: " -Mamãe, xixi nas flores."
Dá?
Não, não dá.
As mulheres tem dificuldade em entender a bela amizade entre os meninos e os equipamentos para fazer xixi. É uma amizade e como com todos os amigos o aprendizado é aos poucos. E as amizades pressupõe entender as dificuldades do outro, a timidez, a vergonha. Xixi na calça não pode ser motivo de escândalo! Pelo simples motivo que pode nascer nesta amizade uma trava, um obstáculo, uma diferença.
Já o cocô, o jeito é ser criativo. Os banheiros masculinos são quase sempre impraticáveis. Então, conversar com uma moça, e pode até nascer uma paquera inusitada, para ficar na porta do banheiro feminino é uma boa. Baldinho? Um clássico necessário, eterno, absoluto. Lenços Umedecidos? Sempre, sempre e sempre. E, pelamordeus, aquele álcool gel serve também para ser usado nas tampas, no vaso, nas mãos.
E na dúvida, entre a meleca na roupa e a meleca na areia da praia ou no matinho, opte pela segunda opção. Sempre. E sejamos criativos na limpeza, procurando sacos plásticos próximos ou enterrando bem fundo o trem.
Vamos lá! Fé nos deuses e pé na tábua!
Eu lembro as suas palavras "ele è tao experto para algumas coisas, porque ele esta demorando tanto para deixar as fraldas????". Fica tranquila, vai passar... Eu fico sempre pensando como vc consegue deixar o Gabriel sozinho no seu quarto na hora de dormir. Eu fico uns 40 minutos todos os dias do lado do berco de FLor!!!!!!!. Bjs.
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