sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Quem faz a comida do seu filho?

Cheguei pelo blog do Nassif (Saúde da nova geração http://bit.ly/cqPIkn), mas, o texto é da Folha Online, com título perturbador:

Atual geração de crianças pode viver menos do que seus pais

Estou incomodada com ele, desde ontem, quando li.

Exagero? Pode ser. Mas pode não ser.

A expectativa de vida do brasileiro anda na direção oposta, e a tarefa que tem sido nos passada, nos últimos anos, é preparar o país para dar conta de uma população mais “envelhecida”.

Será que o planeta, turbinado pelo consumo, vai mesmo dar um cavalo de pau na história, desidratando os resultados do avanço científico e tecnológico para voltar a morrer mais cedo, só que de outras doenças?

Vamos salvar as crianças do sarampo e deixar que morram de infarto?

Frase da diretora-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Margaret Chan, na primeira reunião da rede mundial contra as doenças não contagiosas, extraída da matéria citada.

“Temos um problema. Um grande problema que parece destinado a crescer ainda mais. As doenças não contagiosas, por muito tempo consideradas companheiras próximas das sociedades ricas, mudaram de lugar. Doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, doenças respiratórias crônicas e distúrbios mentais agora impõem o seu alto ônus aos países de renda média e baixa. Doenças antes associadas com abundância agora estão fortemente concentradas em grupos pobres e desfavorecidos.”

Parece que se espalhou pelo mundo algo que pareceia coisa de filme americano: personagens “preparando” uma refeição. Homens, mulheres e crianças se movimentam pela cozinha pegando e abrindo embalagens - as caixinhas são as principais vedetes (que palavra fora de moda, vou deixar!) - para despejar em copos e pratos.

A minha impressão é de que essa cena tem sido cada vez mais real e corriqueira por aqui. A indústria alimentícia mundial está socializando corantes, conservantes, estabilizantes, gordura trans, açúcar e mais um monte de ingredientes para facilitar e encurtar a nossa vida.

Quando você fala que o seu filho não toma refrigerante, toma suco, de que suco você está falando?

Você espremeu uma laranja, bateu uma melancia no liquidificador, triturou um abacaxi na centrífuga, chacoalhou um maracujá numa coqueteleira, coou, colocou no copo, deu para o seu filho e ficou com uma porção de louça em cima da pia para lavar? Ou você abriu a geladeira, pegou uma caixinha, desembrulhou o canudinho, espetou, deu na mão do seu filho e depois jogou a caixinha na lata do lixo e foi embora deixando a cozinha como se ninguém tivesse passado por lá?

Faz uma diferença danada, não faz? Na trabalheira e na saúde dele!

Tudo o que tenho conversado com pediatras e nutricionistas aponta para o mesmo vilão: a comida industrializada! Eles são unânimes em recomendar que as crianças consumam a menor quantidade possível de produto industrializado.

Possível? E aquela máxima de que os pais precisam fazer o possível e o impossível pelos filhos? Você não cresceu ouvindo isso? Quando converso com psicólogos e psicanalistas também presto atenção numa constante: é preciso pensar na necessidade da criança, mas, considerar a possibilidade de cada pai e de cada mãe.

Acho que ninguém precisa ter resposta acabada para harmonizar necessidades de adultos e crianças. Não existem idéias prontas, não vende em caixinha. Só precisamos refletir permanentemente sobre os nossos tempos, a nossa cultura. Os problemas não estão presos dentro da nossa casa, estão soltos pelo mundo. Ninguém faz tudo certo nem tudo errado. Não é o nosso filho, é a geração dele. Mas, com certeza, alguma parte cabe a cada um de nós nessa história.

A diretora-geral da OMS afirmou que, no mundo todo, 43 milhões de crianças em idade pré-escolar são obesas ou apresentam sobrepeso. “Pensem no que isso significa no decorrer da vida em termos de riscos para sua saúde e de custos com os cuidados durante toda a vida”, disse ela.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Criança pequena precisa de ceia para evitar jejum noturno prolongado

Para algumas famílias, o ingresso da criança na escola facilita o estabelecimento de uma rotina. A partir do compromisso, os pais se organizam usando os horários de entrada e saída para decidir o que a criança vai fazer em casa e na escola.

Para mim, ao contrário, quando o Gabriel entrou na escola, os horários ficaram bagunçados. Acho que para quem acorda por volta das 8 horas, às 11h30, ter tomado café da manhã e lanche, e já ter até almoçado é corrido demais. No final de semana, é completamente diferente.

Na minha opinião, tanto para os que almoçam como para os que jantam, os intervalos entre as refeições nas escolas são muito curtos. No ano passado, para a turma do Gabriel, o lanche era às 9 horas e o almoço às 10h40.

E essa questão dos horários não é exclusividade da escola dele. Em geral, o almoço é antes do meio-dia e o jantar é antes das 18 horas. Em outros estabelecimentos que visitei, também era assim. E quando converso com outras mães sobre o assunto, a organização é parecida. As escolas planejam a rotina a partir da disponibilidade de refeitórios e funcionários, não da necessidade das crianças.

A presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Roseli Sarni, sugere uma ceia para as crianças que jantam cedo. Não é uma rotina recomendável jantar na escola por volta de 17h30, ir para casa dormindo no carro e ficar sem comer mais nada até o dia seguinte.

De acordo com a pediatra, o procedimento correto para evitar um jejum noturno muito prolongado é estabelecer mais uma refeição à noite.

Segundo ela, a ceia é uma boa oportunidade de oferecer alimentos saudáveis, como uma vitamina de frutas sem açúcar. Dependendo da idade, a criança toma no copo ou na mamadeira. Roseli Sarni defende que essa é a alternativa ideal, pois ajuda a criança a atingir suas necessidades de cálcio, vitaminas e sais minerais.

“O jejum prolongado, ainda que noturno, não é recomendado em qualquer faixa etária. Quanto menor a criança, menores os estoques de glicogênio, então, menor deve ser o jejum”, explicou.

A pediatra disse que a necessidade dessa refeição antes de dormir varia de acordo com a faixa etária. Para crianças com menos de dois anos, a ceia é “essencial”, pois a velocidade do crescimento até essa idade é maior. E uma criança de um ano não deve ficar 12 horas em jejum.

Roseli Sarni ressaltou a importância da higienização dos dentes antes de a criança dormir, e a recomendação para que essa alimentação seja, no mínimo, duas horas depois do jantar.

Roseli Sarni é presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Mãe militante

Hoje, Papo de Mãe, TV Brasil, 18h30.

Reprises:
Domingos, 13h30
Segundas-feiras, 12h30
Terças-feiras, 18h30

Se alguém me dissesse, há 20 anos, que eu estaria novamente casada, aos 46 anos, com um filhinho de dois anos, adorando falar de educação e criação de filhos por aí afora, diria... Imagine, impossível!

Mas essa é a minha atual militância: olhar com carinho e entusiasmo esse encantador mundo infantil e exercer com satisfação e tranquilidade o direito à maternidade.

Fotos enviadas pela equipe do programa.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Nesta quinta-feira, Gabriel e eu vamos estar no Papo de Mãe

Amamentação será o tema do primeiro programa inédito do Papo de Mãe em 2010.

TV Brasil, 18h30

Veja no blog

http://www.papodemae.com.br/2010/02/amamentacao-programa-inedito.html

Alimento saudável, em quantidade adequada, na hora certa: não é fácil!

Comer “direito” não é fácil para os adultos, mas pode ser para as crianças, desde que elas sejam educadas para isso. O problema é que são os adultos, que comem tudo errado, que, de repente, ganham a tarefa de formar futuros cidadãos “nutricionalmente” corretos.

As mães que se comportam bem na gestação e continuam seguindo as orientações durante o período de amamentação têm uma grande oportunidade para aprender a comer melhor e aproveitar os ensinamentos para criar um novo hábito alimentar. Ou seja, os “sacrifícios” em benefício da saúde dos filhos começam antes de eles nascerem, mas podem dar uma melhorada na nossa saúde também.

Para oferecer uma alimentação saudável para os nossos filhos, o primeiro passo é reconhecer que essa é uma tarefa árdua. Eu, que nunca gostei de jantar, abandonei os meus lanchinhos comportados ou calóricos, chá com torrada ou pizzinha com refrigerante, e passei a jantar diariamente com o Gabriel. É uma beleza trocar um misto quente por um prato de arroz integral, lentilha, fígado, abobrinha... Até parece!

Ninguém é de ferro, não dá para uma "chocólotra" levar vida de gestante para sempre. Um dia ele vai descobrir que, na calada da noite, eu devoro uma taça gigante de sorvete com castanha de caju, uma barra de chocolate ou uma caixa de Bis. E vendo televisão! Mas vai descobrir tantas outras coisas..., vai entrar no mundo adulto! Espero que com bastante saúde física e mental para aguentar o tranco.

Procuro seguir as orientações do pediatra para organizar a alimentação do Gabriel e acho complicado obedecer a uma regra básica: intervalos das refeições nunca inferiores a três horas, nem superiores a cinco.

Encaixar essa “regrinha” numa rotina que respeite os horários de sono e da escola exige uma ginástica. E isso enquanto ele ainda só tem a fome, imagine quando tiver a vontade de comer! Não é à toa que, para as crianças que já consomem guloseimas, não sobra tempo e apetite para as refeições saudáveis.


As consultas ao pediatra geralmente começam com a pergunta: “Como está a rotina dele?”. Ou seja, a questão é importante. Entrevistei a presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Roseli Sarni, por email, sobre isso.

Segundo ela, o intervalo necessário entre as refeições depende muito da faixa etária. Mas, em geral, três horas é o recomendável até para os adultos. Na avaliação dela, essa é uma questão importante, mas, o principal problema da alimentação infantil não costuma ser esse. Antes de pensar na organização da rotina alimentar, é importante garantir qualidade e quantidade adequadas dos alimentos oferecidos para as crianças em casa e na escola.

“Porções exageradas nos horários de lanches claro que podem comprometer a ingestão da próxima refeição. E, por esse motivo, é muito importante que as orientações contemplem aspectos quantitativos e qualitativos”, afirmou.

Segundo Roseli Sarni, os intervalos muito curtos, principalmente, com quantidade ou qualidade da alimentação inadequadas, podem ser prejudiciais ao bom desenvolvimento da criança. Além disso, a prática, muito frequente, de oferecer leite durante ou logo após as refeições compromete a absorção de oligoelementos essenciais, como ferro e zinco, por exemplo.

Para ela, a criança deve ter uma rotina alimentar com horários e cardápio bem estabelecidos. E essa organização não deve ser alterada quando a criança não come bem em alguma refeição. Quando não aceita bem o almoço, o ideal é aguardar o horário do lanche da tarde para oferecer outro alimento.

“O apetite da criança, como dos adultos, pode estar diminuído um dia, o que não provoca agravos à saúde, ao crescimento. Alterações pontuais no apetite não devem alterar a rotina alimentar, salvo em caso de doenças”, afirmou.

Os intervalos muito longos também devem ser evitados. “Nessas situações, frequentemente a criança acaba ingerindo quantidades superiores, com mastigação e ingestão rápida dos alimentos”, explicou.

Amanhã, continuo com esse assunto, falando do jejum prolongado durante a noite.

Roseli Sarni é presidente do Departamento Científico de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria. Ela contou com a colaboração da nutricionista da Unifesp Michelle Caetano para formular as respostas.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A infância colorida pelos livros

Para quem cresceu olhando com preguiça para a coleção do Monteiro Lobato, a enxurrada de novidades editoriais para o público infanto-juvenil é fascinante.

Quando vou a uma livraria com o Gabriel, percorro as estantes, maravilhada com a quantidade e a qualidade de livros em formatos, tamanhos, texturas, cores e conteúdos dos mais variados e interessantes para pegar, olhar, apertar, ler, brincar. As gravuras florescem e cantam em páginas mágicas.

Em que medida essas cores vivas que as crianças encontram em todos os cantos para onde olham vão influenciar a maneira como irão ver e pensar o mundo no futuro? Tomara que o colorido se reverta em otimismo, esperança e alegria de viver.

Eu cresci em branco e preto. Não era só na televisão que faltava cor. Os livros pesados do Monteiro Lobato lá de casa tinham a cara da época: capa dura verde-exército, páginas amareladas, com letras miúdas e gravuras sem cor. Acho que as histórias deliciosas da turma do Sítio mereciam um cenário mais colorido e divertido como têm hoje.

O Gabriel é louco por livros. Desde pequenininho, brincava um tempão com os de plástico, de tecido, emborrachados. Quando queria enrolar para dormir, sentava no berço e pedia para ler. Na verdade, ficar montando e desmontando os livros de encaixar. Depois, passou a colocar o "óculo" e deitar no sofá para ler. Agora, pega uma pilha de livros e chama o papai ou a mamãe para contarem as histórias que ele já sabe de cor.

Essa convivência com os livros é muito prazerosa e enriquecedora. Ele não se cansa de ouvir e imitar os sons dos bichos, sentir as diferentes texturas, apontar os detalhes das figuras, comentar o tamanho e as cores de tudo o que vê em cada capa, em cada página. E os personagens aparecem no nosso dia a dia, em situações inusitadas. “Quem foi que derrubou isso?”, pergunto. “Foi o Mico Maneco!”, responde às gargalhadas.

Outro dia, experimentando a fantasia de pirata para ir ao baile de Carnaval da escola (que ele perdeu porque teve febre no dia), lembrei do livro "O Tesouro do Pirata", do Backyardigans. Ele ficou todo animado quando viu que o chapéu do Pablo era igual ao dele. Fantasiado, ouviu atentamente o papai ler a história. A fantasia ganhou outro sentido para ele. Agora, era o capitão Gabriel. No dia seguinte, descobrimos juntos que em um quebra-cabeça, também tinha o Pablo com o chapéu de pirata.

E assim vamos caminhando no desenvolvimento da linguagem. Brincando com palavras, cores, movimentos, fantasias, personagens, desenhos. Um jogo de sons e imagens, de fantasia e realidade, ensinando e aprendendo com ele.

E eu descobri que colar os livros estragados para ensiná-lo a conservá-los estava tendo o efeito contrário. Como colávamos juntos, era uma brincadeira sensacional. Ele passou a rasgar os livros e pedir "pega a cola, Mamãe!" Criança tem dessas coisas... Também não dá pra dizer que ele está estragando o livro quando rabisca tudo. Para ele, está pintando!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Você sabia que a icterícia do recém-nascido pode causar cretinismo?

Eu não sabia! Descobri só quando tive o meu terceiro filho.

O médico explicou que o Gabriel poderia precisar ficar mais um dia no hospital, porque estava com icterícia. Rapidamente, ele deu uma verdadeira aula sobre o assunto, explicando que, se não for tratada, a icterícia pode causar cretinismo. Fiquei chocada.

Como eu tinha ido embora para casa com as minhas duas menininhas no colo, mais de vinte anos antes, sem saber o risco que elas estavam correndo? A única orientação que recebi, na época, foi colocá-las para tomar sol. Partos normais, ficaram só um dia na maternidade. Até ali, sabia só que a pele e os olhos ficam amarelados, nunca imaginei que as consequências poderiam ser tão graves.

Com o Gabriel, descobri que essa coisa tão comum em recém-nascidos pode ser séria. E a explicação detalhada foi dada pelo obstetra nem foi por um pediatra. O médico, que fez o parto do Gabriel e me acompanhou na aventura para engravidar com mais de quarenta anos, foi quem explicou e surpreendeu a todos. A minha sogra, mãe de três, também só soube ali.

Pode ser icterícia fisiológica (normal) ou icterícia grave (perigosa). Uma das causas é a incompatibilidade sanguínia materno-fetal. Nesse caso, o tipo mais frequente é quando a mãe é do grupo sanguíneo “O” e o bebê do grupo “A”. Eu e o Gabriel.

O que mais me causou surpresa, é que o pico máximo da concentração de bilirrubina é, em geral, no terceiro ou quarto dia, depois que muitas mães já foram para casa com os bebês. Na icterícia fisiológica, o fígado do bebê elimina a bilirrubina extra, que é excretada pelas fezes e pela urina. Nesse caso, a saúde do recém-nascido não é afetada.

Mas, quando é um dos casos patológicos, como o nosso, se a bilirrubina não for excretada, pode acabar se alojando no cérebro, causando um retardo mental. Eu fiquei impressionada com a falta de “barulho” em torno de uma questão tão séria. Perguntei para várias mães o que sabiam sobre icterícia, não encontrei uma com informações sobre os riscos em casos mais graves. A maioria conhece como uma coisa boba, um probleminha comum de recém-nascido.

As maternidades colocam as mães e os bebês para fora o mais rápido possível. Sem a informação e a orientação necessárias, acredito que muitas famílias deixem de tomar as providências. E muitos recém-nascidos ficam por conta dos tratamentos baseados na cultura popular para cuidar dos bebês amarelados.

Para o Gabriel, foi recomendada a fototerapia ainda na maternidade. Ele ficou tomando banho de luz e eu passei a amamentá-lo no berçário. A luz converte a bilirrubina ao nível da pele para ser excretada pelo fígado e pelo rim. No dia seguinte, o índice baixou e ele teve alta. Como estava com uma dor nas costas terrível, acabei ficando também para um tratamento de fisioterapia e saímos juntos do hospital.

Fomos orientados a procurar um pediatra em três dias e a observar se a pele e os olhos voltariam a ficar amarelados. Eu achava que ele estava bem amarelo, todo mundo achava que estava normal. A pediatra pediu um novo exame de sangue, coitadinho, e lá estava o nível alto de bilirrubina. O Gabriel precisou ser internado para fazer mais fototerapia.

Essa é uma técnica muito utilizada há 20 anos e já foi exaustivamente pesquisada. Quando usada adequadamente não causa efeitos colaterais. Na maternidade, não tive receio nenhum. Mas, quando ele foi internado, sofri e chorei horrores com medo de acontecer alguma coisa com os olhos dele porque a tal da máscara não parava no rosto.

O recém-nascido tem o fígado imaturo, por isso, demora mais para se livrar da bilirrubina. Para acelerar o processo, o bebê precisa mamar bastante e a mãe deve ingerir muito líquido para dar conta do recado.

A cor amarelada começa na cabeça e desce pelo corpo, conforme o nível de bilirrubina aumenta. O Gabriel tinha até as perninhas amareladas. Mesmo depois de deixar o hospital, o tratamento continuou em casa. Ele tomava sol só de fralda, direto no corpo, sem ser passando por vidro, todas as manhãs por vários dias.

Depois dele, fiquei sabendo de outras crianças que precisaram voltar para o hospital por causa de icterícia, mas não é comum isso acontecer.

A infância de Dilma Rousseff

Fotos da família da ministra.

http://noticias.uol.com.br/album/100221arquivo_dilma_album.jhtm

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Fantasia, a verdade da criança

O desenvolvimento da linguagem, essa capacidade humana que nos diferencia de todos os outros animais, é o mais incrível de acompanhar nos primeiros anos de vida de um filho.

A forma como nos comunicamos vai desenhando a nossa relação com ele, num processo que começa desde sempre e vai até sempre.

É uma vivência linda entre mãe e filho, como explicou a fonoaudióloga e psicanalista Eloisa Tavares de Lacerda no post Aquisição da linguagem começa na relação do bebê com a mãe, que escrevi quando o Gabriel, ainda com um vocabulário reduzido, já conversava bastante.

E as surpresas não param. Agora, ele não só conversa, como sabe explicar direitinho o que quer e como quer. E vai se transformando em uma criaturinha cada vez mais complexa, capaz de iluminar todos os cantinhos desse mundo infantil que não me canso de descobrir. Cada gesto, cada palavra, cada expressão é um holofote para conduzir o meu olhar até penetrar nas suas fantasias.

Ele inventa e reinventa as suas próprias brincadeiras. Passa dias dedicado a um brinquedo, a uma história e, de repente, troca por outra coisa, reencontra o que tinha abandonado, num vaivém encantador. E adora os rituais para ler os livros, montar quebra-cabeça, desenhar... Ele ocupa os espaços e dá função e movimento para os seus objetos com alegria e satisfação.

A paixão por motos, que começou quando ele ainda era bem pequenininho, só ganha novos contornos, mas é a campeã no ranking de atividades lúdicas. Primeiro, foi com a moto-pato, um xilofone de madeira, em forma de pato, com rodinhas. Agora, depois de herdar a motoca roxa e cor-de-rosa da amiga Florencia, ele, diariamente, passeia pelo apartamento, todo equipado, com a indumentária de motoqueiro que ele mesmo criou.

Primeiro, coloca e ajeita “meu óculo” - uma armação de óculos velha; depois, arruma o capacete - um boné vermelho do PT, colocado com a aba para trás; por ultimo, “a luvas” – uma mão só, uma luva de fantoches da história do Chapeuzinho Vermelho. E, assim, ele anda pra lá e pra cá até estacionar, de ré para a parede, pendurando o capacete (boné) no guidom.

Costumamos frequentar os parques da cidade de São Paulo com o Gabriel em quase todos os finais de semana. Em cada um, encontramos um cenário diferente, um público diferente, uma inspiração diferente para brincar.

Gostamos muito do Parque Burle Marx, lugar tranquilo, cheio de crianças pequenas com suas bolas, motocas e mini-bicicletas coloridas. Era o meu preferido porque é proibido entrar cachorro, mas, agora, quem escolhe o passeio é o Gabriel.

Na semana passada, ele não quis ir ao parque Villa-Lobos, como pretendíamos. Recusou o convite para andar de bicicleta grande com o papai, de capacete de verdade, que ele não usava fazia tempo.

“Não! Quero andar, com capacete, na motoca de cachorro!” E ele fala cantando e rindo, dando ênfase ao que diz.

O pai ainda insistiu. Levou o Gabriel até o computador para ver as fotos do parque, do passeio de bicicleta, da lanchonete... Um lugar que ele adorava até pouco tempo atrás. De nada adiantou, ele queria mesmo brincar com a motoca que tem uma buzina de latido de cachorro.

E lá, ele também leva a sério a brincadeira. Bateu o olho na mochilinha, na qual levamos suco e água, e pediu para colocá-la nas costas. Pronto, ali estava o sorridente “mocoteiro” Gabriel.

Muita gente deve achar esquisito, aquele menininho, com um calor danado, usando capacete e com uma mochila nas costas. Mas, não é capacete nem mochila, é fantasia de motoqueiro!

Exploração Sexual de crianças e adolescentes é um problema de todos nós

Risco de abuso sexual de crianças e adolescentes ronda Natal

Planejamento para Copa 2014 está concentrado em obras de infra-estrutura para receber turistas. Enquanto isso, álbuns com fotos de adolescentes circulam em shopping center no bairro de Ponta Negra, na capital potiguar

Leia a matéria no site Repórter Brasil:
http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=1694

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Precisar de ajuda para lidar com xixi e cocô é motivo para procurar um psicólogo?

Estou muito contente! Enviei para a psicóloga e psicanalista Márcia Regina Porto Ferreira os comentários do post Crianças usam xixi e cocô para mostrar que algo não vai bem com elas, pedindo uma resposta para os questionamentos. Fiquei particularmente impressionada com o último comentário, sobre uma criança que, segundo a mãe, “decora” as paredes com as fezes. Ela respondeu prontamente, coloquei as respostas nos comentários do post.

Achei muito recompensadora a disposição de Márcia Regina Porto Ferreira em colaborar com o meu trabalho. Essa psicanalista conquistou a minha admiração desde a primeira entrevista, que resultou em uma questão polêmica Criança precisa aprender o que pode e o que não pode fazer: dormir na cama dos pais, não pode. A partir da conversa com ela, parei de tomar banho com o Gabriel. Essa foi outra questão que surgiu durante a entrevista e surpreendeu a mim e a outros pais.

Quero dividir com os meus leitores a avaliação dela sobre os textos que tratam de enurese e encoprese. É um grande estímulo para dar continuidade a esse trabalho para compreender melhor o desenvolvimento infantil. “Gostaria de felicitá-la pela clareza e fidedignidade com que transmitiu nossa entrevista. Fico bastante animada de continuar a lhe prestar esclarecimentos sobre o mundinho infantil”, afirmou.

Então, vamos lá!

Quando é hora de buscar um especialista?

Segundo a psicanalista, Márcia Porto Ferreira, uma consulta ao psicólogo poderá acontecer a qualquer momento, sempre que os pais sentirem necessidade de ajuda. Os serviços gratuitos de Psicologia são indicados pela rede pública de saúde. As famílias devem procurar os serviços específicos de saúde mental infantil mais próximo da residência.

Ela lembrou ainda que a mãe deve contar ao pediatra tudo o que se passa com a criança. Pois, na avaliação dela, um profissional de boa formação também inclui nos seus pareceres questões relacionadas à vida psíquica da criança e poderá ou não indicar um psicólogo, conforme as suas conclusões. Mas, reiterou que a busca por um profissional não depende do encaminhamento do pediatra, a própria família pode achar necessário procurar um serviço especializado em saúde mental para auxiliar em questões como lidar com essas situações com o xixi e o cocô.

Márcia Regina Porto Ferreira é psicóloga e psicanalista; coordenadora do Departamento de Psicanálise da Criança do Instituto Sedes Sapientiae; autora do livro Transtornos da Excreção: Enurese e Encoprese, da Editora Casa do Psicólogo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Quando eu era criança

Esta foto aqui, com cara de antigamente, fez um sucesso danado quando coloquei no perfil do Orkut. Entrei na onda dos meus amigos, que estavam tirando do baú, as fotos de quando eram crianças. Eles tinham fotos coloridas, apareci com uma em preto e branco. A minha amiga Soraya colocou aquele pôster com várias carinhas do bebê, que as mães exibiam orgulhosas na parede da sala. Que inveja! Eu nunca me conformei por não ter um daqueles.

Na minha cabecinha de criança, a série de closes da criança sorrindo, chorando, fazendo careta e biquinho era uma prova de amor da mãe pelo filho. Eu desconfiava seriamente que a minha mãe não gostava de mim porque não fez um daqueles com as expressões do meu rosto de bebê. Os meus irmãos também não tinham, mas, claro que eu desconsiderava esse detalhe. Para mim, toda criança, que se prezasse, tinha!

Divagando sobre tempos modernos

Antes de conhecer o Orkut, dizia que jamais participaria de uma rede de relacionamentos onde as pessoas ficavam expostas e discutiam as suas intimidades. Quando comecei a ouvir as primeiras informações sobre o Twitter, achei que seria um instrumento para jogar palavra fora e disseminar bobagens. Hoje, tenho Orkut, Facebook, Twitter e um blog!

Quando começaram os roubos de perfis do Orkut, tirei todas as minhas fotos. Quando surgiram os mecanismos para controlar a privacidade dos álbuns, aproveitei para dar vazão à minha paixão por fotografia.

A minha primeira atitude é sempre de resistir às novidades que parecem exageradas em relação à minha própria história. Mas, com o tempo, vou desvendando os mistérios e até me empolgando com as novas descobertas.

Quando as meninas eram pequenas, fazia questão absoluta de fotografá-las no dia exato em que completavam mais um mês de vida. Quando não conseguia, porque não tinha filme na máquina, ficava inconsolável. E sempre dava um jeito de providenciar a foto do mês. Também procurava registrar os momentos importantes, como os primeiros passos, o primeiro dia na escola... É quase uma obsessão por estréias.

Naquele tempo, um filme de 36 poses durava meses na máquina, era muito caro. E a revelação e ampliação das fotos, então, uma fortuna para uma jovem mãe, estudante de jornalismo!

Mesmo assim, tenho mais de uma dezena de álbuns robustos, organizadinhos, guardados com muito carinho. E não foram poucas as visitas que estiveram com eles no colo, conhecendo detalhes daquelas cenas do nosso cotidiano. E sempre defendi a coleção de fotos como a história da minha vida com as meninas documentada.

As fotos também estão espalhadas pela casa em painéis que lembram momentos importantes e divertidos do dia a dia, com e sem elas. Os quadros até foram objeto de visitação pública, logo depois da eleição do Lula, porque o zelador do prédio espalhou pela vizinhança que nós tínhamos fotos com o presidente eleito de quando os fios do cabelo e da barba dele eram bem escuros.

Com o Gabriel, o registro é potencializado pelo avanço tecnológico. Na era digital, ele já tem mais de três mil fotos, fora os vídeos! Um exagero, reconheço. E o seu desenvolvimento é acompanhado online por quem está perto ou longe. As visitas não ficam folheando os álbuns, ficam clicando nas fotos.

É mudança demais em 40 anos!... Eu sou do tempo daqueles monóculos pequenininhos feitos por lambe-lambes de praia. Quem se lembra disso? Era muito divertido, adultos e crianças, curiosos e impacientes para verem as fotografias, disputavam os tubinhos de plástico que passavam de mão em mão. Quero ver! Deixa ver! Agora, sou eu...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Preocupação com a privacidade cresce junto com a criança

A Márcia postou um comentário legal sobre isso ontem, e eu senti o mesmo com as minhas filhas. Acho que, em geral, quando vão crescendo, meninos e meninas não gostam que os pais fiquem falando deles e contando para quem quer que seja o que fazem e o que sentem. E nem precisa colocar na internet! Eles ficam irritados e se sentem invadidos na sua privacidade quando os pais estão cochichando a respeito deles.

Para a psicóloga Laís Fontenelle, coordenadora de Educação e Pesquisa do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, as histórias de infância são encaradas de uma maneira mais romântica e poética pelo próprio encantamento das crianças com cada descoberta. E esse “apaixonamento” próprio dos menorzinhos, com o tempo, vai ganhando outros contornos.

“A gente tem uma identidade, mas tem uma postura no trabalho, uma na família. A gente exercita papéis sociais, e a criança, a partir de uma certa idade, vai fazer isso. Quando a mãe escancara uma intimidade ou uma característica da identidade ou da personalidade dela, que ela mantém escondida no social, é muito chato”, explicou.

A falta de autonomia e de capacidade crítica para fazer escolhas até por volta dos 12 anos de idade, explica o tamanho da responsabilidade dos pais e cuidadores para representar as crianças publicamente nos primeiros anos de vida. Elas acreditam incondicionalmente nos adultos e precisam dos valores que eles passam para aprender a se socializar e a exercer a cidadania. Com o tempo, começam a participar mais das escolhas e a questionar a atitude dos pais em relação à propria privacidade.

Para a psicóloga, não há como fugir dessa troca de experiências entre pais, amigos, parentes, conhecidos e até desconhecidos que sempre existiu e foi potencializada pela internet. Na avaliação dela, essa prática que atravessa gerações, ajuda na reflexão dos pais para ajudar a construir as formas de como cuidar das crianças.

“Você cria cultura, você troca experiências, você aprende, você ensina. A gente tem que saber o que falar, onde falar, como falar! E não é só dos filhos, é de qualquer pessoa. Esse cuidado com a exposição do outro é em qualquer relação”, afirmou.

Na adolescência, quando estão identificados com o próprio grupo, meninos e meninas podem sentir um grande incômodo, mesmo com as histórias de quando eram menores. Eles não querem tornar público algo vivido na infância que tenha deixado uma marca difícil.

Laís Fontenelle criticou os artigos que “demonizam” as novas mídias e disse que os pais não devem ficar distantes delas. Ao contrário, para a própria segurança das crianças e dos adolescentes, é importante que os adultos dominem o mundo virtual e ajudem os filhos a usá-los da melhor maneira possível.

“A forma como a gente utiliza as novas mídias pode ser a favor da infância ou contra um desenvolvimento infantil saudável. Acho que o uso que se faz é que vai fazer toda a diferença”, afirmou. E concluiu: "A gente tem que dar a mão pra criança e atravessar a ponte junto, vamos lá!"

Laís Fontenelle é psicóloga, coordenadora de Educação e Pesquisa do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana

Componente de fórmula infantil tem valor abaixo do recomendado

Os ácidos graxos polinsaturados são importantes para o desenvolvimento dos bebês. Porém, uma pesquisa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) aponta que sua quantidade está abaixo da recomendada em fórmulas infantis (preparados em pó adotados em substituição ao leite materno, após adição de água). “Essa deficiência deve ser superada com mais rigor na legislação e maior informação aos consumidores”, defende a engenheira química Mahyara Markievicz Mancio Kus , autora do estudo sobre as fórmulas infantis.

Leia a íntegra da notícia na Agência USP http://tinyurl.com/yjnm4kx

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Atitude dos pais é fundamental para criança navegar com segurança na internet

Estou propondo discutir aqui se os pais desrespeitam ou não a privacidade dos seus filhos quando escrevem um blog como o meu, colocam fotos em sites de relacionamento ou simplesmente comentam detalhes do desenvolvimento deles com a família, com amigos, com vizinhos, com os colegas no trabalho.

A mania de falar da vida dos filhos, de mostrar como eles estão crescidos ou engraçadinhos, e os desabafos sobre as dificuldades com a educação das crianças não começaram com a internet. A diferença é que o alcance das palavras e imagens, e a velocidade e amplitude da disseminação das informações aumentam a cada dia. Entre conversar com a vizinha no portão e andar com uma fotografia desbotada na carteira, como era comum antigamente, e publicar textos, fotos e vídeos em blogs e sites de relacionamento existe uma diferença estratosférica.

Quero enfrentar esse debate, porque, na verdade, desde a decisão de criar o blog, essa é uma questão constantemente reavaliada. Jamais vou parar de refletir sobre a adequação do Educar e Cuidar. Não é confortável manter um blog sabendo que os meus filhos podem não gostar do que escrevo. Farei isso enquanto acreditar que esse trabalho pode, em alguma medida, contribuir para envolver pessoas com a idéia de uma infância melhor para os nossos filhos.


Na opinião da psicóloga Laís Fontenelle, coordenadora de Educação e Pesquisa do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, pensar antes de postar é imprescindível, pois os pais precisam avaliar como a criança vai se sentir sendo representada por eles. O filho percebe esse cuidado e aprende com ele.

Ela avalia que o impacto de uma informação é diferente se ela for considerada positiva ou negativa. Como acontece com qualquer pessoa, a criança terá muito mais chance de se sentir confortável diante da exposição de uma descoberta encantadora que tenha feito do que se contarem que ela fez xixi na cama até os 10 anos de idade. Os pais devem pensar se a criança vai gostar de se ver naquela situação.

“Acho que os pais, os cuidadores têm que estar sempre pensando nisso, a criança é um ser humano, e um ser humano em desenvolvimento, a gente tem que protegê-la”, afirmou.

Para a psicóloga, saber que a sua história foi contada pode ser muito assustador e invasivo para uma criança. Mas isso vai depender não só do conteúdo, mas da forma como ela foi retratada. Ela acredita que os pais devem conversar com as crianças sobre o que contam e porque contam as histórias que vivem dentro de casa. É importante que a criança conheça a intenção dos pais e a importância daquela publicação para eles.

“Não se pode negar que é uma exposição. Mas é da a forma como isso vai ser trabalhado pelo pai com a criança que depende se vai ser bom ou ruim para ela”, explicou.

A troca entre os pais pela internet para desvendar o mundo da criança e participar dele faz parte da construção de vínculo com ela. O risco, na opinião de Laís Fontenelle, é a diversidade e a amplitude da rede mundial.

“Tem muitos blogs e sites interessantes falando para os pais sobre as crianças, mas, no meio disso tudo, vem coisas negativas. No fundo, é difícil julgar e responsabilizar o pai, culpar só ele pela educação das crianças. A gente não pode negar que hoje em dia tem uma educação informal que é consumida pelos pais e pelas próprias crianças, que vem através das diferentes mídias.

Para ela, quanto mais os adultos tiverem consciência de que é um mundo diferente, e de que temos uma “geração mais plugada”, mais preparados estarão para orientar os filhos para navegar na Internet e ensiná-los a preservar a própria privacidade no espaço digital. Os filhos vão aprender a lidar com as diferentes mídias a partir da atitude dos pais, do exemplo deles.

Enquanto finalizava este texto, recebi o comentário da Márcia. É justamente sobre o que eu vou falar amanhã. A internet colocou um alto-falante gigante no bate-papo que sempre existiu entre parentes, amigos, colegas, e até desconhecidos jogando conversa fora na fila do banco e no ponto de ônibus.

Laís Fontenelle é psicóloga, coordenadora de Educação e Pesquisa do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Dia da Internet Segura: pense antes de postar

Aconteceu comigo: pensei e não postei!

Hoje é o Dia da Internet Segura e o tema deste ano veio a calhar com o que vivenciei na semana passada: "Pense antes de postar".

Depois de comentar um post no blog "Enfim, pais", do jornalista Hamilton dos Santos, resolvi promover um debate aqui sobre a responsabilidade dos pais na preservação da privacidade das crianças.

Ele falava da preocupação, como pai, de que o filho, no futuro, não goste de ter tido a sua vida exposta pela internet desde a concepção. Contei lá que quando escrevi Como é difícil ensinar uma criança a usar o banheiro, pensei em ilustrar o post com uma foto do Gabriel, como faço frequentemente, mas, não achei adequado exibí-lo na privada.

Com a foto cortadinha, discreta, chamei o pai dele para refletir comigo sobre o assunto e conclui que não deveria divulgar a imagem. Se estou justamente ensinando que fazer xixi e o cocô é uma coisa privada, achei que não seria correto escancarar a porta do banheiro na internet. Para mim, essa foi a diferença fundamental em relação a outras fotos que postei aqui. No entanto, não tenho certeza de que esse cuidado seria necessário.

No blog, sempre procuro colocar uma foto em que ele esteja longe, de lado, com o rostinho virado, cortado, olhando para baixo... A idéia é ilustrar o post, e não mostrar o Gabriel. Mas, ele já apareceu abocanhando uma coxa de frango e, recentemente, coloquei a foto mais aberta de todas: no post Adiós, Florencia!, na qual ele e a amiguinha aparecem com sorriso largo.

Na verdade, acho muito mais significativo do que as minúsculas fotos, os textos que abordam detalhes do seu desenvolvimento. Como o meu colega jornalista, penso que, no futuro, ele possa não gostar dessa história. Refleti muito e conversei com várias pessoas antes de criar o blog, trabalhei bastante em terapia, inclusive. E permaneço atenta, refletindo e discutindo sobre a adequação do que escrevo.

Não quero restringir o debate ao Educar e Cuidar. Esse é apenas o meu exemplo. Gostaria de discutir como respeitar a privacidade das crianças na internet. Muito se fala dos riscos das redes de relacionamento para os adolescentes, que ainda não sabem bem como lidar com a privacidade. Mas, e os adultos?

Qual a responsabilidade dos pais na preservação da privacidade das crianças?

Você acha que a exposição de fotos e textos pelos pais pode causar prejuízo às crianças?

Qual a diferença entre compartilhar momentos da vida, de dividir a alegria e o orgulho de ser pai e mãe, e a invasão de privacidade das crianças?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A segurança das crianças na internet deve ser uma grande preocupação dos pais

Esse será o tema do blog durante essa semana. Tenho muitas dúvidas e receios em relação ao mundo digital. Pretendo discutir sobre a privacidade e a segurança das crianças quando navegam ou são exibidas nessa rede mundial cheia de encantamento, possibilidades, mistérios e riscos.

Para começar, vou indicar um site dedicado ao uso ético e responsável da internet. Voltada à potencializar o uso saudável e responsável do ciberespaço, a SaferNet Brasil desenvolve um trabalho muito interessante e importante. Destaco aqui um trecho do material online oferecido pela ONG:


“Sabemos que a Internet é uma ferramenta fantástica, que pode contribuir muito com o desenvolvimento cognitivo, social e emocional de nossas crianças. Porém, como toda tecnologia que se propõe a aproximar pessoas, também pode colocar em risco a segurança e a saúde de crianças, jovens e adultos, quando não orientados sobre o uso ético e responsável da rede. Por essa razão, o uso da Internet pelas crianças e adolescentes precisa ser estimulado conjuntamente com ações efetivas de orientação e acompanhamento dos pais e educadores”.

Leia mais


Conheça e repasse a cartilha com muitas informações e dicas sobre o ciberespaço: http://www.safernet.org.br/site/prevencao/cartilha/safer-dicas

Você conhece essa ONG? Vale a pena: http://www.safernet.org.br/

Você testemunhou algum crime na Internet? Denuncie: www.denuncie.org.br

EDUCADOR!

A SaferNet Brasil está realizando uma pesquisa com professores de vários estados brasileiros sobre navegação na internet. Participe: http://www.safernet.org.br/site/prevencao/pesquisas/educadores/sp

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Crianças são vítimas de abuso sexual em todas as classes sociais, mas só os pobres denunciam

Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Leila Paiva, quem costuma fazer denúncia de abuso sexual são pessoas das camadas mais pobres.

“A violência sexual não é uma violência de classe. Mas a violência que chega à esfera pública é uma violência de classe”, explica Leila, que também é responsável pelo serviço Disque 100, que recebe denúncias de violências contra crianças e adolescentes. “As classes A e B também têm vítimas, mas não denunciam”, destaca a coordenadora.

Acho que esse tema merece muita atenção, reflexão e atitude. A matéria completa está na Agência Brasil:

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2010/02/04/materia.2010-02-04.2610717689/view

Abuso sexual se agrava por omissão familiar e precariedade de redes de proteção

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2010/02/04/materia.2010-02-04.5911255909/view

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Escola é lugar de criança

Se eu tivesse escrito sobre isso ontem, teria dito que o Gabriel estava indo para escola todo feliz, empolgado com a perua, como se não tivesse ficado tanto tempo afastado por causa das férias.

Mas, como estou escrevendo hoje, começo dizendo que o Gabriel foi para a escola chorando e eu fiquei com o coração partido vendo a perua se afastar. Estava sorrindo, abanando a mão com entusiasmo para encorajá-lo, mas, por dentro, que pena!

Pode ser porque estávamos brincando de esconde-esconde enquanto a perua não chegava e ficou triste por ter de parar: “não quero ir embora”, repetia aos prantos.

Ele se diverte muito com isso. Engraçado como as crianças adoram se esconder e vibram quando são “encontradas”. Com certeza, a simbologia dessa brincadeira é muito rica e faz parte da vida das crianças por muito tempo, desde bebês até quase na adolescência. O que muda é que não gostam mais quando são achadas. Qualquer dia, vou conversar com algum psicólogo sobre isso... O significado das brincadeiras infantis é uma boa pauta!

Mas, voltando ao Gabriel, estava impressionada como o retorno à escola não tinha exigido nenhuma adaptação, pois ele estava plenamente satisfeito com a retomada dessa rotina. Chegou no primeiro dia contando um monte de coisas novas. Entrou anunciando: “Zida, cheguei aqui em casa de peura!”. E, à medida que se lembrava de alguma coisa, ia falando: “tem dois Micael”, mostrando com os dedinhos; “a Thaís (antiga assistente da professora) tá na ota sala”; “a Gabiela tá na ota sala”...

No dia seguinte, estava apressado para descer, querendo ir embora de perua. E assim foi até ontem. Hoje, quinta-feira, será que a novidade acabou e o cansaço chegou? Estou tranquila, pois, por mais que passe a empolgação do reencontro e da descoberta das mudanças, acho que a criança fica bem na escola. Deve ter chorado um pouquinho e se conformado logo.

Essa semana, vinha lembrando da entrevista com a psicóloga e psicanalista Audrey Setton Souza, que publiquei aqui no blog, na qual ela afirma que a escola é uma necessidade da mãe e não da criança pequena. Eu tenho sentido exatamente isso. A mãe precisa da escola porque acredita que lá a criança estará bem.

Quando o Gabriel está em casa com a empregada, não consigo ficar absolutamente tranquila. Saio e volto o mais rápido possível, fico agoniada se demoro muito. A minha sensação é de que se ele está em casa, deveria estar lá com ele. Vou adiando tudo o que posso para evitar deixá-lo sozinho.

Mas, quando ele está na escola, o dia rende! A única preocupação é com o horário da volta, não penso no que está acontecendo com ele lá, tenho a sensação de que ele está bem, de que está se divertindo, sendo cuidado...

No ano passado,quando ia buscá-lo, adorava ficar observando a dinâmica da escola antes que ele me visse. A minha vontade, era de entrar na brincadeira com as crianças e, depois, levar todas as que estavam com cara de cansadas para casa comigo. Eles ficam felizes, mas acho que sentem saudade de casa.

Percebia que se o Gabriel estava na sala, no meio de uma roda, participando de alguma atividade, estava contente. Se estava no parquinho, andando em um carrinho, estava tão contente que muitas vezes nem queria sair. Estava sempre bem, mesmo quando tinha uma marca de mordida na bochecha, na mão, no braço... Mas, o melhor mesmo, é quando disparava puxando a sua mochilinha para me abraçar sorrindo: "Mamãe!"

Acho que é desse aconhego materno e dessa sensação dos pais em geral de que a escola é um lugar adequado para deixar a criança, quando estão ocupados com outras atividades, que a psicanalista estava falando.

Escola é necessidade da mãe e não da criança pequena
http://www.educarecuidar.com/2009/10/escola-e-necessidade-da-mae-e-nao-da.html


Escola é necessidade da mãe e não da criança pequena - Parte II
http://www.educarecuidar.com/2009/10/escola-e-necessidade-da-mae-e-nao-da_13.html

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Como é difícil ensinar uma criança a usar o banheiro!

Ainda estou penando para ensinar o Gabriel. Mais de duas décadas depois de tirar as fraldas das meninas, considerava que essa tinha sido a tarefa mais difícil dos primeiros anos de vida delas, mas não lembrava que demorava tanto. Com a Bruna, comecei com o penico e passei logo para o redutor. A Nara e o Gabriel foram direto para a privada, afinal, a descarga é o melhor de tudo. O duro é convencer o Gabriel a não gastar toda a água do planeta.

O problema não é sentar e fazer xixi no banheiro, difícil é chegar lá antes de molhar a roupa. Hoje, recebi a agenda do Gabriel com um progresso na escola: ele pediu para fazer xixi no banheiro, mas não deu tempo!

Quando passo o dia levando o Gabriel ao banheiro, ele faz direitinho. Ou seja, tem o controle, pois senta e solta o xixi. Mas, se deixo por conta dele, espero que ele peça, o anúncio ”xixi!” vem junto com a poça.

Geralmente, ele não pede. Mas, outro dia, sentado na cadeirinha do carro, parado em frente a uma loja, pediu. Deu tempo para abrir o cinto de segurança, entrar na loja, perguntar onde tinha um banheiro que eu pudesse levá-lo, achar o banheiro nojento... E ele fez direitinho, um jatão!

O que me incomoda, é que o controle dos esfíncteres é tão cheio de mistérios... Desde as meninas, vivia preocupada em não causar um trauma durante esse processo de treinamento. Vinte anos depois, a história se repete. Por que não consigo ensinar os meus filhos sem tanta ansiedade, sem medo de estar fazendo errado?

Um dia, fiquei lendo as matérias que fiz sobre o assunto aqui no blog para ver se eu conseguia me ajudar. Não me encaixo no treinamento severo, mas também não sou a mãe complacente que não aguenta ver o filho crescer. E o mais importante: a psicanalista Márcia Regina Porto Ferreira não estima um prazo para o treinamento, deixa claro que o tempo é o da criança. E a falta de controle só começa a chamar atenção para algum eventual problema a partir dos três, quatro anos.

Perguntei ao pediatra se estava demorando muito, ele nem me deu conversa, respondeu que tirar a fralda é com dois anos e meio e encerrou o assunto. A filha dele, que é a pediatra oficial, mas está em licença maternidade, tinha avaliado junto comigo que o Gabriel estava pronto para o treinamento. Ou seja: não existe uma única resposta quando o assunto é desenvolvimento de uma criança.

Na escola, ao voltar das férias, quando avisei que ele ainda não estava pedindo para fazer xixi, que falava quando já tinha feito, a coordenadora arregalou os olhos incrédulos.

Comecei a tirar a fralda do Gabriel no dia 7 de novembro, vai fazer três meses. Durante esse período, ele ficou doente e nós deixamos que fizesse na calça sem chamar atenção para o fato; viajamos e ele passava o dia inteiro com a sunga molhada, sem diferenciar muito xixi e água do mar ou da piscina; e também usamos muito a fralda de treinamento, que eu acho ruim, pois tenho a impressão de que confunde a criança: ela sente o mesmo aconchego da fralda comum, faz xixi.

Bolei, mas não usei

Para fazer cocô, ele pede. Depois de uma situação difícil em um banheiro imundo na praia, fiquei pensando em como poupar o Gabriel (e o pai dele) de outra daquela. Acho que a solução pode estar em um saquinho plástico colocado no baldinho de praia. A criança senta e faz como se fosse um penico, e o saquinho é descartado como se fosse uma fralda. Não usei porque, depois desse dia, o Gabriel só pedia para fazer cocô no hotel. Acho que ele foi mais esperto do que eu, mas, com certeza, ainda terei muitas oportunidades para testar a minha idéia.


Controle dos esfíncteres organiza psiquismo da criança para relações amorosas
http://www.educarecuidar.com/2009/08/o-treinamento-para-o-controle-dos.html

Abandonar as fraldas é desafio para mãe e filho
http://www.educarecuidar.com/2009/12/abandonar-as-fraldas-e-desafio-para-mae.html

Crianças usam xixi e cocô para mostrar que algo não vai bem com elas
http://www.educarecuidar.com/2009/12/criancas-usam-xixi-e-coco-para-mostrar.html

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Adiós, Florencia!

Hoje o dia começou mais sem graça no sexto andar. Temos certeza de que não ouviremos os gritinhos e as risadas da Florencia por aqui. Como será que o Gabriel vai reagir à despedida de uma companheira tão querida?

“Amiga!” Uma das primeiras palavras ditas por ele, identificava com veemência a menininha que adorava encontrar quando abria a porta do apartamento.

Em pouco tempo, os dois já invadiam a casa um do outro, trocavam brinquedos e se divertiam na areia, na piscina, na sala, no quarto, na varanda, no banheiro, no elevador... Quando se viram juntos em uma lanchonete, ficaram enlouquecidos (e os pais exaustos!) com a novidade, foi uma noite inesquecível.

“Mano, Bel!”, insistia Florencia para dançar de mãos dadas com o Gabriel. A amiga que nasceu na Argentina, passou pela Venezuela e morou quase dois anos no Brasil, segue para mais um desafio profissional do pai, agora, no Chile.

Impressionante como desde o início da amizade demonstravam alegria por estarem juntos. Mesmo quando ainda não compartilhavam a mesma brincadeira, o entusiasmo com o encontro era evidente e estridente. Muitas vezes, foi difícil conter a euforia dos dois quando se copiavam mutuamente em caretas, gargalhadas e gritos que ecoavam pelo prédio enquanto rolavam pelo chão.

Com 20 dias de diferença de idade, foram companheiros perfeitos para os primeiros aprendizados como emprestar brinquedos e pedir desculpas. “Dicupa, Foencia!”, repetia, com voz doce, o Gabriel, depois de alguma disputa mais acirrada, passando a mão no rosto dela, molhado por uma lágrima que logo dava lugar a um sorriso.

Ontem, a despedida foi emocionante. Ela ficou comigo enquanto os pais saíram para comprar mais uma mala. Brincaram, pularam, deram tantas gargalhadas... Como sempre!

Para retribuir a motoca roxa e cor-de-rosa que herdou da amiga, o Gabriel deu dois de seus carrinhos para que a Florencia levasse como lembrança. Eles se abraçaram, se beijaram e continuaram dando tchau e jogando beijos um para o outro até que as mães entrassem para os apartamentos. Eu estava chorando, aposto que a Claudia também.

O Gabriel nem está entendendo direito, mas hoje é um dia importante na vida dele. Começa aqui uma nova fase, sem a amiga, de quem tanto gosta, por perto. Imagino que vá ser difícil para quem sai do elevador e olha primeiro para a porta dela; invade em disparada sempre que encontra a porta aberta, e controla quando ela entra e sai, atento a uma palavra, um choro, um grito, uma risada... “A Foencia chegou, mamãe!”

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Fim de férias!

Janeiro foi mais do que um mês de férias, foi uma quebra geral da rotina. O Gabriel ficou com pai e mãe voltados para ele em tempo integral. Passei as duas últimas semanas falando que precisava colocar a vidinha dele em dia para a volta às aulas. Falei bastante, mas fiz pouco.

Parece incontrolável, o crescer trás consigo um afrouxamento natural dos horários, dos cardápios, da rotina em geral. Mas acho que a organização desde os primeiros dias de vida permite ao Gabriel sair e voltar para a rotina sem dificuldades. Aliás, ele sempre foi assim: tem uma rotina para ser quebrada.

Ainda com poucos meses, morava em Brasília e viajava para São Paulo onde cumpria uma agenda de “baladeiro”. No dia seguinte a alguma maratona de compromissos sociais, dormia muito além da conta para se recuperar. Acordava pronto para outra. Quatro ou cinco dias depois, voltava para casa e retomava sem resistência uma rotina de horários rígidos, silêncio e tranquilidade.

Durante o mês de janeiro não foi diferente. O mais impressionante ficou por conta da comemoração do ano-novo. Depois de se encantar mais com o aglomerado de pessoas na praia do que com os fogos de artifício, ficou até duas da madrugada na festa como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Passou nove dias na Bahia fazendo todas as refeições, nos horários o mais próximo do normal possível (longe!) e foi poupado dos acarajés, moquecas, comidas e bebidas de barracas de praia. Mas, quando chegou em casa, quase meia-noite, e me viu tirar um potinho da Nestlé do micro-ondas mostrou rapidamente que estava se sentindo de volta à vida normal e não aguentava mais comer aquilo: “Quero ovo, mamãe!”.

Hoje, o Gabriel voltou para a escola e vamos ver o que acontece. Saiu de casa feliz da vida puxando a sua mochila como se não tivesse ficado quase dois meses sem fazer isso. Antes das férias, perguntei se a professora estava preparando as crianças para um longo período de distanciamento. Ela disse que não, pois são muito pequenos para entender, e que o retorno costuma ser tranquilo, sem necessidade de uma nova adaptação.

Quando chegamos de viagem, foi tudo bem. Quando o pai retomou o trabalho, no início da semana passada, ele entendeu perfeitamente. Agora, espero que esteja pronto para frequentar a escola com a alegria e a disposição do ano passado. Começa com duas novidades: o uso do uniforme e do transporte escolar.

SUS oferece duas novas vacinas para seis milhões de crianças

Duas novas vacinas serão incluídas no calendário básico de vacinação disponível na rede pública de saúde: a pneumocócica 10-valente e a anti-meningococo C. A primeira será oferecida a partir de março em todo o território nacional e protege contra a bactéria pneumococo, causadora de meningites e pneumonias pneumocócicas, sinusite, inflamação no ouvido e bacteremia (presença de bactérias no sangue), entre outras doenças. A segunda será aplicada a partir de agosto e imuniza contra a doença meningocócica.

Nos primeiros 12 meses após a implementação, as novas vacinas serão aplicadas em crianças menores de dois anos de idade. A partir de 2011, elas farão parte do calendário básico de vacinação da criança específico para os menores de um ano. Depois de cinco anos do início dos novos programas de vacinação, em 2015, a previsão é sejam evitadas cerca de 45 mil internações por pneumonia por ano em todo o Brasil. Com isso, a média dessas internações por ano cairá de 54.427 para 9.185, uma redução de 83%.

“As inclusões das vacinas são um grande avanço para a saúde pública brasileira. Os imunizantes vão proteger a população contra doenças de grande e vão contribuir para a redução da mortalidade infantil e para a melhoria da qualidade de vida do brasileiro”, afirma o diretor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério, Eduardo Hage.

DOENÇAS– Principal causa de meningite bacteriana no Brasil, a doença meningocócica pode se manifestar como uma inflamação nas membranas que revestem o cérebro (meningite) ou como uma infecção generalizada (meningococcemia), que pode levar rapidamente à morte. Entre 2000 e 2008, o número de casos da doença caiu de 4.276 para 2.648, uma redução de 38% (veja quadro abaixo). No mesmo período, o número de mortes por essa enfermidade caiu 47%, de 777 para 412. Essa redução pode ser atribuída à menor circulação do meningococo do sorogrupo B, uma vez que, entre 2001 e 2009, os 20 surtos de doença meningocócica no país tiveram como responsável o meningococo C.

Leia mais: http://portal.saude.gov.br/portal/aplicacoes/noticias/default.cfm?pg=dspDetalheNoticia&id_area=124&CO_NOTICIA=11080

FONTE: Ministério da Saúde