Aconteceu comigo: pensei e não postei!Hoje é o Dia da Internet Segura e o tema deste ano veio a calhar com o que vivenciei na semana passada: "Pense antes de postar".
Depois de comentar um post no blog "Enfim, pais", do jornalista Hamilton dos Santos, resolvi promover um debate aqui sobre a responsabilidade dos pais na preservação da privacidade das crianças.
Ele falava da preocupação, como pai, de que o filho, no futuro, não goste de ter tido a sua vida exposta pela internet desde a concepção. Contei lá que quando escrevi Como é difícil ensinar uma criança a usar o banheiro, pensei em ilustrar o post com uma foto do Gabriel, como faço frequentemente, mas, não achei adequado exibí-lo na privada.
Com a foto cortadinha, discreta, chamei o pai dele para refletir comigo sobre o assunto e conclui que não deveria divulgar a imagem. Se estou justamente ensinando que fazer xixi e o cocô é uma coisa privada, achei que não seria correto escancarar a porta do banheiro na internet. Para mim, essa foi a diferença fundamental em relação a outras fotos que postei aqui. No entanto, não tenho certeza de que esse cuidado seria necessário.
No blog, sempre procuro colocar uma foto em que ele esteja longe, de lado, com o rostinho virado, cortado, olhando para baixo... A idéia é ilustrar o post, e não mostrar o Gabriel. Mas, ele já apareceu abocanhando uma coxa de frango e, recentemente, coloquei a foto mais aberta de todas: no post Adiós, Florencia!, na qual ele e a amiguinha aparecem com sorriso largo.
Na verdade, acho muito mais significativo do que as minúsculas fotos, os textos que abordam detalhes do seu desenvolvimento. Como o meu colega jornalista, penso que, no futuro, ele possa não gostar dessa história. Refleti muito e conversei com várias pessoas antes de criar o blog, trabalhei bastante em terapia, inclusive. E permaneço atenta, refletindo e discutindo sobre a adequação do que escrevo.
Não quero restringir o debate ao Educar e Cuidar. Esse é apenas o meu exemplo. Gostaria de discutir como respeitar a privacidade das crianças na internet. Muito se fala dos riscos das redes de relacionamento para os adolescentes, que ainda não sabem bem como lidar com a privacidade. Mas, e os adultos?
Qual a responsabilidade dos pais na preservação da privacidade das crianças?
Você acha que a exposição de fotos e textos pelos pais pode causar prejuízo às crianças?
Qual a diferença entre compartilhar momentos da vida, de dividir a alegria e o orgulho de ser pai e mãe, e a invasão de privacidade das crianças?



5 comentários:
Não há dúvidas que este é um tema muito importante. É muito tênue a diferença entre a exposição exagerada e o compartilhamento de informações pela internet - fundamental nos dias de hoje.
A cada foto do Gabriel que a Thelma utiliza para ilustrar os posts, nós conversamos bastante para analisarmos se estaríamos expondo demais o Gabriel. No caso da foto na privada, entendemos que não seria pertinente, uma vez que estamos justamente ensinando que isso se trata de questão "privada", não pública.
Por outro lado, a divulgação de fotos por meio de sites de relacionamento (orkut, Facebook), desde que em álbuns restritos, é algo útil. Muitas pessoas acompanham o cresimento do Gabriel à distância. Essa é uma ferramenta que permite a aproximação das pessoas em tempos de vida corrida. A questão a ser colocada é o limite desse relacionamento virtual. Na minha opinião, ele complementa as relações reais. Mas, creio que muitas pessoas acabam reféns de tais resdes de relacionamento.
Conversei com a psicóloga Lais Fontenelle, coordenadora de Educação e Pesquisa do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, e perguntei se a criança pode sofrer algum prejuízo emocional por ser o foco de um trabalho profissional dos seus pais, como no caso dos blogs que citei neste post.
“Depende da forma como a criança for utilizada no foco desse trabalho. A gente vai se perguntar, será que os filhos do Piaget sofreram porque ele criou toda a teoria do construtivismo a partir da observação daquelas crianças? É difícil responder isso, mas eu acho que pode ser uma coisa tão bacana..., eu acho que precisa preservar a identidade”, afirmou.
Para a psicóloga, os pais precisam ser muito cautelosos porque a criança, até os 12 anos de idade, não tem capacidade crítica para dizer “não gostei!”. E é preciso tomar muito cuidado para não abusar da vulnerabilidade da criança. Talvez, com 15 anos ela questione a atitude dos pais e, com oito, não consiga identificar que a exposição de uma imagem ou história dela não está sendo confortável.
Laís Fontenelle deu uma dica interessante para os pais compartilharem a internet com as crianças maiores. Segundo ela, é recomendável que os pais tomem a decisão de publicar ou não uma foto no Orkut ou no Facebook, por exemplo, a partir de uma conversa com o filho. Seria uma forma de estabelecer um vínculo saudável para o controle do uso da internet. Se o filho ajuda a escolher o que os pais publicam sobre ele, os pais deixam o caminho aberto para participar das escolhas do que esse filho pode ver e postar.
Mais sobre essa entrevista, publico amanhã.
Olá Thelma!
A responsabilidade dos pais é muito grande.
Para você ter uma ideia, nós do Papo de Mãe, que trabalhamos com imagens e histórias, temos muito cuidado em somente divulgar aquilo que realmente é autorizado. E esta autorização parte dos pais. Por este motivo, cabem a eles o bom senso de pensar bem a respeito da maneira que vão expor seus filhos publicamente. Acreditamos sim que em determinados casos esta exposição pode trazer prejuízos. Não estamos falando apenas de prejuízos emocionais, mas de segurança. Não é legal, por exemplo, comentar no orkut ou em qualquer rede social que seu filho estuda na escola X, faz natação terças e quintas às 9 horas no lugar tal e por aí vai. É dar muita "sopa para o azar", se é que me entendem.
Acredito, e falo isso em nome de toda equipe do Papo de Mãe, que a exposição só deve ser feita quando há um propósito sério por trás. Pode ser o relato de uma história ou a simples divulgação de uma imagem, mas tudo deve ter um propósito.
Acho que é isto! Parabéns pela iniciativa!
Beijos,
Clarissa Meyer
Equipe Papo de Mãe
www.papodemae.com.br
Thelma, parabéns pela provocação. Passei o endereço do blog para várias mães que adoraram a abordagem, muitas não tinham se tocado com o assunto, com a seriedade e importância dele. Eu também nunca tinha parado para pensar nas consequências da exposição... Estou adorando seus textos, pena que não tenho tido tempo de fazer comentários mais aprofundados. Mas estou lendo sempre. Vá em frente.
Oi, Thelma!
Fiquei pensando com este post sobre aquelas conversas que as mães têm com as amigas, contando coisas dos filhos... Eu mesma destestava quando minha mãe fazia isso e já vivi situações constrangedoras com meus meninos, quando algum amigo(a) comenta alguma coisa com eles sobre algo que eu contei e que depois fiquei sabendo que eles não queriam que eu tivesse contado.
Acho que o mesmo pode acontecer com relação à publicações de histórias deles na internet. O mais complicado me parece ser a contação dos "causos", porque quando a gente escreve está interpretando as coisas com os nossos olhos, nosso sentir, o que pode não ser do jeito que a criança percebeu as coisas. Com o tempo fui percebendo com meus meninos que nem sempre o que eu julguei importante era de fato assim para eles e mesmo a forma de ver as coisas era bem diferente.
Talvez uma dica seja o cuidado de relatar as coisas, como você fez no post "Adiós, Florencia!". O Gabriel possivelmente nem lembrará mais do fato da amiguinha ter ido embora, mas vai ficar para ele a história linda que você escreveu. Ele ainda é pequeno, não poderia verbalizar o sentimento pelo qual estava passando, mas achei legal o fato de você não ficar fazendo análises e suposições sobre as reações e sentimentos dele.
Pra terminar, uma coisa é você dividir histórias e fotos com parentes e amigos, outra é publicar a vida na internet. Muitos adolescentes estão perdendo o senso do público/privado e acho que cabe aos pais esse bom senso e orientação, sempre na ótica da pergunta "o que é conveniente compartilhar?"
Refletir, trocar experiências e opiniões sobre educação me parece ser um caminho de muito crescimento e ajuda. Por isso, parabéns pelo blog!
Abraço, Márcia.
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