quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Escola é lugar de criança

Se eu tivesse escrito sobre isso ontem, teria dito que o Gabriel estava indo para escola todo feliz, empolgado com a perua, como se não tivesse ficado tanto tempo afastado por causa das férias.

Mas, como estou escrevendo hoje, começo dizendo que o Gabriel foi para a escola chorando e eu fiquei com o coração partido vendo a perua se afastar. Estava sorrindo, abanando a mão com entusiasmo para encorajá-lo, mas, por dentro, que pena!

Pode ser porque estávamos brincando de esconde-esconde enquanto a perua não chegava e ficou triste por ter de parar: “não quero ir embora”, repetia aos prantos.

Ele se diverte muito com isso. Engraçado como as crianças adoram se esconder e vibram quando são “encontradas”. Com certeza, a simbologia dessa brincadeira é muito rica e faz parte da vida das crianças por muito tempo, desde bebês até quase na adolescência. O que muda é que não gostam mais quando são achadas. Qualquer dia, vou conversar com algum psicólogo sobre isso... O significado das brincadeiras infantis é uma boa pauta!

Mas, voltando ao Gabriel, estava impressionada como o retorno à escola não tinha exigido nenhuma adaptação, pois ele estava plenamente satisfeito com a retomada dessa rotina. Chegou no primeiro dia contando um monte de coisas novas. Entrou anunciando: “Zida, cheguei aqui em casa de peura!”. E, à medida que se lembrava de alguma coisa, ia falando: “tem dois Micael”, mostrando com os dedinhos; “a Thaís (antiga assistente da professora) tá na ota sala”; “a Gabiela tá na ota sala”...

No dia seguinte, estava apressado para descer, querendo ir embora de perua. E assim foi até ontem. Hoje, quinta-feira, será que a novidade acabou e o cansaço chegou? Estou tranquila, pois, por mais que passe a empolgação do reencontro e da descoberta das mudanças, acho que a criança fica bem na escola. Deve ter chorado um pouquinho e se conformado logo.

Essa semana, vinha lembrando da entrevista com a psicóloga e psicanalista Audrey Setton Souza, que publiquei aqui no blog, na qual ela afirma que a escola é uma necessidade da mãe e não da criança pequena. Eu tenho sentido exatamente isso. A mãe precisa da escola porque acredita que lá a criança estará bem.

Quando o Gabriel está em casa com a empregada, não consigo ficar absolutamente tranquila. Saio e volto o mais rápido possível, fico agoniada se demoro muito. A minha sensação é de que se ele está em casa, deveria estar lá com ele. Vou adiando tudo o que posso para evitar deixá-lo sozinho.

Mas, quando ele está na escola, o dia rende! A única preocupação é com o horário da volta, não penso no que está acontecendo com ele lá, tenho a sensação de que ele está bem, de que está se divertindo, sendo cuidado...

No ano passado,quando ia buscá-lo, adorava ficar observando a dinâmica da escola antes que ele me visse. A minha vontade, era de entrar na brincadeira com as crianças e, depois, levar todas as que estavam com cara de cansadas para casa comigo. Eles ficam felizes, mas acho que sentem saudade de casa.

Percebia que se o Gabriel estava na sala, no meio de uma roda, participando de alguma atividade, estava contente. Se estava no parquinho, andando em um carrinho, estava tão contente que muitas vezes nem queria sair. Estava sempre bem, mesmo quando tinha uma marca de mordida na bochecha, na mão, no braço... Mas, o melhor mesmo, é quando disparava puxando a sua mochilinha para me abraçar sorrindo: "Mamãe!"

Acho que é desse aconhego materno e dessa sensação dos pais em geral de que a escola é um lugar adequado para deixar a criança, quando estão ocupados com outras atividades, que a psicanalista estava falando.

Escola é necessidade da mãe e não da criança pequena
http://www.educarecuidar.com/2009/10/escola-e-necessidade-da-mae-e-nao-da.html


Escola é necessidade da mãe e não da criança pequena - Parte II
http://www.educarecuidar.com/2009/10/escola-e-necessidade-da-mae-e-nao-da_13.html

1 comentários:

Thamara disse...

Ainda não tive coragem de colocar a Laura na perua. Mas sei que logo vou precisar ... Quanto a escola, ela simplesmente ADORA ... nunca chorou para ir, ainda bem porque não sei se conseguiria deixá-la chorando.

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